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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cinema: Donkey Xote

Depois que Pixar, Disney e DreamWorks provaram ao planeta que o segmento de longa metragens em animação pode ser extremamente lucrativo, todo mundo saiu a campo para tentar tirar sua casquinha. É o caso, por exemplo, da produtora italiana Lumiq e das espanholas Bren e Filmax, que uniram suas forças para realizar Donkey Xote, uma sátira ao clássico Don Quixote, de Miguel de Cervantes.

Aqui, a história é contada sob o ponto de vista de Rucio, o burrico de Sancho Pança. Ele, ao lado do “colega” Rocinante (o cavalo de Don Quixote) e seus respectivos donos, acabam se metendo em novas aventuras, depois que o sempre obsessivo Don Quixote resolve novamente ir à procura de sua misteriosa amada Dulcinéia. A ação se passa num momento em que Quixote já está praticamente aposentado e que – por causa de sua fama difundida nos livros de Cervantes – todos os cavaleiros querem ser igual a ele.

O grande problema – como quase sempre acontece nas novas animações - é o roteiro. Ou a falta dele. Com a crescente queda nos preços de hardwares e softwares, atualmente não é mais nenhum bicho-de-sete-cabeças realizar uma animação de boa qualidade técnica. E, neste aspecto, Doneky Xote é bastante satisfatório, com belos traços, personagens carismáticos e boa movimentação. Há até cenários inspirados no grande pintor espanhol Francisco de Goya.

Mas se a técnica anda cada vez mais apurada, não há dinheiro que compre um roteiro genial, coisa que ultimamente parece ser prerrogativa “exclusiva” da Pixar. Sonolenta, a trama do animado é confusa, sem emoção e, pior, não faz rir. Nem adultos nem crianças. Falta a grande idéia, a jogada genial, o inusitado. Diante de uma história tão desinteressante, fica até menor o fato do personagem principal ser quase uma cópia deslavada do Burro da DreamWorks, o amigo do Shrek. E de haver um leão que é quase igualzinho a Scar, o tio do Rei Leão, da Disney... Se pelo menos o roteiro de Donkey Xote “imitasse” um pouquinho também as belíssimas tramas da Pixar, tais pecados seriam melhor perdoados.

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

Cinema: Heróis

A primeira coisa que penso ao ver Heróis é que o diretor, Paul McGuigan (de Xeque-Mate), é estiloso, mas certamente foi influenciado por filmes de ação orientais, como o japonês Ichi - O Assassino ou Conflitos Internos, filmado em Hong Kong, em 2002. Não à toa, a maior parte de ação desta aventura juvenil se passa exatamente em Hong Kong e, por isso, empresta essa estética colorida, em ambientações bagunçadas, ao novo trabalho de McGuigan.

A história tem um quê de X-Men, mas tem mais a cara da série Heroes. Tudo gira em torno de Nick Grant (Chris Evans), jovem dotado de poderes de telecinese que, na infância, fora separado do pai, assassinado por um grupo de agentes do governo norte-americano. Aproximadamente 15 anos depois, ele vive escondido em Hong Kong, até que é encontrado por Cassie (Dakota Fanning), uma menina capaz de prever o futuro.

Ambos são filhos de pessoas com fortes poderes que chegaram a trabalhar à agência secreta que atualmente os persegue, interessadas no paradeiro de Kira (Camilla Belle), considerada peça-chave nas pesquisas para o aprimoramento das pessoas com poderes especiais - que, mais tarde, serão utilizadas para interesses nada louváveis. Cassie e Nick se unem também a fim de evitar a previsão da menina: a de que acabarão mortos. Enquanto isso, eles também fogem de uma gangue de jovens com superpoderes que também querem colocar as mãos na fórmula desenvolvida pelo governo norte-americano.

O que temos a partir desta premissa é uma série de cenas de perseguição envolvendo jovens dotados de superpoderes, seja da telecinese, da premonição ou mesmo a capacidade de explodir coisas com um grito. Nada de novo, no caso. Interessante são os ângulos que McGuigan escolhe para seus enquadramentos: a fim de retratar fielmente a bagunça nas ruas de Hong Kong, o diretor resolveu captar a imagens por meio de câmeras escondias em vans e pequenos buracos, enquanto os atores atuavam nas próprias ruas.

O resultado estético é interessante, também quando observamos a forma como a fotografia valoriza os ambientes comuns das ruas de Hong Kong. Mas a trama é fraca, batida e as atuações não chegam a ser um verdadeiro deleite. Camilla Belle está particularmente restrita, digamos. Não que ela seja um primor na interpretação, mas em Heróis ela mostra ser somente um rosto bonito. Dakota Fanning, uma verdadeira estrela infantil, aparece em papel adolescente, representando situações com as quais os espectadores estão pouco habituados em se tratando à atriz de Guerra dos Mundos e A Menina e o Porquinho.

Mas a menina tem talento e sabe como se comunicar com a câmera, então não chega a decepcionar. O elenco de Heróis é relativamente forte; além dos protagonistas, também conta com Djimon Hounsou (de Diamante de Sangue) - um vilão sem muito destaque - e Cliff Curtis (de Sunshine - Alerta Solar). Embora bem intencionado e com cenas de ação orquestradas de forma criativas, o longa traz uma trama batida, com desfechos previsíveis, não tão atraentes quanto a direção em si.

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cinema: Uma Noite Museu 2

Aquela velha teoria de que a continuação é sempre pior que o filme original parece estar caindo por terra. Depois de O Cavaleiro das Trevas, Anjos e Demônios e do novo Star Trek, agora é a vez de Uma Noite no Museu 2 mostrar que uma sequência pode, sim, ser mais interessante que o filme que a originou. A continuação mantém os mesmos roteiristas, o mesmo diretor e – claro – o mesmo Ben Stiller do primeiro filme para contar uma história nova e mais bem amarrada que a da produção original.

Agora, os personagens que aprendemos a curtir em Uma Noite no Museu estão sendo “despejados”, por serem apenas obsoletos bonecos de cera. Os novos tempos pedem tecnologia virtual e interatividade. Desta forma, Larry Daley (Stiller), que deixou de ser guarda do museu para se transformar em um rico empresário, corre para socorrer seu velhos amigos e acaba se envolvendo em uma confusão de proporções gigantescas no não menos gigantesco Museu Smithsonian, de Washington.

Com excelente ritmo de aventura e ótimas tiradas cômicas, o longa traz, entre seus acertos, a soma dos velhos e conhecidos personagens (o cowboy, o general romano, Ted Roosevelt...) com novas “peças de museu” que se integrarão à nova trama. E com um capricho todo especial dedicado tanto ao casting quanto ao desenvolvimento destes coadjuvantes. Principalmente Amy Adams (vivendo a pioneira da aviação Amelia Earhart), Hank Azaria (no papel de um divertido faraó do mal), e do ator cômico francês Alain Chabat (como Napoleão Bonaparte).

O eficiente roteiro, repleto de alternativas, não deixa que Uma Noite no Museu 2 caia no mesmo erro de seu original, ou seja, o de ser um filme de uma piada só. Apoiado por excelentes efeitos especiais e uma exuberante direção de arte, o filme é diversão garantida para toda a família, sem constrangimentos.

Em cartaz: dia 22, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cinema: Star Trek

J.J. Abrams tinha uma tarefa bastante complicada: renovar a saga Jornada nas Estrelas, que, depois de 11 filmes e algumas séries para a TV, achava-se esgotada, embora ainda merecedora de uma leva de fidelíssimos fãs. Respeitando todo o universo do seriado original - criado por Gene Roddenberry em 1966 - e incluindo elementos que dão uma narrativa mais moderna, Abrams cumpriu o desafio e renova com louvor a saga intergaláctica em Star Trek.

Em um futuro idealizado e indefinido, as viagens espaciais são comuns. George Kirk (Chris Hemsworth) é feito capitão de uma das naves da Frota Estelar da Federação e, nos 12 minutos nos quais assume o controle da nave, salva milhares de tripulantes das investidas do vilão Nero (Eric Bana). Mas é com sua vida que paga a ousada defesa. Por isso, seu filho James, que acaba de nascer, cresce sem um pai.

Mais tarde, acompanhamos James T. Kirk (vivido nesta fase por Jimmy Bennett), aos 8 anos, correndo a toda velocidade com um carro em uma estrada poeirenta em Ohio, EUA. No som, Sabotage, do Beastie Boys, já indicando, em uma cena de ação muito bem filmada, o que podemos esperar desse novo Star Trek: uma nova roupagem à clássica saga.

Paralelamente, Spock (Jacob Kogan) cresce marcado por ser filho de uma humana (Winona Ryder em rápida e quase irreconhecível aparição) e um volcano; ele tenta superar o preconceito por meio de sua inteligência incomparável. Desta forma, é traçada a base dos perfis dos dois personagens principais do filme, que, mais tarde, encontram-se trabalhando para a Federação na tentativa nobre de, mais uma vez, salvar o dia das malvadas investidas de Nero.

Agora interpretados por Chris Pine (de A Última Cartada) e Zachary Quinto (conhecido pelo vilão Sylar, da série Heroes, mas estreante em um longa-metragem) - Kirk e Spock, respectivamente -, os personagens começam como antagonistas, mas acabam tendo seus interesses cada vez alinhados ao longo do filme. Mostrando a juventude dos tripulantes da famigerada nave, o filme tem a chance de criar novas aventuras relacionadas aos personagens, desassociando-se da imagem que os dez longas anteriores desenhou para o capitão Kirk e sua tripulação.

Ao mesmo tempo, referências e a busca pelo tom narrativo que marcou a série estão presentes em Star Trek, embora ganhe por meio da direção de Abrams tons modernos das câmeras nas mãos, que acentual o tom de ação das cenas. Aliás, para os saudosos de Leonard Nimoy, o ator - que ficou marcado por interpretar Spock e não atuava num longa-metragem desde 1991, em Jornada Nas Estrelas VI - A Terra Desconhecida - está neste novo filme da série.

Com orçamento de US$ 150 milhões, Star Trek é o mais caro dos dez outros filmes produzidos com base na série original. Além da roupagem moderna, com direito a cenas de ação de tirar o fôlego e efeitos especiais de deixar qualquer Trekkie (como são conhecidos os fãs da série) emocionado, a produção ainda traz um roteiro permeado pelo humor inteligente. A personalidade impetuosa e aventureira de Kirk - antes de ser o capitão, no caso - dão o tom ao longa-metragem.

Mas não são somente os admiradores antigos que se sentirão satisfeitos com o longa de Abrams (ele mesmo admite que nunca foi fã da saga), mas também os novos. Afinal, é essa a ideia de Star Trek: respeitando o universo de Roddenberry, o filme marca o início de uma nova fase da série, com o objetivo também de conquistar alguns milhões de espectadores que nunca tiveram contato com as primeiras histórias da Enterprise. Objetivo definitivamente alcançado.

Em cartaz: a partir do dia 08, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: 12 anos

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Cinema: A Festa do Garfield

Produzido por EUA e Coreia do Sul para ser lançado diretamente em DVD, a distribuidora PlayArte resolveu ser mais otimista e aposta que o desenho animado A Festa do Garfield possa render números razoáveis nas salas de cinema do Brasil. Se render, será surpreendente, já que a trama que Jim Davis (o próprio criador do famoso gato) escreveu para o filme é das mais sonolentas.

Ironicamente, o roteiro fala que Garfield, na véspera de se apresentar em um show de talentos, percebe que está sem graça e perdeu o bom humor. E, desta forma, não conseguirá ser o grande vencedor do espetáculo, como vem acontecendo nos último anos.

Ele sai então, ao lado do cão Odie, em busca de uma certa fonte mágica cujas águas tornariam qualquer um num ser hilariante e divertido. Bastante colorida, a animação enche os olhos e talvez consiga distrair as crianças menores. Em muitos momentos e na construção de alguns personagens, lembra muito Jimmy Neutron. O enredo, porém, é totalmente sem imaginação, desgastado e, pior, não faz rir, pecado imperdoável num desenho animado infantil.

Fazer de Garfield um gato falante que vive em uma estranha cidade temática que tem - ao lado do cão Odie - um teatro próprio para comandar os seus shows subverte totalmente a gênese do famoso personagem de Jim Davis. Personagem, aliás, que tem no mau humor uma de suas principais fontes de riso. Exatamente o mesmo mau humor que ele quer eliminar para vencer o concurso.

Ou seja, nada no desenho "bate", nada nesta conta fecha. Principalmente depois da "liçãozinha didática de moral" no fim, absolutamente dispensável e totalmente fora do que seria esperado do genial sarcasmo original de Garfield. Seria melhor se os diretores e produtores do filme tivessem bebido da tal fonte mágica do bom humor.

Em cartaz: dia 01, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre


(celso sabadin*)

* o multimídia - e querido amigo - celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

Cinema: X-Men Origens - Wolverine

Wolverine sempre foi um dos personagens mais adorados da saga X-Men, seja nos quadrinhos - onde ela nasceu -, nos desenhos animados ou nos três longas-metragens já produzidos a partir das tramas dos personagens, a partir de 2001. Portanto, nada mais natural que ele fosse o foco de um longa e é isso que ocorre em X-Men Origens: Wolverine, a primeira de uma série de filmes que mostram as origens dos mutantes do grupo X-Men. A ideia do filme, portanto, é mostrar o que levou Logan a ser Wolverine da forma como se apresenta nos filmes anteriores. É o também conhecido como prequel, ou a sequencia com uma trama baseada em acontecimentos prévios.

Tudo começa no Canadá, em 1845, quando o personagem, ainda conhecido como James (Troye Sivan), passa por um trauma familiar, o primeiro dos muitos que darão molde à sua personalidade ambígua. Victor Creed (Michael-James Olsen) já era seu amigo desde a infância e, juntos, descobrem seus poderes mutantes e tentam sobreviver em meio à Primeira Guerra Mundial, onde lutaram juntos, e outros conflitos bélicos igualmente importantes para a construção de suas personalidades, que, em dado momento - como todos sabemos -, acabam chocando-se e criando uma das rivalidades mais conhecidas do mundo das HQs.

Desiludido com os rumos tomados por um grupo paramilitar de mutantes integrado por Creed, John Wraith (Will i Am, do grupo pop Black Eyed Peas), Frederick J. Dukes (Kevin Durand), Chris Bradley (Dominic Monaghan) e David North (Daniel Henney), Logan abandona suas atividades sob o comando do coronel William Stryker (Danny Huston). Assim, ele prefere viver isolado nas Montanhas Rochosas do Canadá, longe de usar seus poderes de regeneração e as garras no trabalho como lenhador, acompanhado de Kayla (Lynn Collins).

Mas Victor volta a interferir no caminho do herói, sempre pontuado pela relação de afeição e ódio entre os dois personagens, colocando Logan nos testes secretos que, com "míseros" US$ 500 milhões, o transformaram num ser quase indestrutível, agora com ossos de adamantium e definitivamente respondendo por Wolverine.Mais sombrio do que os outros longas da saga X-Men, X-Men Origens: Wolverine mostra de forma clara o nascimento de um herói cheio de traumas, complexo e fascinante exatamente por ser apoiado em tantas falhas.

Wolverine é bravo, o mais animalesco e selvagem dos X-Men, e, por isso, um dos mais fascinantes personagens da saga criada por Stan Lee e Jack Kirby nos anos 60.A escolha do sul-africano Gavin Hood como diretor, mais conhecido por longas que fogem do padrão "filmes de super-heróis" - como o drama Infância Roubada e o thriller O Suspeito -, leva o longa a explorar com mais cuidado os dramas humanos do personagem do que as cenas de ação, embora guarde alguns momentos emocionantes neste sentido, além de caprichados efeitos especiais e, infelizmente, uma trilha sonora irritantemente onipresente.

Mesmo assim, nota-se que a construção psicológica do personagem fica em primeiro plano no desenvolvimento do roteiro, de David Benioff (de O Caçador de Pipas) e Skip Woods (de Hitman - Assassino 47).

Em cartaz: a partir do dia 30, quinta, nos cinemas nacionais

Classificação: 12 anos

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cinema: Terra

O dia 22 de abril não é apenas marcado pelo Descobrimento do Brasil, mas também pelo Dia da Terra. A data foi criada em 1970 nos Estados Unidos, quando o então Senador americano Gaylord Nelson organizou eventos para discussão e desenvolvimento de projetos sobre o meio ambiente, conhecido como Earth Day. Desde então, outros países aderiram à data - inclusive o Brasil, que uniu-se oficialmente à causa em 1990 - e muitas manifestações em prol da proteção do planeta acontencem no mundo todo. O fato é que muitos avanços foram feitos, mas ainda é possível fazer mais, como economizar água e energia, recuperar solos, poluir menos...


Para comemorar a data, a Disney lança mundialmente seu primeiro documentário do selo DisneyNature. No Brasil, o belíssimo Terra (Earth), que celebra a extraordinária biodiversidade do planeta, tem pré-estreia nesta quarta, dia 22, em 30 salas de todo o país. A partir de sexta, dia 24, outras salas serão acrescentadas ao circuito do filme, que circula apenas em cópias dubladas.

Narrado por James Earl Jones, o documentário apresenta a incrível história de três famílias de animais e suas jornadas pelo planeta em busca da sobrevivência. O documentário Confira abaixo a crítica do filme, escrita por Neusa Barbosa e publicada originalmente no site Cineweb.

Coproduzido em parceria pela BBC, o Discovery Channel e o Disney Nature, o filme de Alastair Fothergill e Mark Linfield, é na verdade um prolongamento mais ambicioso da série Planeta Terra (2006), dirigida pelos mesmos cineastas e premiada com o Emmy. Filmada ao longo de três anos por 40 diferentes equipes de cinegrafistas, a produção reúne imagens de beleza e força suficientes para fornecer um retrato das diversas regiões do planeta.

Independentemente dos riscos do aquecimento global, visíveis especialmente na sequência que apresenta a vida dos ursos polares no Ártico, Terra tem boas notícias a dar. A melhor delas é sobre a extraordinária capacidade de resistência e adaptação dos animais. O foco principal do documentário está em acompanhar as migrações anuais de algumas espécies, ao longo de distâncias que superam milhares de quilômetros, em situações adversas como seca, degelo, tempestades e ataques de predadores.

No Ártico, segue-se o desafio de uma mãe ursa polar, saindo de sua toca no gelo acompanhada de dois filhotes, no final do inverno. Após meses de hibernação, ela deve encontrar alimento rapidamente. O mesmo desafio tem o macho de sua espécie, com o agravante de que se encontra isolado, bem longe, num ambiente mais inóspito. Na África, manadas de elefantes percorrem outros milhares de quilômetros em busca da água distante. Em pleno período de seca, enfraquecidos, eles precisam manter um extremo esforço de resistência, encorajando os pequenos e frágeis filhotes a segui-los.

Já no oceano, uma baleia jubarte, igualmente em jejum há meses por conta do inverno, deve atravessar mais de quatro mil quilômetros em mar aberto e hostil, amamentando e conduzindo seu único filhote no rumo de águas mais quentes e repletas do seu alimento preferido, o krill, um tipo de camarão.

Mesmo que sejam estes os protagonistas das sequências principais, as câmeras são generosas em mostrar diversos filhotes de patos, macacos, pinguins e leões marinhos. Outro segmento curioso apresenta algumas das exóticas e multicoloridas espécies de aves-do-paraíso da Nova Guiné que, naquele país, são nada menos de 42.

Visando difundir informações, o filme é pródigo em números e dados, alguns surpreendentes. É o caso da informação de que a floresta boreal tem mais árvores do que todas as florestas tropicais juntas, representando 1/3 da cobertura vegetal do planeta. As florestas tropicais, por sua vez, ocupam 3% da Terra e reúnem 50% de todas as espécies. Ainda que seja indiscutivelmente voltado a plateias de todas as idades, Terra nunca procura antropomorfizar os animais, como fez o documentário francês A Marcha dos Pinguins, de Luc Jacquet, vencedor do Oscar da categoria em 2006.

Fiel a um enfoque mais realista, o filme não se esquiva de mostrar algumas cenas em que a necessidade de sobrevivência de uma espécie a obriga a caçar uma outra. Em uma sequência, um guepardo dispara em alta velocidade, alcançando uma gazela. A mais impressionante flagra dezenas de leões no ataque a um elefante desgarrado, uma das mais perigosas da filmagem, realizada no escuro, com iluminação infravermelha, para não perturbar os animais.

Curiosidades

Terra levou 5 anos para ser produzido, com mil horas de filmagens. A equipe de 40 pessoas passou por 200 locações e 26 países são apresentados na versão final

• Produzido pela BBC Worldwide e Greenlight Media, o Disneynature, o primeiro novo selo de cinema da Walt Disney Company em 60 anos, foi lançado em abril de 2008 com o objetivo de levar aos cinemas filmes de grande impacto sobre a vida selvagem e o meio ambiente.

• Walt Disney foi pioneiro na realização de documentários sobre a vida selvagem, produzindo 13 aventuras da vida real entre 1949-1960, entre as quais: Seal Island (1949), Beaver Valley (1950), The Living Desert (1953) e Jungle Cat (1958).

• A BBC foi a primeira a obter permissão de acesso do governo norueguês à região das tocas dos ursos polares, em Kong Karls Land, Noruega. Fazia 25 anos que ninguém havia estado lá.

• Os baixos níveis de luz nos quais os pássaros se exibem nas florestas tropicais de Papua-Nova Guiné limitaram os cineastas no passado – a capacidade de baixa iluminação da nova tecnologia de alta definição permitiu que a equipe de Terra (Earth) os filmassem com grande detalhamento.

Em cartaz: a partir do dia 22, quarta, nos cinemas nacionais

(shirley paradizo)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Cinema: A montanha enfeitiçada

Longe de ser uma refilmagem, o novo A Montanha Enfeitiçada é, na verdade, uma recriação do clássico dos estúdios Disney de 1975. Com histórias muito distintas e paralelos em apenas alguns detalhes, os roteiristas Matt Lopez (de Um Faz de Conta que Acontece) e Mark Bomback (de A Lista – Você Está Livre Hoje?) reinventaram a trama, tornando-a mais chamativa para nossos dias.

Voltado a todos os públicos, o filme chega ao cinema mesclando ação, aventura, ficção científica, comédia e uma boa dose de mensagens edificantes sobre os seres humanos e o cuidado do planeta. Em momentos de conscientização, nada mais natural para um filme-família. A história começa com a queda de uma espaçonave não identificada em Nevada (EUA), levando uma violenta equipe da NASA ao local, capitaneada pelo obstinado Henry Burke (Ciarán Hinds, o imperador Júlio César da série Roma). Do OVNI escapam dois alienígenas com cara de adolescentes, chamados Sara (Anna Sophia Robb, de Jumper) e Seth (Alexander Ludwig, de Os Seis Signos da Luz), que fogem para Las Vegas.

Quando chegam à cidade, encontram Jack Bruno (Dwayne Johnson, antes conhecido como The Rock, de Escorpião-Rei), um criminoso regenerado, que trabalha como taxista. Sem saber que está levando dois alienígenas, Jack acaba se afeiçoando aos supostos garotos e ajudando-os a cumprir sua missão: recuperar um artefato que poderá prevenir a destruição de seu planeta natal e, com isso, do próprio planeta Terra.

Enquanto tentam escapar de Burke, o trio ainda terá que enfrentar o pistoleiro intergaláctico Siphon, enviado à Terra para eliminar os dois jovens aliens. Sobra para Jack mostrar toda a sua perícia com armas de fogo e direção em alta velocidade para escapar de seus perseguidores.

Com um competente elenco e boas cenas de ação, A Montanha Enfeitiçada consegue entreter ao mesmo tempo que educa. O diretor Andy Fickman, que tem feito filmes infanto-juvenis há algum tempo, como Treinando o Papai (2007), acerta em suas escolhas, equilibrando bem os diferentes gêneros que reúne em sua produção.

Em cartaz: dia 17, sexta, nos cinemas

Classificação: 12 anos

* texto de rodrigo zavala, do site cineweb

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cinema: Dragonball Evolution

Enquanto os fãs de Watchmen debatiam sobre os méritos e falhas da adaptação de Zack Snyder para a graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, um grupo diferente e mais numeroso de leitores de quadrinhos estava olhando para outro filme com desconfiança: a versão cinematográfica do mangá Dragonball. Desta vez, não há nem a polêmica do longa ser uma adaptação “não-oficial”, como aconteceu com todas as versões das obras de Alan Moore: Akira Toriyama, criador do mangá, assina a produção executiva do longa que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, dia 09.

Só que os fãs do mangá e do animê (versão em animação) correm um grande risco de se decepcionar na hora de ver a história do herói Goku na tela. É claro que esperar um filme de duas horas que compreendesse todo o universo da saga é impossível: o mangá tem 519 capítulos (que variam em quantidade de volumes dependendo da edição), e o animê chega a 444 episódios, juntando a primeira fase com a fase Z. Ainda assim, o diretor James Wong foi longe na hora de transpor a história de Goku para as telas. Longe de ser o garoto com rabo de macaco inspirado no personagem Sun Wokong da lenda chinesa da Jornada ao Oeste, o Goku (Justin Chatwin) norte-americano é um garoto prestes a fazer 18 anos, que vive com o avô Gohan, sofre na mão dos colegas mauricinhos na escola e se apaixona pela colega Chi-Chi (Jamie Chung).

Power Rangers
O artifício de aproximar histórias fantásticas de inspiração oriental não é novo – a franquia Power Rangers já fazia isso, adaptando os “tokusatsu” (seriados em live action cheios de efeitos especiais em que guerreiros de roupa colante lutam contra monstros) para o ambiente colegial dos EUA. Apesar de Goku já estar mais velho, os acontecimentos do filme são mais próximos da primeira fase do mangá, quando ele se une à Bulma (Emmy Rossum) para tentar juntar as sete esferas do dragão e conseguir realizar um desejo. Mas eles vão ter de enfrentar o alienígena recém-desperto Piccolo (James Masters), que matou Gohan e também quer reunir os artefatos para poder reinar em toda a Terra. Para isso, vão contar com a ajuda de Mestre Kame (Chow Yun-Fat), que vai treinar Goku para participar de um torneio onde esperam encontrar as esferas e deter o fim do mundo.


Alguns dos elementos que fizeram a fama da obra de Toriyama, como o humor quase pastelão e os lutas dramáticas, são transpostas literalmente para o filme – mas o problema é que elas não funcionam tão bem com atores de carne e osso. Sem ser tão ferino quanto o original (o Mestre Kame das telas é bem menos tarado que sua contraparte desenhada, por exemplo), o humor perde boa parte da graça. Mesmo usando conceitos derivados diretamente do mangá, como o famoso golpe Kamehameha, as lutas perdem o tom épico original e caem no dramalhão.

O Dragonball de Wong acaba caindo na fórmula de filme sem graça cujo destino são as reprises dubladas na TV – claro, depois de faturar em cima de um dos quadrinhos mais vendidos do mundo. É chato constatar que o diretor, junto com o roteirista Ben Ramsey, desperdiçou a oportunidade de criar um Homem-Aranha oriental. Na dúvida, melhor ficar com o desenho, mais divertido e nada bobo.

Em cartaz: dia 09, quinta, nos cinemas nacionais

Classifcação: 12 anos

* texto de amauri stamboroski jr., publicado originalmente no portal g1

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cinema: Monstros vs. Alienígenas

Em Marte Ataca! (1996), Tim Burton fez uma sátira colorida e cheia de estilo dos filmes que imaginavam um contato dos terráqueos com seres extraterrestres, brincando também com as teorias de conspiração que envolvem o governo norte-americano. Cheio de referências a obras como Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), ET - O Extraterrestre (claro), Godzilla, O Monstro da Lagoa Negra (1954), o próprio filme de Burton e até Um Tira da Pesada, a Dreamworks aposta suas fichas em uma sátira similar: Monstros Vs. Alienígenas.

Dirigido por Rob Letterman (de O Espanta Tubarões) e Conrad Vernon (de Shrek 2), o filme se passa em uma época pouco definida, mas bem que poderia ser nos anos 50 pelas casinhas planejadas e todo esse cenário tão relacionado ao American Way of Life, conceito surgido nessa época. Susan (voz de Reese Witherspoon, na versão original) é uma moça que está prestes a casar com o Homem do Tempo da TV local. Mas um meteoro que cai sobre ela no dia do casamento faz com que ela vire uma mulher gigante.

Trancada pelo governo norte-americano ao lado do doutor Barata (Hugh Laurie, da série televisiva House), a divertida geléia sem cérebro Bob (Seth Rogen), o simpático Insetossauro e o Elo Perdido, forma com eles, sem querer, o grupo que defende a terra de uma invasão comandada pelo maléfico extraterrestre Gallaxhar (Rainn Wilson).

O roteiro brinca com os clichês desenvolvidos principalmente nos filmes B sobre monstros e extraterrestres. De uma forma divertida, Monstros Vs. Alienígenas satiriza principalmente com o cinema norte-americano e o próprio American Way of Life. O hilário presidente americano, que toca no teclado o tema de Um Tira da Pesada para se comunicar com os invasores de outro planeta, é como uma versão exageradamente pateta do líder que acaba se despedir da Casa Branca.

Com personagens divertidos, bem-delineados psicologicamente, além de uma animação de qualidade incontestável, o animado é mais uma prova da necessidade de investimento em animações que consigam conquistar também o público adulto - especialmente pelas referências cinematográficas que traz -, não somente o infantil, quebrando paradigmas referentes ao cinema de animação que já vêm sendo derrubados a alguns anos no cinema mainstream.

A tecnologia atual ainda permite que os estúdios possam desenvolver filmes que tenham a possibilidade de serem exibidos em 3D, como é o caso de Monstros Vs. Alienígenas, que pode ser assistido desta forma nas salas equipadas com esta tecnologia, que vem crescendo cada vez mais também no mercado brasileiro. E, neste caso, é possível dizer que a tecnologia faz diferença, enriquecendo (mas não é indispensável) a experiência de assistir ao longa-metragem.

Assim, o filme concilia essa tendência de se abrir cada vez o nicho de mercado das produções do gênero - proporcionando a famigerada "diversão para todas as idades" -, mas também supre a necessidade do mercado do entretenimento de absorver de forma voraz as novas tecnologias, que, no caso do cinema atual, está também na exibição em 3D.

Em cartaz: a partir do dia 03, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

Cinema: Valsa com Bashir

Vencedora do Globo de Ouro e do César francês como melhor filme estrangeiro, e também indicada ao Oscar de filme estrangeiro em 2009, a animação israelense Valsa com Bashir pode ser definida como uma cinebiografia documental em desenho animado. Aliás, de conteúdo bem adulto e dramático, o que deve ter contribuído para que sua censura no país tenha sido definida em 18 anos.

O diretor Ari Folman, que participou como soldado da segunda guerra do Líbano, em 1982, examina suas próprias culpas para abordar os problemas da reconstituição da memória dos episódios dramáticos que culminaram no massacre dos campos de Sabra e Chatila, em que teriam morrido 3 mil refugiados palestinos. Embora o massacre, tecnicamente, tenha sido atribuído a falangistas cristãos e libaneses, havia tropas israelenses ocupando aquele país - e sua responsabilidade ou omissão no caso continuam a ser objeto de controvérsia.

O filme, entretanto, não pretende resolvê-la, como explicou Folman na coletiva de imprensa em Cannes, onde o filme concorreu à Palma de Ouro, em maio de 2008: "Eu queria um filme direto, abordando um massacre. Soldados são sempre, como se sabe, peões a serviço de lideranças." E a liderança, então, era o primeiro-ministro Ariel Sharon, posteriormente condenado por uma comissão governamental por permitir os massacres de civis no Líbano.

O tom procurado por Folman é, claramente, o de uma catarse à qual não falta autocrítica. Ele parte da própria falta de recordações de seu tempo de serviço militar no Líbano, entrevistando antigos companheiros de tropa - que, ao contrário dele, têm sua mente povoada por lembranças e pesadelos. O assustador sonho recorrente de um deles, Boaz, é uma corrida noturna de 26 cães raivosos, dentes à mostra, percorrendo as ruas de Tel Aviv. No sonho, Boaz sabe que eles vieram para matar.

Recolhendo peças desse quebra-cabeças perdido nas mentes dos amigos, Folman reconstitui em parte a história de uma vingança. Na época, o presidente libanês e cristão, Bashir Gemayel, fora assassinado. O ataque aos campos de refugiados palestinos teria sido o troco por esta morte. À custa de ouvir muitos relatos, algumas imagens emergem também da memória de Folman - ele sonha consigo mesmo e outros saindo nus da água, de armas na mão, para entrar num campo iluminado por foguetes sinalizadores. Imagem tétrica, pois justamente uma das suspeitas contra as tropas israelenses foi terem disparado estes foguetes, facilitando a visão dos falangistas para as execuções.

Recorrendo à técnica da rotoscopia, a mesma vista em animações como Waking Life, de Richard Winklater, a partir das filmagens das entrevistas para o filme, Folman cria uma crônica da guerra ao mesmo tempo subjetiva e impressionante. Mas nada mais chocante do que as cenas finais, que mostram imagens reais de Sabra e Chatila.

Em cartaz: a partir do dia 03, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: 18 anos

(neusa barbosa*)

* a querida amiga neusa barbosa - que há tempos não encontro - é especialista em críticas de cinema, jornalista e pesquisadora e atualmente edita o site cineweb, especializado em cinema

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ainda não viu?

Desde a última sexta-feira, dia 13, a Rede Cinemark e a Fox Film do Brasil estão fazendo uma promoção, por tempo limitado, que dá direito à meia-entrada para todos aqueles que gostariam de conferir o longa animado O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes. A promoção vale para todos os cinemas da Rede onde o filme estiver sendo exibido, com o objetivo de dar a chance para que mais crianças assistam a esta empolgante animação em computação gráfica 100% nacional.

Considerado o maior projeto em computação gráfica no Brasil na área cinematográfica (tecnologia que já consagrou produções como A Era do Gelo), o desenho gira em torno do personagem Grilo Feliz, que sonha em gravar um CD, o mesmo desejo de um divertido grupo de rap formado por sapos. Porém, antes de realizarem seus desejos, eles tem de enfrentar a vilã Trambika, que pirateia suas músicas e acaba por unir sapos e insetos em uma inesperada aventura.

Em cartaz desde janeiro deste ano (leia a crítica aqui), a segunda aventura do grilo e seus amigos nos cinemas conta com a direção de Walbercy Ribas e Rafael Ribas, sendo o segundo animado produzido pela produtora Start Desenhos Animados.

(shirley paradizo)

Cinema: The Spirit - O Filme

Will Eisner é considerado o pai das graphic novels, como são conhecidas as obras que reúnem em um único volume uma história em quadrinhos. Sua importância no gênero é tão grande que o principal prêmio da categoria nos EUA leva seu nome. Criado em 1940 por Eisner, o detetive Spirit - cujas aventuras eram publicadas nos EUA semanalmente - ainda é um de seus mais adorados personagens, conquistando os espectadores não somente pelas histórias, o desenho e as narrativas quase que cinematográficas que as histórias ganhavam, mas também pela composição humana dos personagens e o humor injetado nas tramas.

A adaptação cinematográfica, no entanto, se distancia completamente da obra original não somente pelo estilo que o quadrinista e cineasta Frank Miller - em seu primeiro desafio ocupando sozinho a cadeira de diretor - imprime em The Spirit - O Filme, mas principalmente pela falta de aproximação com o público que os quadrinhos de Eisner conseguiam ter.

O Spirit que dá nome ao filme, interpretado pelo pouco conhecido Gabriel Macht (de Minha Mãe Quer Que Eu Case), é um justiceiro mascarado que age nas ruas da cidade fictícia de Central City livrando os cidadãos dos bandidos que agem nas sombras. O principal deles é Octopus (Samuel L. Jackson), uma espécie de cientista maluco que tem como capatazes clones patéticos e a fatal Silken Floss (Scarlett Johansson). Além de corajoso e quase indestrutível, assim como seu principal oponente, Spirit tem uma tremenda lábia com as mulheres. Em suas aventuras, reencontra um antigo amor do passado, a fatal Sand Saref (Eva Mendes).

The Spirit - O Filme é redundante por conta da incapacidade do roteiro de se resolver cinematograficamente. Prolixo no texto, a trama é incapaz de envolver o espectador, já que tudo soa falso demais. Os personagens são rasos e caricaturais, dotados de um humor completamente sem graça. Filmado completamente em fundo verde, o longa traz uma fotografia cinzenta, densa, pontuada por desenhos feitos sobre a tela, bem parecido com o que Miller fez em seu longa de 2005 e em suas obras em quadrinhos. Aliás, a aproximação dos temas de Sin City e The Spirit fez com que Miller aproximasse também o estilo visual das duas obras nesta adaptação cinematográfica, o que não caiu muito bem, muito pelo contrário.

Embora The Spirit - O Filme junte dois grandes nomes dos quadrinhos norte-americanos, sobrou pretensão a Frank Miller, que se mostra totalmente despreparado para assumir o controle total de uma obra cinematográfica. Ao tentar imprimir seu estilo gráfico numa obra baseada em outro autor, Miller não produz mais do que uma aventura fraca e gelada, que dialoga muito mais com seu Sin City - A Cidade do Pecado do que com a obra de Eisner.

Em cartaz: dia 20, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: 14 anos

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Cinema: Watchmen - O Filme

Quando Watchmen foi publicado nos EUA, entre 1986 e 1987, a tiragem era limitada. Nem a DC Comics apostou que esta história em quadrinhos de adultos que se fantasiam para combater o crime poderia conquistar os leitores. O fato é que a complexidade da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, vista claramente na trama e nos personagens que conduzem os 12 capítulos da série, conquistou os leitores. Novas tiragens foram lançadas e elas seguem conquistando novos admiradores ao longo dos anos.

Um deles é Zack Snyder, que, depois de dar vida a outra graphic novel (300, seu longa anterior, é baseado em Os 300 de Esparta, de Frank Miller), encara novamente o desafio de dar movimento a uma HQ. Em Watchmen - O Filme - projeto que Hollywood ronda desde os anos 90 -, o diretor abraça a possibilidade de tornar cinematograficamente possível toda a complexidade da graphic novel, apresentando um filme de super-heróis para adultos.

A ação se passa em outubro de 1985, nos EUA, numa época marcada pela Guerra Fria e o iminente conflito nuclear entre o país e a União Soviética. O violento assassinato de Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan) faz com que histórias esquecidas no passado venham à tona. Conhecido como Comediante, Blake fez parte de dois grupos de combatentes do crime que atuavam fantasiados pelas ruas dos EUA.


Os Minutemen foram formados em 1940; a segunda geração, os Watchmen, atuaram até 1977, quando foi criada a lei Keene, que tornava ilegal a atividade de justiceiros mascarados. O assassinato do Comediante faz com que os personagens voltem a se reunir a fim de descobrir que tipo de conspiração é essa que levou ao crime.

Os grupos não são formados por super-heróis, mas sim pessoas que, talvez com desvios de personalidade, resolvem vestir fantasias para combater o crime; o único possuidor de poderes é o dr. Manhattan (Billy Crudup), um sujeito azul, luminoso que não usa roupas. Antes de ser transformado, ele atendia pelo nome de Jon Osterman.

Trancado acidentalmente em uma câmara de testes durante um experimento de física nuclear, o físico é desintegrado, mas, ao invés de morrer, reaparece alguns dias depois como o dr. Manhattan, ostentando uma força super-humana, o poder da telecinese, de ser teletransportado para distâncias até mesmo intergaláticas, a manipulação da matéria em nível subatômico e a capacidade de ver o seu futuro.

Quem conduz a investigação acerca do assassinato do Comediante é Rorschach (Jackie Earle Haley), um cara duro que vive no submundo de Nova York e não deixou de usar sua máscara feita de um tecido cujas manchas são capazes de se mover independentemente - um tecido de látex feito com alta tecnologia, conforme a HQ explica.

Como um detetive dos filmes noir, tanto no figurino quanto na narração em off que conduz à medida que escreve seu diário, Rorschach é um cara duro e violento, resultado de uma série de acontecimentos nada agradáveis em sua história. Logo ele ganha a ajuda do Coruja (Patrick Wilson) e de Laurie (Malin Akerman) - filha de uma musa dos Minutemen, a envelhecida e nostálgica Sally Jupiter (Carla Gugino) - para prosseguir com as investigações, enquanto o temor de uma guerra nuclear cresce a cada dia.

Watchmen - O Filme traz personagens complexos, protagonistas de tramas que se cruzam a todo momento, ao mesmo tempo em que o passado é explicado por meio de flash-backs. Esta narrativa toda picotada é característica que vem essencialmente da série em HQ original. Ao mesmo tempo em que mantém viva essa forte ligação entre a obra de Moore e Gibbons e o filme de Snyder, faz com que o longa apresente-se complexo demais para as grandes platéias, aquelas que procuram leveza numa sala de cinema.

O que também acabou ocorrendo com a série original, aliás, lançada no mercado editorial revolucionando o conceito de quadrinhos sobre heróis. Embora revolucionária, nunca conquistou um público como as histórias de Homem-Aranha, Batman, Super-Homem e afins. Os heróis de Watchmen sempre foram repletos de defeitos, problemas de personalidade, traumas, tropeços, tornando-se melhor definidos como anti-heróis. Mas que conheciam a podridão da sociedade como poucos e, por isso, talvez tivessem uma idéia de como salvá-la. Afinal, é em busca da salvação mundial que os heróis sempre estão, mesmo sendo dos mais degenerados como os de Watchmen.

O que impressiona é o cuidado que o longa tem com elementos estéticos da HQ, bem como algumas referências que continuam na obra cinematográfica, o tom de ironia dos personagens e da própria trama em si. Não à toa, Snyder confessou ter desenvolvido a direção do longa tendo a própria graphic novel fazendo as vezes de storyboard, o que fica bem claro quando o filme apresenta ângulos e movimentos de câmera que reproduzem a fluidez da obra original.

Já a fotografia e a direção de arte ganham elementos sombrios nesta adaptação, diferentemente das muitas cores presentes na obra original. O tom aqui é noir, também pelo medo e a paranóia de uma guerra nuclear - presente não somente nos anos 80, mas no anos seguintes também -, que pairam a todo momento.

A caracterização dos personagens em Watchmen - O Filme foi feita de forma bastante cuidadosa, essencial para que os muitos fãs da obra original possam se sentir satisfeitos. Até a máscara de Rorschach, que está em constante mutação, ganha vida única na tela. Não somente esteticamente, mas psicologicamente, a densidade dos personagens é preservada no filme de uma forma como somente um fã poderia fazer. Snyder também deixa sua assinatura ao incluir alguns litros de sangue na trama.

Os diálogos e narrações também foram mantidos de forma fiel, o que acaba atrapalhando na fluidez narrativa. Afinal, estamos falando de cinema. Se na HQ cabiam tantas explicações textuais, no cinema o desafio é encontrar forma de transformá-las em imagem. Claro, estava aí um elemento complicado para esta adaptação: levar o próprio texto da obra original para o cinema e, embora a tarefa tenha sido concluída, ainda faltam arestas a serem aparadas. São essas arestas as que podem manter um público mais amplo longe dos cinemas. O excesso de diálogos e narração, bem como a extensa duração da produção - duas horas e 40 minutos -, são cansativos.

Fãs mais puristas podem torcer o nariz para a mudança no final, mas ela não é tão radical a ponto de fazer com que toda a história perca a razão de ser. Veículos diferentes pedem leituras diferentes, isso não é segredo para ninguém. A questão é: será que o filme conseguirá despertar o interesse e mantê-lo junto aos que não conhecem a obra original?

O desafio que enfrenta neste segundo momento Watchmen - O Filme, depois de pronta a adaptação, é despertar o interesse do público adulto em personagens sem super-poderes que se fantasiam para combater bandidos. Desta forma, o longa não deixa de ser corajoso, algo que somente um fã como Snyder poderia ter realizado.

Exibição: dia 6, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: a partir dos 16 anos

(angélica bito)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cinema: Um Hotel Bom pra Cachorro

As férias podem ter acabado, mas quem disse que fora deste período tão mágico a criançada não pode ir ao cinema? Apostando nisso, Um Hotel Bom pra Cachorro chega aos cinemas de olho nos espectadores mais novos, incapazes de manter-se frios frente ao desfile de cachorros simpáticos, emocionantes dilemas e aventuras nas quais os protagonistas do longa têm de enfrentar para salvar cães abandonados e o próprio núcleo familiar que tentam manter.

Estreia do premiado curta-metragista Thor Freudenthal na direção de um longa, Um Hotel Bom pra Cachorro acompanha os irmãos Andi (Emma Roberts, sobrinha de Julia Roberts) e Bruce (Jake T. Austin), de 16 e 11 anos, respectivamente. Órfãos depois da morte dos pais, não conseguem achar tutores capazes de criá-los, apesar dos esforços do assistente social Bernie (Don Cheadle). Há dois meses morando na casa dos roqueiros Carl (Kevin Dillon) e Lois (Lisa Kudrow), os irmãos ainda estão bastante infelizes, não somente porque seus novos tutores ficam ensaiando suas músicas ruins e não são muito legais com a dupla, mas principalmente porque têm de cuidar escondidos do simpático cão Sexta-Feira, com quem viviam quando os pais eram vivos.

Quando o esperto cãozinho dos irmãos encontra um hotel abandonado onde vivem outros dois cachorros abandonados, começa uma verdadeira aventura dos irmãos, que recebem a ajuda de Dave (Johnny Simmons), Heather (Kyla Pratt), funcionários de um pet shop, e o vizinho Mark (Troy Gentile) para salvarem os cães abandonados da cidade dos implacáveis agentes do canil municipal. Juntas, as crianças, criam criativos apetrechos para darem conta do cuidado de dezenas de cachorros.

Um Hotel Bom pra Cachorro tem personagens desenvolvidos de forma simples. Os vilões são bem definidos, bem como os personagens bonzinhos, o que chega a irritar, em alguns momentos, por conta dessa visão simplista que a produção apresenta. É preciso ser assim para que o público infantil compreenda? De forma alguma e é esse o maior erro da aventura. Ela tem cara de filme infantil dos anos 90 e pode ser que, por isso, não encontre tão facilmente o público ao qual é destinado, mas ainda é capaz de dialogar com os mais jovens.

Os animais são muito bem adestrados e (ainda bem!) nenhum deles fala. Os protagonistas têm carisma suficiente para conquistar a simpatia do espectador. A causa que defendem, então, nem se fale, embora saibamos que nos canis municipais de verdade os cães disponíveis para adoção não são de raça como os do filme. Mas é mero detalhe estético.

De qualquer forma, a ideia que Hotel Bom pra Cachorro defende, relacionada aos benefícios de se adotar um cão – bem como o paralelo que faz com a dificuldade de se obter uma família, sendo cachorro ou criança, como o caso dos protagonistas -, cai bem, especialmente se a idéia é educar os pequenos espectadores. Embora tenha um final surreal, quase fantasioso, o longa é divertido e simpático o suficiente para conquistar os pequenos espectadores. No entanto, não espere muito mais do que isso.

Exibição: dia 20, sexta, nos cinemas de todo o Brasil

Classificação: livre

(angélica bito)

* A amiga jornalista Angélica Bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site CineClick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Cinema: Coraline e o Mundo Secreto

Em 1993, o diretor Henry Selick revolucionou o cinema de animação ao produzir, após dois anos de trabalho árduo, o primeiro longa-metragem em stop motion (ou seja, animação feita quadro a quadro, com bonecos), O Estranho Mundo de Jack. Agora, ele usa a mesma técnica artesanal para dar vida ao universo mágico criado por Neil Gaiman no livro Coraline e o Mundo Secreto.

Logo nas primeiras cenas, a animação enche os olhos do espectador. São cenários criados cuidadosamente para dar vida a esta história fantasiosa. A Coraline do título é uma menina que acaba de mudar com os pais para uma enorme mansão rosa com mais de cem anos, alugada para outros dois inquilinos. Filha única, ela não consegue a atenção dos pais, ocupados demais com seu trabalho, encontrando na casa, nos ambientes que cercam sua nova moradia e nos excêntricos vizinhos uma forma de passar o tempo.

É onde ela encontra o verdadeiro significado da excentricidade: as velhas irmãs Spink e Forcible costumavam ser estrelas de musicais como os de teatro de revista, mas acabaram morando juntas, acompanhadas de três cachorrinhos, no andar de baixo; acima, o senhor Bobinsky treina seus camundongos saltitantes para um espetáculo; nos arredores, Wybie Lovat, que tem a mesma idade da menina, torna-se um possível aliado para suas aventuras. Ele e um gato preto.

Mas é na própria nova moradia que Coraline encontra a maior das descobertas: uma portinha, escondida sob o papel de parede. Isolada por tijolos, não leva a lugar nenhum, mas, quando seu vizinho a presenteia com uma boneca que parece ser sua versão em pano e linhas, Colarine descobre que a portinhola é capaz de levá-la a uma realidade paralela, o tal do mundo secreto do título, onde encontra uma casa idêntica à sua, mas com cores mais alegres. Como uma realidade alternativa à sua, só que bem mais atraente, sem as chateações que a afligem. Quem vive lá são versões de seus pais, mais bonitos, corados e divertidos, mas com um pequeno e assustador detalhe: eles têm botões em vez de olhos.

Com roteiro também assinado por Selick, Coraline e o Mundo Secreto trava diálogos bastante pontuais com as histórias da personagem Alice, criada por Lewis Carroll, que protagonizou os livros Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho. São várias as referências: o camundongo que a leva a um túnel que serve de passagem para um mundo mágico e repleto de perigos, disfarçados de elementos sedutores; o gato falante e sabido; a assustadora rainha poderosa e malvada; uma outra realidade presente atrás de um espelho.

São mais referências com cara de homenagem, já que as aventuras da personagem de Carroll tornaram-se representativa em se tratando de histórias infantis. E, assim como Alice, Coraline passa por situações e desafios em sua jornada que a fazem valorizar sua própria realidade. Selick mantém seu estilo visual bastante característico nesta nova animação, bem como a excelência técnica. Existe todo um trabalho cuidadoso e meticuloso no sentido estético, principalmente na criação dos personagens e dos cenários.

Ao mesmo tempo, a animação, principalmente por conta da técnica, tem um ar artesanal, sem jamais perder a qualidade. Assim, a fábula é capaz de encantar não somente os mais novos - não tão jovens por conta dos toques de suspense que o filme adquire em alguns momentos -, mas também os adultos.

Exibição: dia 13, sexta, em todos o Brasil

Classificação: livre

(angélica bito)

* A amiga jornalista Angélica Bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site CineClick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Herói morcego retorna ao cinema

A Warner Bros. Pictures traz para o Brasil a inédita versão IMAX de Batman – O Cavaleiro das Trevas, com exibição a partir do dia 6, sexta, na recém-inaugurada sala Unibanco IMAX do Shopping Bourbon Pompéia. Na semana seguinte, dia 13, o longa-metragem será relançado em circuito nacional.

Um dos filmes mais celebrados e bem-sucedidos da história do cinema, Batman – O Cavaleiro das Trevas inovou com revolucionário uso de câmeras IMAX do diretor Christopher Nolan. Algumas das cenas de ação mais desafiantes já criadas foram gravadas neste formato – algo inédito em um longa-metragem.

A produção protagonizada pelo Homem-Morcego foi a maior bilheteria no Brasil em 2008, ultrapassando a marca de 4 milhões de espectadores. E, em 2009, voltou a estampar as manchetes do país e do mundo. No Globo de Ouro, Heath Ledger (que morreu antes mesmo da finalização do longa) venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante. A estatueta foi entregue a Christopher Nolan, que confirmou que o ator australiano jamais será esquecido.

Além do sucesso de bilheteria, Batman – O Cavaleiro das Trevas foi aclamado pelos seus méritos artísticos e técnicos, incluindo o fabuloso trabalho do elenco e do diretor, o indicado ao Oscar Christopher Nolan (de Amnésia). Liderado por Christian Bale - que voltou ao papel principal após Batman Begins - e Heath Ledger - indicado ao Oscar por O Mistério de Brokeback Mountain -, o elenco reúne grandes nomes como Michael Caine (outro vencedor da estatueta por Regras da Vida), Gary Oldman (da franquia Harry Potter), Aaron Eckhart (de Obrigado por Fumar), Maggie Gyllenhaal (de Mais Estranho que a Ficção) e Morgan Freeman (que também ganhou um Oscar por seu trabalho em Menina de Ouro).

Exibição: dia 6, sexta, em versão Imax; dia 13, sexta, circuito nacional

Classificação: 12 anos

* fonte: cinepop

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cinema: Barry e a Banda das Minhocas

O cinema dinamarquês raramente chega ao circuito comercial brasileiro. Quem dirá uma produção em animação feita no país. Desta forma, Barry e a Banda das Michocas é caso raro neste sentido. Mas este elemento do longa-metragem de Thomas Borch Nielsen é um dos poucos a ser apontado de forma positiva, neste caso.

O diretor, que já assinou um thriller (Skyggen, de 1998) e um filme infantil (Ørkenens Juvel, de 2001), conduz pela primeira vez uma animação, o primeiro de seus trabalhos como diretor que chega ao circuito comercial brasileiro. Co-produção entre Dinamarca e Alemanha, o roteiro parte do princípio que minhocas são seres desprezados pela classe dos insetos. Inconformado em ser sempre o motivo de chacota, Barry deseja escapar da sina de trabalhar na empresa de fertilizantes onde todas as minhocas fazem carreira, inclusive seu pai, que, aparentemente, afunda no tédio de fazer algo que não gosta. Mas, pressionado pela mãe que o domina, Barry acaba iniciando uma carreira onde deveria.

Ao descobrir uma caixa com os pertences antigos de seu pai, ouve o LP Os Maiores Sucesso da Disco 77, referindo-se à década mais produtiva da disco music. Apaixonado pelo ritmo, ele monta a banda que dá nome ao filme - em inglês, Sunshine Barry and The Disco Worms, brincadeira que referencia KC & The Sunshine Band, um dos principais grupos da disco music -, com a qual participa de um concurso de novos talentos da TV.

Por mais que Barry e a Banda das Michocas traga o ritmo sempre contagiante da disco, o longa não traz absolutamente nada de novo. A técnica de animação é precária e o roteiro tem verdadeiros buracos negros. Como, por exemplo, as minhocas que formam a banda podem tocar sem não terem tido contato anterior com instrumentos musicais? Apenas alguns ensaios bastam quando o ritmo da disco music te conduz? Os personagens até que são simpáticos, mas não são suficientes para dar consistência à animação.

A falta de profundidade na narrativa, ou mesmo a ausência de primor técnico podem não ser problema quando se trata dos espectadores mirins, mas seus acompanhantes adultos podem esperar uma experiência menos agradável, talvez aliviada pelo relativo carisma dos personagens e a animação da trilha sonora. Mas, se for para prestigiar o cinema dinamarquês, fique com os consagrados cineastas que fundaram o movimento Dogma 95. Definitivamente.


Exibição: a partir do dia 30, sexta, em todo os cinemas nacionais

Classificação: livre

(angélica bito)

* A amiga jornalista Angélica Bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site CineClick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cinema: Um Faz de Conta que Acontece

Todo mundo fica de cama um dia. Todo mundo tem uma tarde de preguiça ou um momento de folga. Então, inevitável: é necessário que os produtores cinematográficos de hoje continuem a fazer os filmes que serão exibidos na Sessão da Tarde de amanhã. Talvez pensando nas tardes convalescentes de todos nós, a Disney produziu este Um Faz de Conta que Acontece, despretensiosa fantasia juvenil que pode ser curtida por toda a família.

O filme fala de Skeeter (Adam Sandler, eficiente), zelador de um luxuoso hotel que de uma hora para outra é praticamente forçado pela sua irmã (a ex-Friends Courteney Cox) a tomar conta por uma semana de seus dois sobrinhos pequenos. Num primeiro momento, o estranhamento é total: Skeeter não tem jeito com crianças e o casal de sobrinhos exala toda a chatice politicamente correta que aprenderam da mãe careta.Logo, porém, vem a magia: por algum estranho motivo inexplicável (e nem é o caso de explicar), as histórias que o titio conta para as crianças, na hora de dormir, transformam-se em realidade no dia seguinte.

Um Faz de Conta que Acontece mistura os tradicionais clichês dos filmes - família da Disney com o estilo já bastante conhecido de Sandler, especialista em encarnar simplórios personagens perdedores que, de alguma forma, conseguem se dar bem no final. Com uma diferença: desta vez, felizmente, não há situações de gosto duvidoso nem piadas envolvendo escatologia, também tão típicas da "obra" de Sandler. Por mais incrível que possa parecer, há até uma participação de Rob Schneider - eterno parceiro de Sandler -, na qual o ator não lança mão de recursos de baixo nível para fazer seu humor.

Se por um lado esta estratégia mais light pode levar mais famílias aos cinemas, por outro os tradicionais fãs das baixarias da dupla Sandler / Schnieder - basicamente compostos por adolescentes - podem se decepcionar com a "limpeza" do filme. De qualquer maneira, Um Faz de Conta que Acontece é uma opção divertida, leve e bem-humorada para as férias familiares.

Em cartaz: dia 23, sexta, nos cinemas de todo o brasil

Classificação: livre

(celso sabadin)

* O multimídia - e querido amigo - Celso Sabadin é autor do livro autor do livro Vocês Ainda Não Ouviram Nada – A Barulhenta História do Cinema Mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o Planeta Tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV Gazeta e da rádio Bandeirantes.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cinema: O Corajoso Ratinho Despereaux

Dirigida por Sam Fell (de Por Água Abaixo) e o estreante na direção Robert Stevenhagen, a animação O Corajoso Ratinho Despereaux é adaptação do livro infantil A História de Despereaux, escrito por Kate DiCamillo. Com traços elegantes, a produção deve atrair principalmente aos espectadores mais novos por conta de sua história edificante e um protagonista carismático, mas de uma forma mais infantil.

O protagonista, no caso, é o camundongo que dá nome ao filme, Despereaux. Nascido sem medo algum - diferentemente dos seus semelhantes -, é motivo de preocupação para pais e professores. Paralelamente, acompanhamos também a história da ratazana Roscuro. E, como todos sabem, camundongos e ratazanas não se dão bem, mas a história de O Corajoso Ratinho Despereaux tem como mote principal apresentar ao público que nem sempre as aparências equivalem à verdade - esta aí a mensagem edificante - e ratazanas podem ser amigas de camundongos, que podem sim ser corajosos como o orelhudo personagem que dá nome à animação.

Além desses dois personagens, também há uma jovem empregada que sempre acreditou ser uma princesa, apesar de desengonçada e pobre. Desta forma, acompanhamos a jornada desses personagens que tentam vencer a barreira das aparências para, finalmente, mostrar ao mundo o que realmente sentem por baixo de suas figuras e o preconceito que provocam. O roteiro do filme não é complexo e as mensagens que ele tenta passar são bastante claras: as aparências enganam.

A simplicidade do texto faz com que os espectadores mais jovens possam apreciar o filme. Ao mesmo tempo, não há muitos toques cômicos na animação, que preza por um estilo mais elegante - tanto na narrativa quanto no desenho - para encantar o público. Uma proposta ousada, principalmente se a idéia for atrair um grande público às bilheterias, mas não deve decepcionar aos que puderem dar a chance a esta animação única e bonita.


Exibição: a partir do dia 16, sexta, nos cinemas de todo país

Classificação: livre

(angélica bito)

* A amiga jornalista Angélica Bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site CineClick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)