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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cinema: Planeta 51

Se, antes de assistir Planeta 51, alguém te dissesse que o desenho é espanhol, provavelmente você nem o veria. E, se depois de assistir Planeta 51, alguém te dissesse que o desenho é espanhol, provavelmente você não acreditaria. Num mundo de globalização da tecnologia e de softwares cada vez mais acessíveis, vai ficando cada vez menor a diferença técnica que separa, digamos, uma DreamWorks de uma Ilion Animation. Quem? Ilion. Guarde este nome.

Trata-se de um estúdio espanhol de animação que estreia com o pé direito no delicioso Planeta 51, desenho animado de longa-metragem que não fica devendo nada aos maiores do gênero. Em parceria com a produtora britânica Hand Made, e capital da também espanhola Antena 3 (uma das co-produtoras de Vicky Cristina Barcelona), a Ilion acertou em cheio ao produzir o divertido roteiro de Jeo Stillman (também co-roteirista de Shrek 1 e 2) sobre uma invasão alienígena.

A diferença aqui é que os alienígenas somos nós. O Planeta 51 do título é muito parecido com a Terra dos anos 50, onde proliferavam as lanchonetes para a juventude, a pré-história do rock´n´roll e um grande desconhecimento do espaço sideral, o que acabava povoando o imaginário coletivo com assustadores filmes de ficção científica sobre ataques aliens.

A população do planetinha vive em paz, até que uma nave espacial pousa por ali. E de dentro dela sai um terrível, horripilante e assustador... humano! A partir daí, o filme se desenvolve num excelente ritmo de ação e comédia, com direito a um humor inteligente, sem apelações, repleto de referências hilariantes para o público adulto e situações encantadoras para as crianças.

O astronauta Chuck Baker, o sabichão de bom coração, já pode entrar para a galeria dos clássicos, como uma versão “carne-e-osso” de Buzz Lightyear. E Rover não deixa de ser uma versão robótico-canina de Wall-E. É notável também a maneira pela qual os diretores conseguem, rapidamente, criar uma forte empatia da plateia com a grande maioria dos personagens. Com destaque para um divertido ativista pacifista cantor/compositor no estilo Bob Dylan.

Espertamente de olho no mercado internacional, Planeta 51 é dublado por um ótimo elenco de atores de língua inglesa (incluindo Jessica Biel, Dwayne Johnson, Gary Oldman, John Cleese e vários outros), ainda que no Brasil os cinemas só exibirão cópias em português. Nada contra. Mesmo porque a distribuidora brasileira teve o bom senso de contratar ótimos dubladores profissionais, e não um punhado de famosos de plantão, como tem acontecido em outras animações. Vida longa e próspera para Chuck Baker e sua turma!

Em cartaz: dia 20, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

Cinema: A Saga Crepúsculo - Lua Nova

Centenas de meninas se aglomeravam para ver a continuação da saga baseada nos livros homônimos (está no quarto volume) de muito sucesso da escritora Stephenie Meyer. Pode-se creditar tamanho estardalhaço às campanhas maciças de marketing, ou aos rostos bonitos do elenco. Mas a verdade é que a série é muito mais do que isso.

A história, mesmo fantástica, é simples. Bella (Kristen Stewart), uma adolescente deslocada que vive com o pai em uma remota cidade do interior dos Estados Unidos, se apaixona por Edward (Robert Pattinson), o rapaz mais bonito e também mais misterioso da escola. Ele, um vampiro para sempre adolescente e perturbado com a ideia de matar humanos para se alimentar, nutre os mesmos sentimentos por ela, apesar das diferenças.

Se no final do primeiro filme eles conseguem se acertar, em A Saga Crepúsculo: Lua Nova os conflitos tornam-se mais evidentes. Depois que a jovem, por acidente, se corta em meio à família de vampiros de Edward (suscitando a sede de sangue do clã), ele decide que o relacionamento não poderá continuar.

O rompimento fará com que Bella caia em depressão e, em seguida, nos braços de seu colega Jacob (Taylor Lautner). Como é sabido, basta ver o trailer, Jacob pertence a uma casta inimiga dos vampiros, os lobisomens, o que criará um estranho, mas sensível triângulo amoroso. Todos amam Bella, mas ela parece não ter sorte: nenhum deles pode realmente ficar com ela - já que ambos podem matá-la por descuido.

A trama tem um complicador. Em sua dor, a heroína percebe que pode ver a imagem de Edward toda vez que se coloca em perigo de morte, razão pela qual pula de um penhasco. Apesar de ser salva por Jacob, Edward acredita que ela morreu e parte para a Itália, onde pedirá para morrer pelas mãos dos honoráveis Volturi, a realeza vampira, liderada por Ado (Michael Sheen, de Frost-Nixon).

Alertada pela irmã de Edward, Alice (Ashley Greene), sobre o sacrifício, Bella tentará salvá-lo. Ao arriscar a própria vida, ela espera receber sua recompensa máxima: tornar-se uma deles e ficar para sempre com seu verdadeiro amor.

A roteirista Melissa Rosenberg (de Ela Dança, Eu Danço) não omitiu qualquer traço do açucarado romance de Stephenie Meyer. E o diretor Chris Weitz (de A Bússola de Ouro) atende a todas essas especificações, cena por cena, ao som de baladas como A White Demon Love Song, do The Killers. Um fator a mais de identificação dos espectadores alvo com tudo o que se vê na tela.

São visíveis os buracos na trama, os erros de continuidade, a ingenuidade com que os conflitos se resolvem e a pobre narrativa dramática. Mas, no fim, isso não importa para quem gosta da saga. As espectadoras da pré-estreia, e aquelas que esgotaram os ingressos da estreia já na pré-venda, preferem o mergulho escapista só encontrado na fantasia, por mais delirante que seja.

Lua Nova está longe de ser bom cinema. Com atores imaturos e direção esquemática, a produção apenas faz sucesso porque retira as adolescentes do claustro doméstico e da insegurança romântica.

Quando estiveram em São Paulo, em uma coletiva de imprensa dominada por suspiros, Kristen Stewart e Taylor Lautner deram indícios disso. Embora afirmasse que não havia lido o livro antes de receber o roteiro, a atriz disse entender as razões pelas quais milhares de fãs da série se identificavam com a personagem - muito embora, ela não.

Como no livro, Bella ainda há de sofrer muito nas mãos de vampiros, lobisomens e de suas próprias dúvidas juvenis. Jacob, como o segundo na ordem dos acontecimentos, também. E Edward, que lançou o ator Robert Pattinson ao posto de galã, terá de enfrentar a ira de seus inimigos e semelhantes. Tudo isso numa saga que ainda está longe de acabar.

Em cartaz: dia 20, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: 12 anos

* texto do amigo rodrigo zavala, publicado originalmente no site cineweb

sábado, 14 de novembro de 2009

Cinema: 2012

Sim, Roland Emmerich destruiu o mundo novamente. Não satisfeito em acabar com o nosso planeta em Independence Day, o cineasta alemão volta agora às suas hecatombes no espetacular e espetaculoso 2012, o filme que mostra as mais sensacionais cenas de destruição que um computador pode realizar. Até hoje, é claro. Desta vez, porém, a ameaça não vem de fora, dos alienígenas, mas de uma raríssima conjugação de astros que, aliada a fortes explosões solares e a um, sei lá... quem se importa? O O mundo vai explodir de dentro pra fora, e é isso que vale.

Queremos ver carros voando, cidades sendo submersas, viadutos se retorcendo, fortes explosões e destruição em escala jamais imaginada. E, neste quesito, o filme cumpre o que promete: Emmerich cria fugas e destruições apocalípticas que transformam a tela de cinema no maior monitor de videogame jamais visto. Com direito a um ritmo alucinante, algumas boas sacadas de bom humor e até - pasmem - a algumas críticas sócio-político-econômicas contra a ganância dos poderosos. Nada que supere a profundidade de um pires, é claro, e afinal esta nem é a proposta do filme. Mas fica o registro, para que ninguém acuse o cineasta de alienado.

A estrutura de roteiro é igual aos velhos filmes-catástrofe dos anos 70, tipo Inferno na Torre e Terremoto, por exemplo: aos poucos vão se apresentando os núcleos principais de personagens que se encontrarão na tragédia. Há o poderoso a ser castigado, o heroi da área técnica, a família criada para a rápida identificação com a maior parte do público, brigas e desavenças que assumem proporções minimesimais diante da enormidade da destruição, gente divertida, gente pentelha, enfim, tudo está lá.

Como já havia feito em Independence Day, Emmerich não pretende evitar os clichês, mas espetacularizá-los à máxima potência. Afinal, trata-se de um filme que fala de inundação mundial, arca da salvação, e no qual o filho do heroi se chama Noah (Noé). O detalhe é que, nesta Era Obama, há uma maior profusão de atores/herois negros. O presidente dos EUA, por exemplo, é Danny Glover (um Obama envelhecido?).

Quando a ação finalmente começa, entram em cena a tecnologia de última geração, os softwares hollywoodianos capazes de tudo, os US$ 260 milhões investidos na produção. E se deixarmos nosso senso de lógica na posíção “mínimo”, seremos levados a uma inacreditável viagem na qual acreditaremos que é possível a crosta terrestre mudar de posição sem que isso afete um gigantesco empreendimento subterrâneo capitaneado pelas principais nações do mundo.

Seremos induzidos a acreditar que continentes possam se unir para ajudar a empreitada dos nossos herois capitaneados por John Cusack. Afinal, não é este o tipo de fantasia que esperamos do cinema? Não é esta a brincadeira? Pedir conteúdo seria exagero. E provavelmente ninguém reclamará de falta de emoção, após 3 horas de muita destruição e muita correria.

Ah, um detalhe final especial para o público brasileiro: a famosa cena do Cristo Redentor sendo destruído, que vemos nos trailers, está ainda menor no filme. Tem uns 3 segundos, se tanto. Pelo jeito, as Olimpíadas continuam confirmadas para 2016.

Em cartaz: dia 13, sexta, nos cinemas nacionais

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

sábado, 7 de novembro de 2009

Cinema: Os Fantasmas de Scrooge

Após Náufrago (2000), Robert Zemeckis – que também dirigiu a trilogia De Volta para o Futuro - tem se especializado na direção de animações realistas. Depois de O Expresso Polar (2004), o diretor volta à temática natalina em Os Fantasmas de Scrooge, adaptação do clássico conto de Charles Dickens. As técnicas utilizadas por Zemeckis prezam pela realidade: por meio de sensores, movimentos de atores reais são captados e trabalhados no computador, onde também são criados os ambientes pelos quais os personagens percorrem.

Parece live-action, mas não é e, no caso de Os Fantasmas de Scrooge, a técnica é essencial para recriar o conto fantástico criado por Dickens e adaptado mais de vinte vezes, para produções em TV e cinema, além de ter inspirado muitas outras histórias natalinas. Tendo a liberdade de criar digitalmente, Zemeckis – também autor do roteiro – tem a possibilidade de abusar da criatividade na composição estética dos fantasmas que visitam Scrooge na noite de natal e ensinam a ele uma lição de humanidade.

Ao mesmo tempo, faz com que o protagonista e seus acompanhantes percorram de forma bastante fluída a Londres do século 19 do conto original. Desta forma, o diretor convida o espectador a acompanhar de perto a jornada de Scrooge e os fantasmas pelo passado, presente e futuro do protagonista (todos dublados por Jim Carrey na versão original). A animação também chega em 3D e, neste caso, a tridimensionalidade faz diferença: os elementos que passam pela jornada do protagonista saltam à tela, ajudando a inserir o público nesse drama natalino.

Mas o diretor cumpre o papel de recriar com vivacidade o clássico conto natalino, dando uma roupagem atraente à história. Embora seja uma produção em animação, Os Fantasmas de Scrooge não é, necessariamente, um filme para o público infantil. O protagonista é cruel e as situações nas quais ele é inserido não são nada bonitas. Em muitos momentos, o longa pode assustar os pequenos espectadores desavisados.

Em cartaz: 06, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site
cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cinema: De Profundis

Cada vez mais os produtores de desenhos animados em longa-metragem sabem o que é preciso também agradar ao público adulto. Afinal, criança não vai sozinha ao cinema, e é sempre bom que os pais, tios ou avós acompanhantes dos pequenos também se divirtam com o que se passa na tela. Quanto mais pessoas gostarem do filme - independente da idade - maior será o faturamento dos estúdios. E outra: principalmente por causa das décadas e décadas do reinado Disney, convencionou-se acreditar que desenho animado é, necessariamente, diversão infantil. Grande engano!

Animação não é um gênero, mas uma técnica, e com ela podem ser feitas comédias, dramas, romances... e até filmes infantis. Mas como ainda se passarão outras décadas e décadas até que o público em geral perceba que desenho animado não é feito apenas para crianças, vale ressaltar a dica de uma belíssima animação que tem tudo para encantar crianças, pré-adolescentes, jovens e - claro - seus acompanhantes adultos também. Trata-se da co-produção hispano-lusitana De Profundis. Hispano-lusitana? Como assim? Espanhois e portugueses fazendo desenho animado de longa-metragem? Sim, e de altíssima qualidade!

Com muita magia e um inebriante clima onírico, De Profundis narra a saga de um pescador cujo barco afunda no oceano, matando toda a tripulação. Menos o nosso heroi, que é salvo por uma sereia e passa a explorar o universo submarino ao lado dela. Durante a jornada, o roteiro do galego Miguelanxo Prado (também diretor do filme) leva o espectador a um verdadeiro sonho submarino, repleto de metáforas, viagens surreais e interpretações em aberto que certamente renderão ótimas discussões pós-filme. Para pequenos e grandes.

Sem nenhum diálogo, recheado de poesia, e com uma trilha sonora que ajuda a embalar a fantasia proposta pelo roteiro, De Profundis também passa longe da parafernália tecnológica das produções atuais: sua realização demandou dez mil desenhos pintados a mão, e posteriormente animados através de técnicas tradicionais. Indicado ao Prêmio Goya (o Oscar Espanhol) de melhor animação, De Profundis propõe um viagem poética e diferenciada para corações de todas as idades. E prova que nem só de Disney e Pixar vivem os grandes desenhos animados em longa-metragem.

Em cartaz: dia 06, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cinema: 9 - A Salvação

9 é uma criaturinha estranha. Pequeno e feito de estopa, ele possui um zíper em sua barriga, dois olhos grandes em forma de obturador de câmera fotográfica que, quando se abrem, veem um mundo pós-apocalíptico, dominado por máquinas, onde seus oito antecessores tentam sobreviver a monstros mecânicos.

Este é o cenário no qual se desenvolve a animação 9 - A Salvação, criada por Shane Acker a partir de seu curta homônimo indicado ao Oscar em 2006 e com produção de Tim Burton (de A Fantástica Fábrica de Chocolate e A Noiva-Cadáver) e do russo Timur Bekmambetov. No longa, o diretor expande seu filme original, dando voz aos personagens e aprofundando as situações, além de trabalhar mais no visual.

O personagem 9 (Elijah Wood, na versão legendada/Vagner Abiate Fagundes, na brasileira) acorda nesse mundo e logo se depara com o 2 (Martin Landau/Marcelo Pissardini), que o ajuda a encontrar sua voz. O novo amigo é capturado por uma criatura mecânica. Entra em cena outro homenzinho minúsculo como 9 e 2 - trata-se de 5 (John C. Reilly/Marcelo Campos). Aos poucos, o pequeno protagonista descobre um grupo igual a ele.

O líder é o 1 (Christopher Plummer/Gileno Santoro), que prefere esconder-se no interior de uma catedral destruída a desbravar o mundo. Outros não compartilham dessa opinião. Os gêmeos e mudos 3 e 4 são curiosos e investigam tudo. Já a número 7 (Jennifer Connelly/Leticia Quinto) é especialista em artes marciais e vive distante do grupo.

Com um roteiro escrito por Pamela Pettler (de A Noiva-Cadáver), 9 - A Salvação nem sempre consegue manter o mesmo ritmo ao longo de quase 80 minutos. Algumas discussões, um tanto quanto filosóficas, e um final meio místico poderiam até afetar a qualidade do trabalho. Mas a forma como Acker se atém à sua integridade artística é um indiscutível mérito. Relacionando-se com a pintura, a literatura fantástica, primórdios da animação e os totalitarismos do século passado, 9 - A Salvação é uma parábola sobre a desumanização em contraposição ao avanço da tecnologia.

Uma história ao mesmo tempo empolgante e enigmática, o filme pode assustar as crianças pequenas, com seu visual soturno, seu humor retraído e a falta de figurinhas fofas - apesar do fato de os homenzinhos serem engraçadinhos de uma forma estranha. Os adultos, porém, terão muito mais o que aproveitar nesse filme, tanto das suas discussões sobre os avanços tecnológicos quanto de suas imagens sombrias. Não por acaso, 9 - A Salvação vai muito bem ao gosto de seu produtor Tim Burton, embora deixe de lado um pouco do humor cínico dos filmes do cineasta.

(alysson oliveira*)

* texto do amigo alysson oliveira, publicado originalmento no site cineweb, um endereço bem bacana para quem curte a sétima arte

Cinema: O Golfinho - A História de um Sonhador

O fundo do mar parece ser um cenário inesgotável para diretores e roteiristas de animação. Depois de Procurando Nemo, O Mar Não Está pra Peixe, o famoso Bob Esponja e alguns outros, chega ao Brasil a animação peruana O Golfinho - A História de um Sonhador. Dirigido pelo peruano Eduardo Schuldt e inspirado em livro de mesmo nome do escritor Sergio Bambarén, o longa tem como personagem central Daniel Alexandre Golfinho - que não se contenta com sua vida simples numa lagoa e decide ganhar o mundo. O protagonista é dublado pelo VJ Marcos Mion.

Vivendo em um mundo de regras preestabelecidas, Daniel é um sonhador. Um dia ouve um chamado estranho, vindo de uma arraia. Todos os seus amigos têm medo do animal, mas o golfinho dá ouvidos a ela, que lhe sugere abandonar a lagoa e perseguir suas aspirações.
Daniel decide ir a mar aberto e enfrentar qualquer obstáculo que cruzar o seu caminho. Ao abandonar sua comunidade e fugir para o oceano, ele não poderá mais unir-se aos seus amigos. Mas ele faz novas amizades, como Lulito, uma lula falastrona que também sonha desbravar o mar.

Ouvindo uma misteriosa 'Voz do Mar', Daniel seguirá o seu caminho, conhecendo novas criaturas, como o assustador Lucius, uma barracuda conhecida como 'Devorador de Sonhos', e que lidera um exército composto por 400 iguais a ela. Em meio a tantos inimigos, Daniel encontrará novos aliados, como o polvo gigante chamado Maitre, que mora dentro de sua concha, e o tubarão Sr. Dentada, incapaz de manter alguma amizade, porque come seus amigos.

O sonho de Daniel consiste em surfar a maior onda do mundo no dia em que 'o Sol fizer algo que nunca faz' - seja lá o que for isso. Um de seus maiores desafios será surfar a onda gigante - algo nunca visto antes pelos seres do mar. A história é cheia de significados místicos e que insistentemente força o protagonista a procurar o seu sonho - não importando as dificuldades. É até uma lição interessante a se ensinar às crianças, mas a forma como o filme o faz, sem a menor sutileza ou criatividade, é tiro que sai pela culatra.

Ainda assim, é possível tirar algumas lições com essa história do golfinho sonhador. A mais valiosa delas é que, atualmente, ninguém consegue chegar perto das qualidades dos filmes da Pixar no campo da animação, seja na técnica ou nos roteiros.

(alysson oliveira*)

* texto do amigo alysson oliveira, publicado originalmento no site cineweb, um endereço bem bacana para quem curte a sétima arte

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cinema: Tá chovendo hambúrguer

Alguém (não sei quem) disse (não sei quando) que só existem uns 30 e poucos (não sei exatamente quantos) roteiros básicos na história do cinema. Bem, eliminando a extrema precisão desta afirmação (e minha prodigiosa memória), a ideia é a seguinte: segundo esse estudioso, que não me lembro quem é, existem menos de 40 situações dramáticas exploradas pelo cinema. E que todos os milhares de longas-metragens feitos até hoje, em toda a história, seriam somente adaptações e desdobramentos dessas mesmas situações básicas.

Não sei se a teoria é verdadeira, mas essa ideia me voltou à mente ao ver Tá Chovendo Hambúrguer. É impressionante como as histórias infantis, em geral, e os desenhos animados em longa-metragem, em particular, têm explorado o tema básico do Patinho Feio. Se pegarmos alguns exemplos aleatórios - digamos - Vida de Inseto, Ratatouille, Dumbo, FormiguinhaZ, O Galinho Chiken Little, Monstros S.A. e agora Tá Chovendo Hambúrguer, é possível ver como todos eles - e muitos mais que não me ocorrem no momento - partem da mesma premissa: o protagonista que parece totalmente desprovido de talento, é ridicularizado e segregado no meio social onde vive por ser “diferente”, marginaliza-se, para que depois uma força maior revele que ele tem, sim, um dom especial, uma particularidade que o transformará em heroi tanto dentro de seu convívio social como fora dele.

A fórmula é novamente utilizada em Tá Chovendo Hambúrguer. O que não chega a ser um demérito, já que o filme tem qualidades suficientes para agradar a adultos e crianças. O Patinho Feio dessa vez é o jovem Flint, garoto genial, metido a inventor, mas que nunca consegue acertar nas geringonças que constroi em seu laboratório. Entre elas, uma hilariante TV de controle remoto: você aperta o botão e o aparelho cria pernas e caminha em sua direção.

A situação de Flint se torna ainda pior pelo fato de ele morar em uma ilha minúscula onde toda a população só come peixe, nada além de peixe (ótima metáfora para a mesmice do consumismo estilo Mcdonald´s). E pior: seu pai quer que ele abandone as invenções e passe a ser seu companhero de trabalho…. vendendo peixes. Abatido, frustrado e com um enorme potencial represado, o jovem ainda tenta uma última invenção antes de se tornar um peixeiro: a máquina que transforma água em comida. Mas é óbvio que algo vai sair gigantescamente errado.

Mesmo partindo de uma premissa já exaustivamente explorada, o filme consegue se superar em outros quesitos cinematográficos que acabam lhe conferindo prerrogativas de uma deliciosa diversão em família. Os diretores Phill Lord e Chris Miller, ambos estreando no longa-metragem, injetam tamanha simpatia, personalidade e vivacidade aos personagens que a empatia com o público beira a perfeição. O ritmo também é dos mais ágeis, conquistando em cheio as plateias infantil e juvenil. E o humor - provavelmente a maior qualidade do desenho - é inteligente, afiado e constante, o que faz a alegria também dos espectadores adultos.

Isso sem contar as bem dosadas doses de romance. O traço, a qualidade da animação propriamente dita, é surpreendente, podendo inclusive ser comparada ao que existe de melhor no gênero. Leia-se Pixar. Os mais desavisados provavelmente não perceberão que a produção não é da Disney, nem da DreamWorks, nem da própria Pixar, mas da Sony, concorrente que corre por fora no segmento de desenho animado de longa-metragem.

Embora seja preciso reconhecer que os personagens de Tá Chovendo Hambúrguer parecem descendentes diretos da família de super herois que vimos em Os Incríveis. Da Pixar. Concorrências corporativas a parte, Tá Chovendo Hambúrguer é uma das melhores animações da safra recente. A lamentar somente a distribuidora não ter mantido a tradução do título original, Cloudy with a Chance of Meatballs, ou seja, Nublado, com Possibilidades de Almôndegas. É desagradável ver que as distribuidoras continuam sempre achando que o público não vai entender.

Exibição: dia 02, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: Livre

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o
planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Cinema: Pequenos invasores

Divertir as crianças, sem esquecer dos adolescentes e nem menosprezar os adultos. Esta é a fórmula de sucesso utilizada no filme Pequenos Ivasores, uma simpática aventura infanto-juvenil com um bem-vindo sabor de bolinho de chuva com canela. Sem pretensões e totalmente descompromissado, o filme fala de uma família que vai passar o feriado de 4 de julho em uma casa no interior. O lugar, uma bela mansão à beira de um lago, faz a alegria dos adultos à procura de descanso e pescaria, e o desespero das crianças e adolescentes, que prefeririam algo mais agitado ou “conectado”.

A confusão começa quando o sótão da casa é invadido por quatro pequenos alienígenas que ameaçam dominar a Terra. A partir daí, os universos se dividem: no andar de cima, os menores tentam salvar o planeta, sem que os maiores do andar de baixo sequer se deem conta da situação. Uma interessante analogia sobre o mundo da realidade e o da imaginação.

Mesmo sem ser genial, o filme consegue um bom equilíbrio entre comédia e aventura, satisfazendo o senso de humor de grandes e pequenos. Desde citações sobre “a péssima música dos anos 80 que derreteu os cérebros dos adultos”, até um telefone que as crianças não sabem usar porque é de disco, e não de teclas, a produção traz momentos de um humor leve, inspirado e até certo ponto um pouco ingênuo. Como, por exemplo, salvar a Terra dos alienígenas em pleno feriado de 4 de julho, brincando com Independence Day.

Talvez tenha sido justamente esta saudável ingenuidade que tenha transformado o filme num fracasso no mercado norte-americano, onde faturou praticamente a metade do seu custo de US$ 54 milhões. Sem problemas. Sempre haverá o lançamento em DVD... e bolinhos de chuva com canela.


Exibição: dia 25, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: Livre

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cinema: Up - Altas Aventuras

Há pelo menos dez anos, uma guerra surda se desenrola entre os dois maiores estúdios de animação de Hollywood — e, até agora, pode-se dizer que um saudável empate técnico se mantém entre eles. De um lado do ringue, a DreamWorks, fundada em 1994 por Steven Spielberg, ganha no quesito sucesso de público: US$ 2,2 bilhões faturados em todo o mundo com a trilogia de Shrek. Do outro, a Pixar, que começou em 1984 como um braço de animação da produtora de George Lucas e comprada pela Disney em 2006, também vai bem na bilheteria e ainda leva vantagem com a crítica.

O sucesso entre os especialistas, que apontam em filmes como Wall-E uma lista de referências a clássicos como E.T. e 2001, tem sua razão de ser: a Pixar costuma investir mais tempo no roteiro (cerca de três anos) do que na produção e execução de seus filmes (dois anos). Up - Altas Aventuras conseguiu elogios fazendo sua première em um espaço arriscado - a sessão de abertura do Festival de Cannes, à qual críticos do mundo inteiro chegam sedentos para derrubar filmes com seus comentários.

No filme, um rabugento senhor aposentado (voz de Chico Anysio, na versão dublada) está prestes a ser mandado a um asilo. Decide, então, fugir amarrando centenas de balões no telhado. Sua casa sai voando em direção às montanhas da América do Sul, destino que sempre sonhou conhecer com sua mulher, já falecida. Só não contava que um menino teimoso, aprendiz de escoteiro, estivesse na entrada da casa e seguisse viagem com ele.

Se as animações são feitas para agradar a pais e filhos, Up deve agradar mais aos avós. Sem perder o sentido da ação e das imagens - a casa voando com balões coloridos fica na memória -, a Pixar rende uma homenagem nostálgica aos filmes de aventura dos anos 50, como A Volta ao Mundo em 80 Dias. O velhinho herói lembra Spencer Tracy, o vilão lembra Kirk Douglas, e a amizade entre velho e menino remete aos filmes edificantes de Frank Capra nos anos 30. Up - Altas Aventuras não deverá ter sequência.

Outra diferença entre a DreamWorks e a Pixar é que o estúdio fundado por George Lucas não costuma criar continuações para seus filmes. Belas animações como Procurando Nemo (US$ 860 milhões de bilheteria internacional), Ratatouille (US$ 620 milhões) e Wall-E (US$ 520 milhões) são tiros únicos, apesar do grande sucesso de público. Shrek e outros clássicos da DreamWorks podem faturar mais num mercado que só tem olhos para a bilheteria do primeiro fim de semana, mas certamente são filmes como esses da Pixar que irão sobreviver nas prateleiras dos cinéfilos daqui a 50 anos. Up - Altas Aventuras parece destinado a se tornar um clássico no futuro.

Em cartaz: dia 04, sexta, nos cinemas nacionais

* texto de thiago stivaletti, publicado originalmente na revista bravo

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Cinema: A Pedra Mágica

Em 2001, o diretor Robert Rodriguez (de Planeta Terror e Sin City - A Cidade do Pecado) resolveu investir num gênero que segue numa via completamente diferente do restante de sua filmografia: o infantil. Pequenos Espiões rendeu US$ 147 milhões mundialmente e três continuações. Rodriguez seguiu investindo no gênero em As Aventuras de Shark Boy e Lava Girl em 3-D (2005), que não foi tão bem nas bilheterias quanto a primeira trilogia infantil de Rodriguez, assim como sua nova incursão no gênero, A Pedra Mágica, que estreou nos EUA faturando US$ 6 milhões no primeiro fim de semana – valor baixo, em se tratando de uma produção infantil.

O interesse do diretor ao gênero veio dos filhos – três deles, Rocket, Racer e Rebel Rodriguez, estão no elenco de A Pedra Mágica - aliás, o diretor queria também dialogar com a geração deles. Este novo filme segue sendo para os pré-adolescentes, que podem se empolgar com os efeitos especiais e com a linguagem bem típica. E o diretor sabe como falar com esse público.

A premissa é clichê: menino descobre um objeto capaz de transformar o desejo do possuidor em realidade, o que causa enormes problemas a todos ao seu redor. As consequências do aparecimento desse objeto também. Quem narra a história é Toco (Bennett), um dos meninos que põe a mão a tal pedra que dá nome à aventura, o que dá à narrativa um tom entrecortado por comentários, separada por capítulos.

Mas o filme vale principalmente pelos efeitos especiais bastante caprichados. Além disso, o visual colorido e a boa atuação do elenco infantil – encabeçado por Jimmy Bennett, que viveu o jovem Kirk em Star Trek, e a excelente Jolie Vanier, que vive a vilã mirim Helvetica – também ajudam a conquistar o espectador.

Embora tenha visual e tom de narrativa acertados, A Pedra Mágica não traz muitas novidades no gênero, principalmente por ter como base um argumento fraco, já batido, o que é uma pena, já que Rodriguez tem a capacidade de dialogar com a faixa etária do público ao qual pretende atingir, questão mais complicada quando se aventura em produções do gênero.

Em cartaz: dia 28, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Cinema: Força-G

Não se deixe enganar: apesar dos simpáticos porquinhos-da-índia que protagonizam Força-G, que estreia em cópias dubladas em 3D e em 2D, o longa leva a marca do produtor Jerry Bruckheimer, mais conhecido por suas extravagâncias de ação, como a série Piratas do Caribe e Peal Harbor. Força-G prova a potencialidade de roedores no cinema, que inclui os protagonistas de filmes como Fievel - Um Conto Americano, Ratatouille, O Corajoso Ratinho Despreaux, além de coadjuvantes em Bolt- Supercão e Um Faz de Conta que Acontece.

Aqui, um grupo de cobaias de laboratório forma um esquadrão de elite de espionagem do governo norte-americano. Munidos de equipamentos modernos, eles podem ser invencíveis. O grupo de cobaias deve investigar a empresa de um sujeito maligno, chamado Leonard Saber, vivido pelo ator inglês Bill Nighy (de Operação Valkiria), que criou equipamentos capazes de destruir o planeta.

A Força-G é composta por Darwin, o líder do grupo, que não mede esforços para vencer; Blaster, especialista em armas; Juarez, que sabe tudo sobre artes marciais; uma mosca chamada Mooch, que trabalha para reconhecer o campo de atuação do grupo, e uma toupeira, Speckles, que conhece informática, apesar da cegueira típica de sua espécie.

Eles trabalham para o governo até o programa ser fechado. O criador do esquadrão, Dr. Ben Kendall (Zach Galifianakis, de Na Natureza Selvagem), resolve então liberar os animais para a vida civil. Eles trabalharão disfarçados num petshop até poderem reassumir suas identidades.
Na loja, levarão uma vida muito diferente da que estavam acostumados, dividindo espaço com animais esquisitos.

Jaurez e Blaster logo são adotados por um casal de irmãos, enquanto os demais ficam a mercê de crianças que visitam a loja com os hábitos mais estranhos. Mas não demora muito e o esquadrão se une novamente para salvar o mundo das maldades de Leonard Saber.

Dirigido por Hoyt Yeatman, especialista em efeitos especiais e que trabalhou em filmes como Canguru Jack, Armagedon e Missão Marte, Força-G não faz feio quando o quesito é combinar ação com efeitos visuais de terceira dimensão.

Em cartaz: dia 14, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

* texto do amigo alysson oliveira, do site cineweb

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cinema: G.I. Joe - A Origem de Cobra

Quem vai ao cinema para ver G.I. Joe – A Origem de Cobra espera o quê? Muita ação? Aventura? Correrias, explosões e perseguições de tirar o fôlego? Humor? Efeitos especiais? Um roteiro, no mínimo, razoável? Então, prepare-se para a boa notícia: G.I. Joe não vai decepcionar o seu público. Com 82 dias de filmagens (aproximadamente o dobro da média normal), belas locações na Europa e mais de 160 cenários, o filme tem tudo para agradar aos fãs de um bom filme de ação.

O diretor Stephern Sommers utiliza mais uma vez o estilo que o tornou famoso em A Múmia: deixar o filme correr feito uma montanha-russa e fazer com que o espectador se sinta dentro de um videogame, evitando, assim, qualquer tipo de reflexão e relevando qualquer eventual buraco de roteiro. Afinal, ninguém entra no cinema para ver G.I. Joe e pensar ao mesmo tempo.

Quem acompanhou a gênese do personagem, desde a criação dos bonecos de ação, nos anos 80, passando por desenhos animados e outros sub produtos (não é o meu caso), tem restrições quanto à fidelidade das histórias e subtramas. Mas, para quem não conhecia nada disso (meu caso), o roteiro é envolvente e até bastante elaborado para este tipo de filme, trazendo várias reviravoltas e uma trama que realmente prende a atenção.

A ação se passa em um futuro próximo, onde um gênio da tecnologia de armamentos acaba de desenvolver uma arma poderosíssima, à base de nanotecnologia biológica, capaz de corroer um tanque de guerra em segundos, e uma cidade inteira em poucas horas. Tipo cupins altamente desenvolvidos. Obviamente a tal tecnologia cai em “mãos erradas”, o que obriga os altos escalões do Exército Americano a lançar mão de sua sofisticada “tropa de elite” chamada G.I. Joe.

A partir daí, vamos conhecendo aos poucos as histórias que colocaram em rotas de colisão personagens tão diferentes entre si, como o soldado americano Duke (Channing Tatum), sua namorada Ana (Sienna Miller), que mais tarde se transformaria em rica baronesa, o amigão Ripcord (Marlon Wayans, fazendo o sempre necessário contraponto cômico), o ninja Storm Shadow (Buyng Hun Lee), o ex-menino de rua Snake Eyes (Ray Park) e assim por diante, em uma galeria de tipos ideal para vender muito licenciamento.

A trama, envolvente, é entremeada por várias cenas de muita ação (ou seria o contrário, as cenas de ação são entremeadas por uma trama?), na qual se destaca uma sensacional perseguição pelas ruas de Paris, que – viva a tecnologia digital! – foi totalmente rodada em uma cidade do interior da República Checa.

Só esta cena levou 14 dias de filmagens. E para quem curte uma subtramazinha política, o filme ainda acena com uma crítica à indústria armamentista, que vende indiscriminadamente, para quem puder pagar, tanto a espada como o escudo. Lógica? Realismo: Racionalidade? Nem pensar. Afinal, estamos falando de um filme onde o presidente dos Estados Unidos é um britânico, o galês Jonathan Pryce. A idéia é uma só: pura diversão. E, neste sentido, G.I. Joe entrega competentemente o que promete.

Em cartaz: dia 07, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: 12 anos

(celso sabadin*)

* o multimídia e querido amigo celso sabadin é autor do livro autor do livro vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. atualmente, dirige o planeta tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV gazeta e da rádio bandeirantes.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cinema: Cine Cocoricó - As Aventuras na Cidade

A área urbana é o cenário para as brincadeiras da turma do Júlio em Cine Cocoricó: As Aventuras na Cidade, que chega aos cinemas no dia 18 de julho, sábado, e reúne cinco episódios inéditos da próxima temporada da série. Júlio, Lilica e Alípio conhecem uma grande metrópole quando decidem visitar o amigo João.

O restante da turma acompanha as novidades dessa viagem pela internet. “Todos conversam com Júlio pelo computador que João deixou na fazenda na temporada passada”, conta Fernando Gomes, criador de Cocoricó. Pela web ou pessoalmente, eles conhecem os novos amigos: Rodolfo (irmão de João), Vitória (menina descolada que encanta Júlio), Noel e Dora (pais de João) e Dorivaldo (porteiro do prédio em que a turma fica hospedada).

Um cachorro empolgadíssimo e um rato sem paciência moram no beco ao lado do prédio e fazem parte da vizinhança, que, segundo Fernando, vive bem no meio da correria urbana. “O lugar não é uma vila segura como um condomínio afastado. É a cidade grande mesmo, com toda a sua movimentação.” Cenários conhecidos das metrópoles compõem a cidade fictícia onde se passa a nova temporada. A temporada completa chega à TV Cultura em dezembro deste ano e a tendência do programa a partir de agora é explorar cada vez mais os pólos urbano e rural.

Imagens em alta definição garantem qualidade de cinema para os novos episódios, mas esse ainda não é, de fato, o filme do Cocoricó. “Dessa vez, são cinco episódios inéditos com 15 minutos cada, mas eu ainda tenho planos para um longa. Já adianto que, no filme, eles vão conhecer o mar”, diz Fernando.

Em cartaz: dia 17, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(marcela farrás*)

* texto de marcela farrás, publicado originalmente no site da revista crescer

terça-feira, 14 de julho de 2009

Cinema: Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Em 2001, Harry Potter e a Pedra Filosofal inaugurou uma das franquias mais bem-sucedidas do cinema contemporâneo: os cinco filmes da série já faturaram quase US$ 5 bilhões nas bilheterias mundiais, sem contar vendas em DVD e subprodutos relacionados aos personagens. Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto longa-metragem baseado na milionária saga literária criada por J.K. Rowling, chega aos cinemas carregando nas costas não somente as expectativas dos executivos de Hollywood, mas, principalmente, dos muitos fãs do bruxo, que, mais uma vez, não devem sair decepcionados da sala de cinema.

No sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Harry Potter (Daniel Radcliffe) abraça de vez seu papel como “o escolhido” na luta contra as forças de Voldemort, que neste filme aparece somente em flash-backs, encarnado em sua figura infantil, quando respondia pelo nome de Tom Riddle (Hero Fiennes-Tiffin, sobrinho de Ralph Fiennes, que personifica o vilão da saga nos longas anteriores). Dessa forma, Potter acaba tornando-se um importante aliado de Alvo Dumbledore (Michael Gambon), o diretor de Hogwarts.

Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, as investidas de Voldemort e seus perigosos dementadores afetam também o mundo real: uma das primeiras cenas é quando eles destroem a Ponte do Milênio, um dos cartões postais de Londres, numa das muitas bem-sucedidas demonstrações que a produção traz em se tratando de efeitos especiais. Nada mais natural, já que a trama tão fantasiosa como a imaginada por Rowling exige o que há de mais avançado em tecnologia.

Como nos capítulos anteriores, a produção não deixa a desejar neste sentido. Harry Potter e o Enigma do Príncipe também mostra claramente que pretende delinear novos rumos aos personagens. Agora, Potter e seus dois melhores amigos, Ron Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson), são veteranos em Hogwarts; portanto, caminham para a idade adulta, enfrentando desafios também mais maduros, muitos deles relacionados a romances na escola de magia.

No fim das contas, o tal do enigma do príncipe que ilustra o título acaba ficando em segundo plano, já que a ideia, além de apresentar a maturidade dos protagonistas, é também jogar luz a um lado de Voldemort que seguia inexplorado dentro da saga. E, claro, vale lembrar que o quadribol, ausente no último filme retorna com cenas empolgantes nesta nova aventura dirigida por David Yates (o mesmo de Harry Potter e a Ordem da Fênix).

Por outro lado, Draco Malfoy (Tom Felton) também desponta como um vilão muito mais perigoso do que aparentava nos primeiros filmes. Recluso, longe de sua turma de arruaceiros, ele caminha cada vez mais junto às forças ocultas.

Mesmo atingindo o objetivo de focar questões mais adultas e desafios reveladores, O Enigma do Príncipe ainda parece ser um filme de transição, com conflitos mal resolvidos que devem chegar a uma conclusão nos dois próximos longas da série, a primeira e segunda parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Esta questão não chega a incomodar, mas apenas perpetua o fato de que a saga ainda é capaz de envolver o espectador e seguir atiçando sua curiosidade.

Em cartaz: dia 15, quarta, nos cinemas nacionais

Classificação: 12 anos

(angélica bito*)

* texto da amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho, publicado originalmente no site cineclick (um endereço bacana que traz críticas, novidades e informações sobre o universo cinematográfico)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cinema: A Era do Gelo 3

Sem dúvida, A Era do Gelo 3 é o melhor filme da trilogia e, se você quiser aumentar ainda mais a diversão, assista na versão 3D! Scrat, o esquilo pré-histórico, está de volta e a perseguição pela sua preciosa noz continua. Mas nada será como antes, pois ele vai ter que disputar a tapas sua bolota fujona com uma fêmea, Scratita. Dividido entre a noz e sua paixão arrebatadora, Scrat vai entrar em enrascadas ainda maiores. O romance dos dois esquilos é um dos pontos altos do filme, as piadinhas visuais são divertidíssimas, sacanas e a trilha sonora que complementa esses momentos é espirituosa.

Como You'll Never Find Another Love Like Mine (na tradução literal, Você Nunca Vai Achar um Amor como o Meu), sussurrada no melhor estilo sedução à Barry White, ou um tango no qual entre um passo dramático e outro a noz é disputada por pernas e rabos. Enquanto isso, depois da fuga dos animais por causa do degelo em A Era do Gelo 2, a nova aventura, na verdade, traz em seu título original uma explicação do que se pode esperar: os temidos gigantes dinossauros.

O que antes era apenas um bando de mamíferos-amigos virou literalmente uma família que, como qualquer outra, tem conflitos e amor. Manny e Eli esperam seu primeiro filhote, o papai de primeira viagem é ansioso e super-protetor e, logo, entra em conflito com Diego, o dente-de-sabre, em crise de identidade por achar que está ficando molenga e acredita que a nova situação mudará tudo.

A saída de Diego, em busca de sua vida selvagem afeta Sid, a atrapalhada preguiça. Ao cair em uma caverna congelada, por acidente, o bicho-preguiça encontra três ovos gigantes e uma solução perfeita para sua solidão: formar sua própria família. Bem, a mãe dos pequenos dinossauros vem reclamar a guarda de seus filhotes e leva Sid junto.

Diante da nova situação, o bando esquece as diferenças e vai se aventurar para resgatar o amigo. Os dinossauros pareciam estar extintos, mas há um mundo subterrâneo onde eles vivem em uma imensa floresta tropical. Os cenários e a animação colorida, que desbanca todo o branco gelado tradicional dos dois filmes anteriores, é deslumbrante.

Mas não é só a fotografia que atrai. O roteiro de A Era do Gelo 3, que conta com a direção primorosa do brasileiro Carlos Saldanha, é complexo e o resultado, divertido, feito para agradar tanto aos pequenos quanto os crescidinhos, sejam eles pais ou não. Os efeitos especiais são caprichados, principalmente quando servem a uma boa história. Quem sai ganhando é o público e também o cinema, ainda mais em tempos que Hollywood anuncia uma refilmagem atrás da outra.

E a resposta do público, devidamente revertida em bilheteria, não deve ser menor do que das produções anteriores. A Era do Gelo mostra-se uma franquia muito lucrativa: o primeiro custou US$ 59 milhões e faturou US$ 383,2 milhões. Com o sucesso do anterior, o investimento no segundo subiu para US$ 80 milhões e a arrecadação da bilheteria correspondeu às expectativas, US$ 651,9. Já em A Era do Gelo 3 foram gastos US$ 90 milhões. Alguém arrisca um palpite?

Em cartaz: dia 01, quarta, nos cinemas nacionais nas versões 35mm (dublado e legendado) e 3D (somente dublado)

Classificação: livre

* texto de ana martinelli, publicado originalmente no site cineclick

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cinema: Transformers - A Vingança dos Derrotados

Boa notícia tanto para os fãs de Transformers como para quem não tem o menor interesse pela franquia, mas já ouviu falar sobre os carros que se transformam em robôs. Transformers: A Vingança dos Derrotados é mais filme que o primeiro. Especialmente em relação à história e aos desdobramentos da nova batalha entre os Autobots e os Decepticons.

Sam (Shia LaBeouf) cresceu e chegou a aguardada hora de entrar na universidade. Um mundo de descobertas se desenha à sua frente. Enquanto isso, a ameaça dos alienígenas malignos, cujo líder Megatron havia sido congelado no primeiro filme, torna-se realidade. Sam vai ter de lutar, mesmo que ache que essa guerra não seja sua.

Assim como no primeiro filme, duas histórias acontecem paralelamente: o garoto tenta levar uma vida normal com Bumblebee, seu carinhoso carro-robô na garagem, e os militares norte-americanos sofrem para conter a ameaça dos Decepticons. Repetindo a fórmula da produção de 2007, esses dois universos se entrelaçam e a ação corre solta.

O recheio da história, a volta dos Decepticons, a impotência e a ignorância do governo, como o conhecimento de Sam torna-se peça chave na batalha, além da inclusão de novos personagens e inimigos fazem de Transformers: A Vingança dos Derrotados um filme mais interessante que o original. Agora, recado para os fãs dos robôs-carros: há um mundarel de novos personagens. Além dos carros, há também motos e animais que, ao menor sinal, estão prontos para ameaçar o garoto e sua namorada Mikaela (Megan Fox).

A produção continua bem cuidada e as coreografias das lutas são mais plásticas. Há ainda mais rigor tecnológico na transformação dos carros. Bumblebee continua criativo e falando por meio de músicas. O humor, que no primeiro filme se concentrava no jeito outsider de Sam, alcança também sua mãe, que protagoniza momentos hilários, mesmo que caricatos - exagero que marca o restante dos personagens.

Duas outras coisas chamam a atenção. A primeira é a exploração do corpo feminino. Se você já achou que a personagem de Megan Fox já fazia o perfil hot, aguarde para ver Alice (Isabel Lucas). No filme, o uso de suas curvas são dignas de potrancas do funk. A segunda é o desaparecimento de alguns personagens. Ao longo da trama, você perceberá alguns bugs, robôs que somem repentinamente e outros que surgem de surpresa. Sem explicações, eles são apenas limados ou inseridos abruptamente na trama.

Transformers: A Vingaça dos Derrotados é mais filme que o primeiro, tanto para os fãs da franquia (que ficarão felizes com o final repleto de ganchos para um terceiro filme) como para os pais que têm de levar os filhos ao cinema para acompanhar os 147 minutos de ação, explosões, parafernálias tecnológicas e a eterna relação do ser humano com o desconhecido.

Em cartaz: dia 24, quarta, nos cinemas nacionais

Classificação: 12 anos

* texto de heitor augusto, publicado originalmente no site do cineclick

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Cinema: Romeu - O Vira-Lata Atrapalhado

Com a força do nome Walt Disney Pictures, Romeu - O Vira-Lata Atrapalhado chega aos cinemas. Mas a marca fica somente nos créditos iniciais: aqui, o espectador está longe de encontrar o padrão de qualidade do mais importante e tradicional estúdio de animações. A primeira cena já entrega: é uma animação indiana. Trata-se de uma sequência musical na qual o protagonista aproveita sua mansão, com belas cadelas (sem trocadilhos, estou me referindo ao sexo feminino canino) e mordomias.

Mas é um sonho; na verdade, Romeu é um vira-lata que acaba de ser abandonado na rua pelos donos, que se mudaram para Inglaterra. Nas ruas, ele conquista amigos por saber cortas cabelos – ou seria tosar? – e até se apaixona pela dançarina de uma boate. A primeira cena, além de já demonstrar ser uma trama indiana, também revela ao espectador que se trata de uma animação precária, no mínimo.

Tudo bem, a Índia pode ter a cinematografia mais produtiva do mundo, mas não há tradição em animações, muito menos um pólo de desenvolvimento. Embora exista a mão da Disney na co-produção, não adiantou muito e o primeiro longa-metragem de Jugal Hansraj – também roteirista da produção – acabou resultando em um filme de técnicas fracas, toscas. A tradução das músicas para a versão dublada do mercado brasileiro, aliás, também não ajuda muito. A animação é repleta de números musicais, o que pode ajudar a prender a atenção dos pequenos.

Pena que, para isso, seus acompanhantes adultos se desesperem na poltrona do cinema enquanto tenta encarar esse roteiro fraco. Sim, porque, não bastando ser esteticamente precário, Romeu - O Vira-Lata Atrapalhado ainda traz uma história chata, sem atrativos, girando em torno da ascensão do pobre, assunto tão prolífico na sociedade indiana, que ainda vê com maus olhos esse tipo de fenômeno.

Em cartaz: dia 11, quinta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Cinema: Home - Nosso Planeta, Nossa Casa

O filme Home - Nosso Planeta, Nossa Casa (Home, França, 2009), dirigido pelo francês Yann Arthus-Bertrand e produzido por Luc Besson (de Arthur e os Minimoys e O Quinto Elemento), estreia amanhã simultaneamente em 126 países em telas ao ar livre, cinemas, internet, televisão e em DVD. Coincidindo com a celebração do Dia Internacional do Meio Ambiente, milhões de espectadores devem se reunir aos pés da Torre Eiffel em Paris, no Central Park em Nova York, na Trafalgar Square em Londres e em outros pontos do planeta onde o filme será projetado em telas ao ar livre.

O documentário é uma iniciativa sem fins lucrativos e os produtores optaram por abrir mão dos direitos autorais em todos os formatos, desde a sala de cinema aos canais abertos na internet. Nas primeiras horas desta sexta-feira, o
YouTube colocará no ar versões do filme em inglês, alemão, espanhol e francês, que também estarão disponíveis na página oficial do documentário em http://www.home-2009.com/.

Mais de uma centena de emissoras de TV em todo o mundo transmitirão o filme, entre as quais o canal árabe Al-Jazira, que se encarregou da tradução para o idioma local. Só na França, duzentas salas de cinema passarão o filme em uma sessão única, seguida em alguns casos de debates com profissionais ligados à ecologia. Os DVDs dos filmes estarão à venda pelo preço simbólico de 4,99 euros e 20 mil cópias serão distribuídas gratuitamente para que sejam reproduzidas em colégios e até em prisões.

A produção de Home levou dois anos de filmagens, em 54 países, e mais de 500 horas de material bruto, para criar um documentário de duas horas que não pretende oferecer uma resposta ao problema ambiental, mas mostrar a situação do planeta para que cada pessoa pense em uma solução. Neste sentido, o diretor do filme, o fotógrafo Yann Arthus-Bertrand, disse que seu objetivo era "convencer" os cidadãos da necessidade e da possibilidade de atuar, para evitar que o homem termine destruindo a vida no planeta.

Inspirado no documentário Uma Verdade Incoveniente, do ex-candidato presidencial dos EUA, Al Gore, os últimos 15 minutos de filme sugerem algumas pistas, nunca soluções pré-fabricadas, porque cada pessoa deve encontrar sua forma de atuar e terá "6 bilhões de maneiras" para fazê-lo, explicou o diretor. Para o artista de 63 anos, aí está a importância de que o filme seja gratuito, para garantir que "seja visto pelo maior número de pessoas no mundo", apontou.


Home foi filmado inteiramente do ar, do alto de helicópteros, de aviões, torres, como A Terra Vista do Céu (1994) o filme anterior do fotógrago, em que, com o patrocínio da Unesco, realizou um "inventário" das mais belas paisagens do planeta. Arthus-Bertrand explica na página oficial de Home que deseja ressaltar "não são os 50% das florestas que já desapareceram, mas os 50% que restam", pois hoje "o importante é que somos 6 bilhões de inteligências" con capacidade de ação para mudar as coisas.

Em cartaz: dia 05, sexta, nos cinemas nacionais

Classificação: livre

* texto publicado originalmente no site do estadão

Cinema: Exterminador do Futuro - A Salvação

Quarto filme da série Exterminador do Futuro, iniciada em 1984, O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator: Salvation, EUA/Inglaterra/Alemanha, 2008) dá um viés totalmente diferente à franquia, sem deixar de explorar os mesmos elementos que fizeram a fama da série protagonizada por Arnold Schwarzenegger. Aliás, a ausência do atual governador do Estado da Califórnia neste quarto filme é o mote que o torna diferente dos filmes anteriores.

Nesta nova aventura, ambientada em 2018, o líder da resistência John Connor (Christian Bale) tem a missão de defender o jovem Kyle Reese (Anton Yelchin, o tripulante russo de Star Trek, ganhando bom destaque no elenco), evitando sua morte pelas mãos das máquinas da Skytec, empresa que está sempre empenhada em dominar o planeta por meio de seus violentos e cada vez melhor desenvolvidos robôs. Nessa missão, Marcus Wright (o pouco conhecido e competente Sam Worthington) aparece como um possível aliado.

Claro que nesta trama há muitas voltas e entremeios que cabe ao espectador descobrir. O que é possível dizer sobre este novo filme da série é que ele investe pesado nas cenas de ação, dirigidas de forma competente por McG (de As Panteras: Detonando). Se a ideia é renovar, alguns elementos, espécies de piadas internas para os fãs da franquia, foram preservadas em O Exterminador do Futuro: A Salvação. Um deles é a música You Could Be Mine, dos Guns’n Roses, que esteve na trilha de O Exterminador do Futuro 2, e a emblemática frase "I’ll be back" (eu voltarei).

Schwarzenegger, no entanto, recusou atuar no filme, mas McG não deixou barato e colocou digitalmente na Skynet um ciborgue com a aparência do ator no primeiro filme da série. Além disso, Linda Hamilton - que interpreta a mãe de Connor - também aparece neste novo filme, mas somente em voz.

O Exterminador do Futuro: A Salvação mantém os elementos narrativos que construíram as tramas anteriores, embora tenha a intenção clara de renovar a franquia depois do não muito bem-sucedido O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas - com orçamento de US$ 200 milhões, rendeu US$ 150 nas bilheterias dos EUA. Tática que não deu muito certo em resposta nas bilheterias, já que, com o mesmo orçamento do filme anterior, estreou nos EUA faturando somente R$ 52 milhões no primeiro fim de semana.

Mesmo assim, o próximo filme da franquia está a caminho, sendo previsto para estrear em 2011, ainda sob a direção de McG.De fato, O Exterminador do Futuro: A Salvação tem excelentes cenas de ação, que prendem a atenção do espectador de forma bem-sucedida. O roteiro mostra algumas soluções criativas para a complicada trama que envolve um futuro apocalíptico e um herói que, como sempre, tem o objetivo de salvar a humanidade (e Christian Bale se sai bem na função de incorporar esse tipo de personagem).

No entanto, quando o longa realmente abraça essa mensagem mais virtuosa, digamos, escorrega. Na conclusão, despenca e acaba deixando o espectador com sabor de decepção por conta do final mal resolvido.

Em cartaz: dia 05, sextas, nos cinemas nacionais

Classificação: 12 anos

(angélica bito*)

* a amiga jornalista angélica bito - de quem aprecio muito o trabalho - escreve para o site cineclick (um endereço bacana que traz críticas e informações sobre o universo cinematográfico)