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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Literatura: Tem um Cabelo na Minha Terra

Está na capa: Uma história de minhoca. E é isso mesmo. No livro do cartunista americano Gary Larson, uma simpática família de minhocas -pai, mãe e filho-, conversa durante o jantar, dois ou três palmos abaixo da terra. Mas o assunto que rola na mesa não é nada leve, como avisa o prefácio assinado pelo famoso cientista Edward Wilson. Larson descreve "o que nós, biólogos, sempre soubemos: a natureza funciona na base do 'bobeou, dançou'... O que uma criatura consome, outra tem de proporcionar".

Como nas fábulas de La Fontaine, as minhocas-protagonistas de Tem um Cabelo na Minha Terra (R$ 32,50, Cia. das Letrinhas) falam. Mais que isso, ensinam que a natureza é selvagem, bem diferente da visão idealizada que encontramos em tantos livros, e que há muito mais guerra do que paz por trás do cantos dos pássaros, dos lagos azuis e das florestas grandiosas. Que o diga a Benedita, a heroína-vítima da história. Desenhos coloridíssimos e muito humor (negro, para alguns, inteligente, na minha opinião) mostram que a vida é mesmo dura. Como qualquer bom livro "infantil", este é indicado para leitores de todas as idades. Eu adorei.

(silvana tavano)

* Mais uma indicação da amiga Silvana Tavano - editora da revista Marie Claire, blogueira do Diários da Bicicleta e autora da série de livros que contam as aventuras da bruxinha Creuza. Leia uma entrevista com a escritora aqui

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Literatura: O Namorado da Fada

Em 2006, o cartunista Ziraldo lançou O Menino da Lua, que contava a história de Zélen e seus amigos habitantes dos outros planetas do sistema solar. A obra obteve tanta procura de seu público infantil que o autor se prontificou a escrever um livro para cada planeta. E assim veio, no ano passado, A Menina das Estrelas, e agora O Namorado da Fada ou Menino de Urano (Melhoramentos, R$ 25).

A exemplo dos anteriores, este traz belíssimas ilustrações e um enredo interessante sobre um garoto que se apaixonou por uma fada. Além de contar a vida de Théo, as páginas revelam a vida e os sentimentos de uma fada e mostram que as bruxas tembém têm bom coração. Leia no post abaixo uma entrevista que fiz com Ziraldo na época em que chegava às prateleiras das livrarias O Menino da Lua.

(shirley paradizo)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

No mundo de Harry Potter

Quando J.K. Rowling sugeriu que Relíquias da Morte seria sua última viagem para Hogwarts, muitos fãs ficaram decepcionados. Outros acharam que ela estava mesmo era "fazendo charminho" e que dificilmente iria abandonar uma série literária de tamanho sucesso - o bruxinho e companhia renderam à escritora um patrimônio avaliado hoje em 1 bilhão de dólares, tornando-a uma das personalidades mais ricas da Inglaterra. Pois bem, o universo de Harry Potter não morreu e retorna no dia 4 de dezembro com Os Contos de Beedle, o Bardo, em um lançamento mundial, incluindo no Brasil.

Se você acha que já viu esse nome antes, não está enganado. O livro foi aquele que Hermione ganhou de presente de Dumbledore em Relíquias da Morte, com várias histórias infantis do mundo dos bruxos. Com introdução, notas e comentários de Alvo Dumbledore, Os Contos de Beedle promete revelar um pouco mais da personalidade fascinante do professor, além de trazer de volta nomes conhecidos dos fãs de Potter e histórias curiosas sobre o passado da famosa escola da magia.

Vale destacar que esses cinco contos ilustrados pela própria autora tiveram, em 2007, uma tiragem limitada e artesanal de apenas sete exemplares que foram leiloados, que foram leiloados em prol da instituição de caridade mantida por Rowling e arrematado por US$ 4 milhões pela Amazon.

(shirley paradizo)

* Texto publicado originalmente no site da revista Monet

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Literatura: The 39 Clues - The Maze of Bones

Desde o fim da saga Harry Potter, a editora Scholastic vem testando diversas obras para substituir - em gênero e, principalmente, em números - o bruxinho criado por J.K. Rowling. E eis que surge a nova aposta da empresa: a série multimídia The 39 Clues (As 39 Pistas, em tradução livre), ainda sem previsão de lançamento no Brasil. E parece que o tiro foi certeiro.

O primeiro dos 10 livros da série, The Maze of Bones (algo como O Labirinto de Ossos), nem bem chegou às livrarias, e já teve seus direitos cinematográficos adquiridos pela DreamWorks, de Steven Spielberg, que irá dirigir a versão para o cinema.

A história envolve dois irmãos, Dan, de 11 anos, e Amy Cahill, de 14, são convocados para a leitura do testamento da avó. A matrona lhes propõe uma herança de U$ 1 milhão ou seguir as tais das 39 pistas os mistérios de sua poderosa família (Abraham Lincoln, Benjamin Franklin e Mozart seriam parte dos Cahill). Para descobrir esse segredo, escondido em alguma parte do mundo, os irmãos partem em busca das 39 pistas, assim como seus parentes, que se separam em grupos.

Apesar de não contar com seres fantásticos, bruxos, varinhas ou vassouras voadoras, o livro conta com outro tipo de mágia: uma trama recheada de suspense, traições e aventuras. Sem falar que a série traz algo para lá de inovador no mercado literário. Ao contrário de Harry Potter, escrito unicamente por Rowling, os livros de The 39 Clues são obra de vários autores, sendo o primeiro assinado por Rick Riordan, que também ajudou a formatar o arco de dez livros.

Além dessa característica "coletiva", a série ainda conta com uma coleção de mais de 350 cartas com pistas, para os leitores tentarem descobrirem o segredo por conta própria e um sofisticado website, com jogos, blog e vídeos. E os leitores que participarem da corrida para desvendar o segredo concorrem a prêmios em dinheiro. Enquanto The Maze of Bones não chega por aqui, você pode encomendar a obra (em inglês) em sites de venda online como Amazon.com e em livrarias como Cultura ou Saraiva. Confira outros livros da série.


The 39 Clues: One False Note - o segundo volume da saga leva assinatura do não menos brilhante Gordon Korman (de O Filho da Máfia e da série Desafio). Amy e Dan Cahill continuam sua jornada para decifrar as pistas do grande segredo deixado pela sua avó. Agora eles estão mais perto de desvendar outros enigmas. Um ou dois podem ser adivinhados rapidamente, mas existem outros que são realmente uma surpresa. Mais segredos da família Cahill são desvendados. Só que essa empreitada não vai ser nada fácil para os dois irmão. A dupla acaba como suspeitos da polícia durante uma batida no hotel onde estão hospedados e, acredite, são perseguidos por uma multidão enfurecida!

(shirley paradizo)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Literatura: A Dança da Floresta

A escritora Juliet Marillier é pouco conhecida no Brasil, mas suas encantadoras obras fazem muito sucesso entre os fãs de fantasia, como a série Sevenwaters ou As Crônicas de Bridei. A Dança da Floresta (Editora Prumo, R$ 37) é um trabalho mais atual da autora e faz parte de uma série com o mesmo nome do título original chamado Wildwood Dancing, publicado em 2007 nos EUA. Mas, acredite, a espera valeu a pena. O livro é completamente mágico e envolvente. Sabe, daqueles que você começa a ler e ler e não consegue parar até chegar à ultima página.

Inspirado no conto de fadas As Doze Princesas Bailarinas, tem uma história que transita entre um mundo mítico e um castelo real na Transilvânia, onde vivem cinco irmãs ávidas por emoções e aventuras. A cada Lua Cheia, elas têm permissão de abrir um misterioso portal para uma floresta encantada, habitada por seres fantásticos. Lá, elas dançam a noite toda até seus pés não agüentarem mais. Porém, suas vidas muda completamente quando o pai adoece e, por recomendações médicas, viaja para uma região com um inverno é mais ameno. As meninas agora precisam cuidar dos negócios da família e deixar tudo em ordem. As coisas vão bem até que um trágico acidente deixa tudo fora de controle. Para piorar, uma das meninas se apaixonara por uma das misteriosas criaturas da Clareira Dançante da floresta... e isso não é nada bom!

(shirley paradizo)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Literatura: The Oder Side

Não é a mesma coisa que folhear um livro "ao vivo" e a idéia nem é essa: o Lookybook é uma espécie de cardápio-literário virtual, com dezenas de sugestões que as crianças (e também os pais) podem conferir, olhando página por página de um livro antes de comprar. Não é o caso pra quem não se interessa por textos escritos em inglês mas, ainda assim, dá pra passear pelas ilustrações e divertir bastante no site, escolhido como um dos 50 melhores de 2008 pela revista Time. Pincei um lindo exemplo: o livro-imagem O Outro Lado, de Istvan Banyai, editado aqui pela Cosac Naify.



(silvana tavano)

* Mais uma indicação da amiga Silvana Tavano - editora da revista Marie Claire, blogueira do Diários da Bicicleta e autora da série de livros que contam as aventuras da bruxinha Creuza. Leia uma entrevista com a escritora aqui

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Literatura: Artemis Fowl - Graphic Novel

O gênio do crime está de volta, mas em uma nova versão. Artemis Fowl - Graphic Novel (R$ 23, Galera Record) reconta a história do primeiro volume da série homônima criada por Eoin Colfer e que também, claro, assina a adaptação para os quadrinhos. A trama segue a original. Sempre que um plano maquiavélico acontece, pode ter certeza que, por trás dele, há a mão do jovem herdeiro do clã Fowl, uma lendária família de personagens do submundo, célebres na arte da trapaça. Depois que seu pai desaparece misteriosamente com parte da fortuna da família, Artemis se vê na obrigação de assumir o posto do patriarca.

E ele não quer apenas poder, ele deseja ouro, mais precisamente o ouro do Povo das Fadas. Em um lance ousado e infeliz, ele seqüestra a capitã Holly Short, uma elfo valente e irritada da unidade de elite da polícia. O problema é que esses seres encantados não são aqueles dos contos de fadas, eles estão armados e são perigosos. Em pouco tempo, Artemis se vê em meio a um exército de fadas, gnomos, elfos e trolls com armas muito mais avançadas do que as dos humanos. No melhor estilo James Bond infantil, o HQ combina lendas celtas, seres encantados, aventura e muita ação.

Leia entrevista com o autor Eoin Colfer abaixo e confira mais informações no site oficial de Artemis (em inglês).

(shirley paradizo)

Entrevista: Eoin Colfer

Sou uma grande fã de Eoin Colfer, acompanho a carreira do escritor desde que o primeiro livro da saga Artemis Fowl foi lançado no Brasil e adoro sua maneira de contar histórias. Elas são criativas, inteligentes, irônicas e tem o dom de nos prende da primeira à última página. Sem falar que Colfer, como poucos autores, consegue transformar o lugar comum em algo surpreendente. E eu tive a oportunidade de entrevistá-lo na época em chegava às prateleiras do país Pânico na Biblioteca, um livrinho muito bacana e mais infanil que Artemis. Aqui segue a entrevista que fiz na ocasião, para a revista Monet, em novembro de 2005.

É verdade que Pânico na Biblioteca tem um pouco da sua infância?
Sim, ele uma leve inspiração na minha infância. Queria contar a meu filho, que tem 8 anos, como foi crescer com quatro irmãos e escrever algo que ele conseguisse ler. E também quero mostrar aos leitores como ler é valioso e importante para todos. Mas o principal é fazer com que as crianças curtam e dêem boas gargalhadas.

Escrever livros infantis sempre foi uma meta?
Sempre gostei de contar histórias e acho que sim. Na época em que trabalhava como professor primário, tinha o hábito de inventar histórias a fim de despertar o interesse dos meus alunos pelos temas que ensinava em sala de aula. O método deu certo e, então, decidi colocar essas idéias no papel.

Quais foram suas fontes de inspiração?
Sou fã de fantasia desde que aprendi a ler. Adoro Tolkien e C.S. Lewis. Na adolescência, lia sem parar e sempre soube que, se me tornasse escritor um dia, cairia nesse gênero. E foi o que aconteceu com Artemis Fowl.

Esperava que a série Artemis Fowl fosse ter essa repercussão?
Fiquei surpreso. É incrível como uma história escrita em uma cabana na Irlanda faça tanto sucesso no mundo todo. Estou muito feliz com o resultado.

Aliás, nos últimos livros, Artemis está ficando bonzinho. Não acha que essa mudança pode afastar os fãs da série?
Não. Por que, para ele, isso é desafio e muitos obstáculos sempre surgem em seu caminho. Como vilões, sua própria consciência e alguns deslizes.

Você já está trabalhando em uma nova continuação?
Sim. Acho que dessa vez ele vai enfrentar um vilão à sua altura. Uma versão feminina de Artemis. Ele agora é adolescente e com hormônios despertando. Seria interessante ver como ele reagiria ao deparar com alguém tão inteligente como ele e ainda por cima uma garota.

E como ela vai ser? Já tem um nome?
Ainda não sei. É ainda cedo para dizer.


Quando cria um personagem, você se inspira em pessoas que conhece na vida real?
Sim e não. Às vezes, pode conter uma característica de uma amigo, algo engraçado que presenciei ou mesmo um nome que me chamou a atenção... Aliás, o seu é bem diferente... Me parece que tem origem italiana, estou certo? (Bem, disse que sim... e o livro Artemis Fowl - A Colônia Perdida foi publicado no Brasil em 2007 e, para minha surpresa, Colfer batizou a vilã de Minerva Paradizo. Coincidência ou não, gosto de imaginar que, de uma certa forma e bem pequenininha, contribuí para essa história.)

(shirley paradizo)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Entrevista: Neil Gaiman

Ao escrever o texto sobre a dica do livro Stardust - O Mistério da Estrela, lembrei de uma entrevista bem bacana que o ex-diretor de redação da Monet, Alexandre Maron, fez com Neil Gaiman, na época em que o filme estava sendo lançando nas telas de cinema por aqui. Aqui vai e na íntegra!

Preto. Camisa, calça e sapato. Tudo preto. Você sempre vai encontrar Neil Gaiman, 46, vestido do mesmo jeito. Ele economiza criatividade nas roupas, mas viaja nas histórias sobre mundos mágicos e deuses vencidos. Fomos encontrá-lo para um bate-papo em Londres sobre Stardust, o filme, e seus novos trabalhos.

Qual era seu objetivo ao criar Stardust?
A intenção era escrever um conto de fadas para adultos. Mas a associação de bibliotecários dos EUA classificou Stardust como o livro adulto que as crianças queriam ler. E o livro foi migrando para prateleiras diferentes. Stardust virou um filme para a família, mas não no sentido de ser inócuo. Eu não queria aquele tipo de filme que faz tudo para não desagradar a ninguém. Mas, sim, um filme que tivesse algo para várias idades. Minha filha não gosta de cenas de beijo. Mas adora os piratas e as bruxas.

Por que alguém leria Stardust depois do filme?
Porque é diferente. É um livro, foi escrito como um conto de fadas para adultos. O que foi divertido foi encontrar equivalentes fílmicos para algumas situações. Por exemplo, uma das delícias do livro é a forma como os personagens não conseguem se encontrar no clímax. Mas eu me lembro da primeira vez em que eu ia fazer o filme com a Miramax e eles disseram: vamos ter que colocar todos na mesma sala. Precisamos de um clímax. É para isso que você vai ver os filmes. Se a pessoa vai ao cinema e não vê isso, fica frustrada. Há prazeres que você tira somente dos livros. É uma experiência diferente.

Como está a produção de Morte?
Tudo parece estar caminhando. Mas fica indo e vindo. Estamos tentando aprovar elenco e orçamento. Estou curtindo porque Guillermo del Toro é meu produtor executivo. Ele me convidou para ficar duas semanas com ele no set de Hellboy 2 e segui-lo como uma sombra. Demorei um segundo para decidir.

Qual é a melhor versão de Stardust? O filme ou o livro?
O que eu quero é um mundo em que as pessoas venham falar comigo depois do filme e digam: eu amei o filme; Charlie Cox está ótimo; Michelle Pfeiffer é assustadora; De Niro era engraçado; vou comprar o DVD; vou levar meus filhos... Mas o livro era melhor [risos].

* Entrevista realizada por Alexandre Maron e publicada originalmente na revista MONET, em novembro de 2007, edição 56.

Estante: Stardust - O Mistério da Estrela

A parceria entre Neil Gaiman e Charles Vess já rendeu bons frutos, entre eles Sonhos de uma Noite de Verão, uma das melhores uma das melhores tramas de Sandman e a primeira a história em quadrinhos a receber o World Fantasy Award. Em Stardust - O Mistério das Estrela (R$ 28, Rocco), a dupla repete a dose. A princípio, a obra foi concebida originalmente por Gaiman como uma HQ, mas Vess achou que o enredo se sairia melhor se mudasse o formato para um livro ilustrado para adultos. E assim foi. O resto é conto de fadas, e dos bons!

O jovem Tristan Thorn vive em uma pequena vilarejo vitoriano chamada Wall (Muralha) e se apaixona por Victoria, a moça mais bonita das redondezas. Para provar seu amor, ele promete à amada lhe dar de presente uma estrela cadente, iniciando uma jornada em fronteiras proibidas para seu povo. Afinal, do outro lado do muro há uma terra repleta de bruxaria, seres fantásticos e perigos. Durante a viagem, ele faz amizade com uma estranha criatura e encontra a estrela. Para sua surpresa, o astro, na verdade, é uma garota e, se ela for levada para sua aldeia, perderá toda a magia, transformando-se apenas uma pedra que caiu do céu.

Para compor sua história medieval, Gaiman optou por uma "escrita antiquada", usando caneta tinteiro e um caderno de capa de couro. Tudo para evocar os costumes dos escritores do início do século 20, como Lord Dunsany e Hope Mirrlees. E, sim, o texto é bastante poético, mesclando momentos de pura magia a passagens um tanto duras.

Essa nova edição da Rocco não traz (infelizmente) as belíssimas pinturas criadas por Vess para a história nem as intermináveis e sofríveis "notas do tradutor" (e este é o lado bom) da edição original publicada pela Conrad no ano passado e republicada pela Pixel Media (R$ 49,90). Bem, não importa por qual das edições você vai optar. Desde que escolha uma delas. Stardust é o tipo de obra indispensável em sua coleção.

Stardust no cinema

No ano passado, o livro de Gaiman ganhou uma adaptação para o cinema e está disponível em DVD (R$ 44,90, Paramount). Stardust leva a assinatura do diretor inglês Matthew Vaughn (de Nem Tudo É o que Parece) e conta com Claire Danes, Charlie Cox, Sienna Miller, Ricky Gervais, Jason Flemyng, Peter O'Toole, Michelle Pfeiffer, Robert De Niro, Ian McKellen (narrador) no elenco. Assim como o livro, o filme, apesar do clima de contos de fadas, não foi feito para crianças. Sua temática e comentários são voltados para o público adulto. Vale conferir.

(shirley paradizo)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Literatura: As Frangas

"Se você conhece alguma história de galinha, quero saber. Ou invente uma bem boazinha e me conte." O recado da escritora Clarice Lispector está no finalzinho do encantador A Vida Íntima de Laura, livro que o escritor Caio Fernando Abreu considerava "a melhor história sobre galinhas" que ele conhecia. Clarice dispensa comentários - a trajetória de Laura é pura epifania. Mas confesso que me apaixonei por Ulla, Gabi, as Marias (Rosa, Rita e Ruth), Otília, Juçara e Blondie, as simpaticíssimas galinhas, quer dizer, As Frangas (Editora Globo), de Caio Fernando Abreu.

Anos atrás, durante algum tempo, esse livro era "o" presente que meu filho levava para todos os amigos e amigas nos aniversários. Até que, um dia, eu e ele percebemos que tinha gente ganhando o livro pela segunda vez.

Há algumas semanas, no meio de um cafezinho com as amigas-escritoras Carla Caruso e May Shuravel, as frangas apareceram na conversa - lá fui eu reler e, de novo, me apaixonar pelo texto de Caio: "... Tenho que explicar que gosto muito mais de chamar galinha de franga do que de galinha. Por quê? Olha, pra dizer a verdade, nem sei direito. Quando olho para uma galinha, acho ela muito mais com cara de franga. Acho mais engraçado. Ou só acho que acho, nem sei. Faz tanto tempo que digo franga que agora já acostumei..."

O livro é de 1988, é o único texto de CFA dedicado ao público infantil e foi considerado Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil. Na minha opinião, As Frangas é altamente recomendável pra todo mundo.

(Silvana Tavano)

* Mais uma indicação da amiga Silvana Tavano - editora da revista Marie Claire, blogueira do Diários da Bicicleta e autora da série de livros que contam as aventuras da bruxinha Creuza. Leia uma entrevista com a escritora aqui

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Literatura: Como Começa?

A jornalista Silvana Tavano já colaborou algumas vezes com o blog, dando dicas de livros infantis - dicas, aliás, sempre bem-vindas. Além de trabalhar como editora da revista Marie Claire, da Globo, e de editar o blog Diários da Bicicleta, ela colabora com revistas e suplementos voltados ao público infanto-juvenil e é escritora de livros infantis. E das boas. Em 2005, publicou o primeiro livro que acompanha as aventuras de uma simpática bruxinha em Creuza, Crise: 4 Histórias de Uma Bruxa Atrapalhada (Companhia das Letrinhas), e O Mistério da Gaveta (Saraiva). Em 2007, foi a vez de As Encrencas da Creuza: 4 e 1/2 Histórias de uma Bruxa em Apuros (Companhia das Letrinhas).

Agora, a Silvana lança Como Começa?, na Bienal do São Paulo, onde vai marcar presença no estande da Editora Callis para uma tarde de autógrafos, no dia 17, domingo, das 16h às 17h. O livro, que conta com ilustrações criadas por Elma, nem bem chegou às prateleiras da livraria e já inspirou a mais nova montagem da Cia. de Dança Aberta, um grupo de pesquisa em dança formado e dirigido por Julia Ziviani. Confira a seguir uma entrevista com a escritora.

Qual é a história de Como Começa?
Neste livro, não há propriamente uma história. A partir de perguntas (aparentemente) infantis, Como Começa? instiga as crianças a pensarem nos jeitos tão diferentes que muitas coisas podem começar.

Você já está trabalhando em outro livro?
Sim, o As Namoradas do Meu Pai, que deve ser lançado até outubro.

A bruxinha Creuza foi sua primeira investida na literatura?
Ela foi a protagonista das primeiras histórias. Mas essa personagem continua aparecendo em livros e também nas mininivelas em "postículos" que publico no meu blog.

Faz tempo que você escreve histórias?
Trabalho como jornalista há quase 30 anos, mas os livros são novidade na minha vida. Comecei a escrever em 2003 e a primeira aventura da Creuza foi publicada em 2005.

O que levou você a se dedicar aos livros infanto-juvenis?
O meu "sucesso doméstico" [risos]. Falando sério. Descobri que gostava de inventar histórias depois que meu filho Caio nasceu... Após alguns anos, algumas dessas histórias pularam para o papel.

Costuma-se dizer que adultos que gostam de desenhos animados e literatura fantástica, tipo a saga de Harry Potter, "esqueceram de crescer", que temem a vida adulta ou se escondem atrás da infantilidade para não assumir as responsabilidades de um adulto. O que acha disso?
Nossa! Isso até parece "síndrome" - podia chamar "complexo de Peter Pan" [risos]. Na verdade, acho que esse tipo de afirmação não faz o menor sentido. Literatura de qualidade não tem idade - eu mesmo vivo presenteando "meninas" de todas as idades com A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga. Do mesmo modo, uma linda animação vai ser apreciada por quem gosta de animação, seja qual for sua idade.

Por falar em desenhos, você gosta de animações? O que costuma assistir?
Gosto muito de animação. Adorei As Bicicletas de Belleville, A Viagem de Chihiro... Na TV, prefiro as antigas, tipo Gato Felix, Pica-Pau e, no topo da lista, Tom & Jerry. Mas também gosto de novas séries, como Os Padrinhos Mágicos.

(shirley paradizo)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Literatura: A ilha da fantasia

Abertamente inspirado nas aventuras de Robson Crusoe, A Ilha de Nim (R$ 26, Brinque-Book) nos leva a uma viagem fantástica ao lado de uma garota que mora em uma ilha paradisíaca e deserta no meio do oceano. Órfã de mãe, ela vive na companhia do pai, Jack, um renomado cientista, e dos seus melhores amigos - o iguana-marinho Fred e uma leão-marinho chamada Selkie. Nem ela nem o pai querem saber de outra vida.

Pudera. Nossa protagonista sobe em coqueiros, mede o vento e as marés, colhe frutas, cuida da horta, faz seu próprio pão e checa os e-mails do pai, que escreve artigos sobre o clima, a fauna e a flora da ilha. Ou seja, sua vida é perfeita, até que um dia Jack desaparece com seu barco durante uma tempestade e ela se vê completamente sozinha. Para resolver as adversidades, Nim percebe que tem de ser mais valente do que nunca e contar com a ajuda dos amigos para sobreviver.

Com linguagem leve, divertida e sofisticada, a obra da canadense Wendy Orr - que conta com ilustrações e um belo mapa de Kerry Millarde - funciona como um épico que mistura fantasia, realidade e lições sobre convivência com a natureza. A autora já publicou 24 livros e mais de 40 prêmios em seu currículo. A Ilha de Nim foi nomeada como um dos melhores livros para crianças pelo jornal LA Times e eleito o melhor livro para jovens leitores segundo a The West Australian Young Reader's Book Award, em 2001. Com essa fama, era de se esperar que ganhasse uma versão para o cinema, batizada de A Ilha da Imaginação. O longa-metragem infanto-juvenil, estrelado por Jodie Foster, Abigail Breslin (de Pequena Miss Sunshine) e Gerard Butler (de 300), está em cartaz nos cinemas de todo o país e vale ser conferido.

Confira a entrevista exclusiva com a escritora feita pela amiga, parceira e jornalista Cristiane Rogerio, da revista Crescer no post abaixo ou clique aqui.


(shirley paradizo)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Literatura: Para não dizer que não falei de coelhos

Os livros infantis e todos que tratam a literatura fantástica, pelo menos para mim, são muito próximos das animações - tanto que normalmente costumam ganhar versões cinematográficas animadas ou live-action. Por isso, decidi dedicar um espaço também para falarmos sobre os livros encantados. Como primeira texto, escolhi um da amiga jornalista Silvana Tavano.

O elegante Edward Tulane é um coelho amado e exageradamente mimado pela menina Abilene. Quase todo de porcelana (só suas orelhas e o rabo fofo são revestidos de pele de coelho de verdade), Edward, um dia, é obrigado a viajar e acaba sendo literalmente lançado ao mar, mergulhando na longa e difícil aventura do auto-conhecimento. A Extraordinária Jornada de Edward Tulane (Editora Martins Fontes) foi um dos livros que li por indicação da Paula, uma menina encantadora, estudante do colégio Santo Inácio, com quem fiquei conversando um tempão sobre livros certo dia na Livraria da Vila.

Não é difícil adivinhar o que vai acontecer e como termina a jornada heróica e transformadora do coelho de porcelana, mas o texto da americana Kate DiCamillo (traduzido por Luzia Aparecida dos Santos) é delicado, emociona na medida e dá o recado sem escorregar na pieguice. As lindas ilustrações de Bagram Ibatoulline seguem o mesmo tom. Fiquei com vontade de ler O Tigre, da mesma autora.

(silvana tavano)

* Esta indicação de livro da Silvana Tavano foi publicada em seu blog, Diários da Bicicleta, e ela me permitiu reproduzir aqui. Além do blog, a amiga e jornalista – que eu admiro muito – é editora da revista MARIE CLAIRE e autora de uma série de livros que contam as aventuras da bruxinha Creuza.