sexta-feira, 30 de maio de 2008

Mudança de endereço

A Fox revelou vídeos da nova animação The Cleveland Show, spin-off (série derivada) de Uma Família da Pesada. Nele, os vizinhos dos Griffin se mudam para Stoolbend, no Estado da Virginia, onde onde 70% da população é branca. O seriado tem produção e roteiros do mesmo criador do original, Seth MacFarlane. Mike Henry, o dublador de Cleveland, será também produtor e roteirista do desenho, ao lado de Rich Appel (de American Dad). Treze episódios foram inicialmente encomendados e estão previstos para estrear no Brasil em março do ano que vem. Confira um dos teasers, no qual Cleveland e Peter Griffin conversam sobre o que veremos no derivado.

Seleção Anima Mundi

Depois de alguns anos praticamente ausente do Festival Internacional de Animação Anima Mundi, os desenhos japoneses retornam com força total nesta edição, marcando presença em quase todas as categorias. Em Infantil, o destaque fica por conta de Vegetable Fairies Season 2 Episode 5: Teh Lost Piano (de Nobuyoshi Satoh e Tetsuji Nakamura). Já em Curta-metragens, vale ressaltar Franz Kafka Inaka Isha e Kodomo no Keijijogaku (ambos de Koji Yamamura), que disputam com How to Hook Your Home Theater (foto), estrelado por nada mais que Pateta. Dirigido por Kevin Deters e Stevie Wermers-Skelton, a animação traz cerca 50% de sua cenas realizadas por uma técnica de animação sem papel, feitas diretamente no computador por meio de tablets.

O Brasil também está presente, com diversos títulos nas categorias principais. Entre eles, Casinha de Cupim, de Horácio Young Jr., Jardim das Cores, de Guilherme Reis, Seu Lobo, de Humberto Avelar (na categoria Infantil), Belowarks, de Paulo Munhoz (Longa-metragens), Maria Flor, de Camila Carrossine, e Casa de Máquinas, de Maria Leite e Daniel Herthel (Curta-metragens).

O Anima Mundi acontece de 11 a 20 de julho, no Rio de Janeiro, e de 23 a 27 de julho, em São Paulo. Confira a lista dos selecionados no site do festival.

(shirley paradizo)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O peixe de Miyazaki

No Japão, o desenho da vez é Ponyo on the Cliff by the Sea, dos Studios Ghibli. O longa-metragem, que traz um novo conceito em arte (sem o uso de imagens computadorizadas), é assinado por Hayao Miyazaki (de A Viagem de Chihiro), que também dirigiu e roteirizou o filme. Nele, uma jovem peixe fêmea acaba com a cabeça presa dentro de uma jarra, sendo levada para a uma praia. Para sua sorte, um garoto de 5 anos a encontra e eles se apaixonam.

Como? A pequena dourado sonha em ser uma menina de verdade. Bem, já dá para imaginar o que vem pela frente... Quer dizer, mais ou menos. Afinal, o desenho é de Miyazaki, que tem o dom de transformar uma simples fábula em muita filosofia.

Ponyo on the Cliff by the Sea está previsto para estrear no Japão no dia 19 de julho, mas não há notícias sobre seu lançamento no resto do mundo. Vamos aguardar.

(shirley paradizo)

Cientistas malucos

Nem só de Disney, Pixar e DreamWorks vive o universo da animação. A Exodus Film Group iniciou uma enorme campanha para divulgar seu longa animado. Dirigido por Anthony Leondis (ex-artista da Disney) e roteirizado por Chirs McKenna, o desenho digital Igor brinca com os antigos filmes de monstros. O monstrinho corcunda (voz de John Cusack) que dá nome ao título do filme trabalha como assistente de um cientista maluco que luta para vencer o cobiçado primeiro lugar na Feira anual de Ciência do Mal! Mas Igor também seus sonhos: ele deseja, um dia, se tornar um grande cientista também. Ele até já começou a realizar suas experiências, ressuscitando um coelho. Mas não deu muito certo. O dentuço não quer viver e, vira-e-mexe, tenta se matar.

A animação está prevista para estrear em setembro nos EUA. Confira o vídeo, que apresenta o personagem principal e sua aspiração de se tornar um cientista, além de alguns de seus insólitos companheiros.



(shirley paradizo)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Curtinhas

· A Califórnia Filmes está programando para breve o lançamento do pack Speed Racer, que incluiu cinco discos com todos os episódios da série de animação que inspirou o filme dos irmãos Wachowski. Vamos torcer para ser mesmo "breve"!

· Um boato começa a ganhar força sobre um novo projeto do animê Cavaleiros do Zodíaco, que provavelmente terá ligação com o mangá Episódio G. Mas ainda nada se sabe se será um filme, uma série para a TV ou simplesmente um OVAs (Original Video Animation, episódios de anime vendidos em lojas antes de ser exibido na TV ou no cinema). Bem, resta aguardar.

· O compositor Hans Zimmer, de O Rei Leão e Os Simpsons: O Filme, revelou que está compartilhando a assinatura da trilha de Madagascar 2 com o cantor Will.i.am, do Black Eyed Peas. Zimmer disse ainda que planeja viajou para a África (onde se passa o filme) com um gravador em mãos para capturar sons, costumes e músicas locais e, depois, repassou todo o material para o parceiro criar os temas.

· Já está circulando na internet um novo vídeo de Kung Fu Panda. Dessa vez, o foco está no treinamento do urso Po para se tornar um verdadeiro mestre das artes marciais.


(shirley paradizo)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Novo curta da Pixar

Como se sabe, a Pixar sempre exibe um curta-metragem animado antes de seus filmes. E o próximo, batizado de Presto, estréia no Brasil juntamente com o tão aguardado Wall·E, no dia 27 de junho. Dirigido pelo veterano Doug Sweetland – que já havia trabalhado como animador em outros filmes da Pixar e que agora chefia seu primeiro projeto –, o curta é uma grande homenagem aos clássicos desenhos da Warner Bros. e de Tom & Jerry, das décadas de 1940 e 1950.

Na história, um famoso mágico da virada do século passado chamado Presto DiGiotagione precisa apresentar seu show e tirar da cartola seu furioso, e nada feliz, coelho Alec. O bichinho faz tudo para complicar a apresentação e humilhar o mágico. Presto tem de trocar sua varinha por uma cenoura, é atacado por uma escada, tem suas roupas rasgadas, ovos jogados em seu rosto, acaba eletrocutado entre outras clássicas gags. Quando ele sai para um jantar, deixa o animal "fofinho" preso em uma gaiola, com uma apetitosa cenoura maldosamente colocada fora de seu alcance.

(shirley paradizo)

Na vida real

Animação nem sempre é sinônimo de diversão, mas também de temas sérios. Uma das grandes sensações em Cannes foi o documentário animado Waltz with Bashir, do diretor irsraelense Ari Folman, que ganhou elogoios inflamados dos espectadores ao mesclar uma proposta inovadora de linguagem a denúncia política.

No longa, o cineasta de 45 anos empreende uma jornada para relembrar um dos episódios mais drásticos do Líbano, que aconteceu em 1981 quando a milícia cristã abriu fogo em campos de concentrações palestinos. A partir de uma série de entrevistas com soldados israelenses feitas pelo próprio Folman, o cineasta vai resgatando pequenas memórias dos conflitos armados em solo libanês, compondo um mosaico de horrores.

Waltz with Bashir, que custou U$ 2 milhões, foi realizado a partir de uma fusão de diversas técnicas de animação em 2D e 3D. Todas as entrevistas, gravadas em vídeo, foram desenhadas no computador, reproduzindo virtualmente traços dos entrevistados. Segundo informações do site O Globo Online, "não se trata de um caso de rotroscopia, ferramenta usada em Waking life, na qual as imagens de atores reais recebem uma camada de tratamento animado. O efeito aqui parece estilizado, como nas histórias em quadrinhos de Joe Sacco (Palestino). Trata-se de um exercício narrativo inteligente de efeito dramático feroz". Confira mais informações no site oficial do filme.




(shirley paradizo)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Estante: Bee Movie

Bee Movie · Dirigido por Steve Hickner e Simon J. Smith · Produção: Jerry Seinfeld e Christina Steinberg (2007) · Elenco (vozes): Jerry Seinfeld, Rennée Zellweger, Mathew Broderick, Chris Rock, Ray Liotta, John Goodman e Oprah Winfrey

A abelha Barry B. Benson agora pode sobrevoar a sua casa. Bee Movie – A História de uma Abelha chega ao DVD (Paramount, R$ 39,90), com muitos extras bacanas. Barry acaba de se formar na faculdade e espera um trabalho na Honex, onde irá produzir mel. As abelhas, como se sabe, são a sociedade mais eficiente da Terra. Porém, Barry não está muito feliz com essa vida e decide se aventurar pelo mundo, ao lado das abelhas que coletam néctar das flores. Só que ele se perde do bando e conhece a florista Vanessa. Enquanto o relacionamento entre os dois cresce, ele descobre que seres humanos colhem e vendem mel. Por isso, decide processar os humanos.

Como a maioria das animações atuais, Bee Movie conversa tanto com o público infanto-juvenil quanto com os adultos. De um lado, há visuais coloridos, cenas engraçadinhas e insetos fofinhos. Do outro, referências a filmes conhecido dos marmanjos, como A Primeira Noite de um Homem. E, ao final, claro, temos grande lição de moral para os pequenos – que aqui se traduz como a aceitação das diferenças, a convivência em harmonia e o respeito à natureza e os animais.

Além de um entretenimento bacana, o DVD traz uma deliciosa surpresa: antes do início do filme, o astro Ben Stiller conta alguns "segredinhos" sobre a nova produção animada da DreamWorks, Madagascar 2, na qual ele empresta a voz ao leão Alex. O desenho está previsto para estrear nos EUA, em novembro, e no Brasil, em dezembro.

EXTRAS: Comentários de Jerry Seinfeld e dos cineastas; Dentro da colméia: o elenco de Bee Movie; A tecnologia de Bee Movie; Conheça Barry B. Benson; Clipe de We Got the Bee; O zumbido das abelhas; O medidor de Ai!; Abelhas são incríveis; Jukebox da animações da DreamWorks; Games (Seja uma abelha e Treino de polinização); DVD-ROM e Trailers

(shirley paradizo)

Depois do degelo...

Já está circulando nos cinemas e também na internet o teaser trailer de A Era do Gelo 3 (Ice Age: Dawn of the Dinousaurs). A seqüência da comédia animada leva a assinatura do brasileiro Carlos Saldanha (co-diretor do primeiro longa e diretor do segundo) e está sendo realizado em tecnologia 3-D (isso mesmo, para se ver aqueles desconfortáveis óculos especiais).

A história vai contar com a presença dos répteis gigantes, extintos milhões de anos antes do primeiro filme da série. E, aí, surge o grande mistério: como os roteiristas vão se virar para fazer com que esses animais gigantes do título apareçam na vida do mamute Manny e seu grupo? A produção da Blue Sky Studios e da Fox Animation está prevista para estrear em julho de 2009. Confira o trailer, no qual o atrapalhado esquilo Scrat surge com tudo.




(shirley paradizo)

sábado, 24 de maio de 2008

Atriz vira desenho

A comediante Amy Poehler ganha um personagem de desenho com a sua cara. A atriz de Saturday Night Live agora ataca de produtora e roteirista de The Mighty B!, a nova atração do Nickelodeon prevista para estrear no Brasil em agosto deste ano. Amy também empresta sua voz à protagonista, Bessie Higgenbottom, uma bandeirante hiperativa que sonha em ser uma super-heroína. “Ela é como uma mistura dos personagens Animal (dos Muppets) e Patolino: energicamente otimista”, definiu a beldade, em entrevista ao site do TV Guide. Vamos esperar para saber se a animação realmente vale a pena.

(shirley paradizo)

Especial: Ele odeia autoridade

Matt Groening, o criador de Os Simpsons, conta um pouco sobre a família mais badalada e maluca da televisão. Confira a entrevista a seguir feita por Alexandre Maron*

É difícil fazer um programa como esse, com 20 anos?
Temos um time fantástico. Começa com James L. Brooks, ganhador de Oscars e criador de programas de TV. Ele sempre disse que a missão dos Simpsons seria buscar emoção e fazer as pessoas esquecerem que estão vendo um desenho animado.


Ter liberdade de criação foi determinante para o sucesso?

Ajuda muito termos uma audiência enorme. Ninguém se mete a mexer no show. Mas, se a gente perdesse o pique, haveria alguma preocupação. Até aqui, nos deixaram em paz, o que deixa todo mundo mais feliz.


A série tem um fundo político?

Sim. E o filme também será. Há política em tudo que fazemos. Não acho que exista um ponto de vista monolítico. Tenho minhas posições, que são liberais, mas trabalho com republicanos e as vozes deles são ouvidas.


Os Simpsons não envelhecerem limita as histórias?
Você não quer ver o Bart tendo filhos. Uma das melhores coisas dos desenhos animados é que eles não envelhecem. Esses especiais que reúnem elencos de séries antigas são assustadores. A gente vê como todo mundo está diferente. Fizemos uns episódios em que saltamos para o futuro. De vez em quando, trapaceamos fazendo os personagens agirem como se fossem mais velhos. Lisa tem 8 anos e já teve vários romances. Algo que a maioria das crianças dessa idade não costuma ter.


Os personagens tiveram impacto na sociedade?

Me perguntaram se eu acho que
Os Simpsons são contracultura. Espero que sejam. Quero que sejamos uma alternativa para o padrão. James Brooks escreveu que nós tentamos dizer às pessoas que elas não estão sozinhas. Me identifico com isso. Como sou do contra, anti-autoridade, costumo mostrar que as pessoas no poder não têm sempre as melhores intenções. Algumas vezes, essa mensagem passa fácil. Noutras, é desencorajada. Tivemos vários presidentes durante a vida dos Simpsons. Parece que as pessoas estão abrindo suas bocas de novo e falando o que pensam e isso é muito bom. Mas nós sempre fizemos isso.

* Entrevista feita por Alexandre Maron, publicada originalmente na revista Monet, edição de agosto de 2007, número 53

A família de pele amarela

Já comece a poupar fôlego para a estréia da 19ª temporada de Os Simpsons (dia 25, domingo, 20h30, Fox), que chega com a promessa de muitas participações especiais marcantes, um humor ainda mais ácido do que nos anos anteriores e muita confusão. Ou seja, a família de pele amarela está pior do nunca e o seu criador, Matt Groening, não mediu esforços para "debochar" de tudo o que surgiu à sua frente, desde a sociedade americana e celebridades a produções do cinema e da TV. E o primeiro episódio, He Loves To Fly and He D'oh, é só uma pequena amostra do vem por aí.

Nele, Homer, acredite, cai nas graças do seu chefe ao salvá-lo de um afogamento certo em um... chafariz. O Sr. Burns retribui o favor dando ao funcionário uma viagem para Chicago em seu jatinho particular. Fascinado pela experiência luxuosa e exclusiva, Homer decide mudar de vida e arruma um emprego que lhe permite circular a bordo de aviões particulares, com direito a voar ao lado do cantor Lionel Ritchie e ouvir uma versão exclusiva de Say You, Say Me. Para obter o trabalho, ele contrata um assessor pessoal dublado pelo genial comediante Stephen Colbert (do talk show The Colbert Report).

Outro episódio que vale anotar na agenda é Husband and Knives, no dia 7 de outubro, no qual Jack Black dubla um dono de loja de suvenires para nerds que abre na calçada oposta à loja do Comic Book Guy. O capítulo vai contar ainda com a participação de Alan Moore e companhia.
Aliás, Springfield, mais uma vez, será invadida por uma constelação de celebridades.

A temporada terá diversas participações especiais, como Maya Rudolph, Matt Dillon, Julia Louis-Dreyfus, David Hyde Pierce, John Mahoney, Keith Olbermann, Jon Stewart, Dan Rather, Kurt Loder, "Weird Al" Yankovic, Topher Grace, Terry Gross, Marcia Wallace, Matt Damon, Glenn Close, Beverly D'Angelo, Amy Winehouse, Zooey Deschanel e as Dixie Chicks. Quer mais? É só reservar seu lugar no sofá, apoderar-se do controle remoto e morrer de rir ao lado da família mais pirada e ousada da TV.

(shirley paradizo)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Especial: A Princesa e o Cavaleiro

Ribon no Kishi · Criado por Osamu Tezuka · 1967-1968 (52 episódios) · Direção: Masami Hata, Osamu Tezuka, Yoshiyuki Tomino e Sadao Tsukioka · Roteiro: Osamu Tezuka, Masaki Tsuji e Kappei Noh · Trilha sonora: Isao Tomita · Estúdio: Mushi Productions

Quando Osamu Tezuka (de Astroboy e Kimba, o Leão), em 1954, criou o manga A Princesa e o Cavaleiro inspirado nos temas e estilos dos musicais do Teatro de Takarazuka, que ele costumava assistir na infância –, com certeza, não imaginou a importância que esse seu trabalho teria para o mundo dos quadrinhos e da animação. Para começar, a série estabeleceu um novo gênero, os chamados shoujo – mangás voltados para as meninas. Claro que não demorou para sua criação se tornar um enorme sucesso, rendendo uma radionovela e, em 1967, um dos primeiros animes coloridos. Ao chegar à telinha a saga da princesa Safiri fez outro marco ao ser a primeira a apresentar uma narrativa cinematográfica. Ou seja, os episódios não eram fechados e a história sempre continuava no próximo.

Na TV, o sucesso se repetiu e os brasileiros se renderam aos encantos e ao drama da heroína com dois corações. Ainda hoje é considerado um dos melhores animês já exibidos no país. Uma pena que tenha se tornado apenas uma boa lembrança, já que quase nada sobre Safiri nos restou.

Após a morte de Osamu, em 1991, a série completa foi disponibilizada em laser disc no Japão, com um episódio piloto de longa-metragem inédito na TV e vários extras. O que temos por aqui sobre A Princesa e o Cavaleiro é uma coleção de livros com as histórias produzidas para o mangá e publicadas pela JBC Editora. Estes HQs não são os originais de 1953, mas os publicados 1963 e 1966, que sofreram algumas mudanças de personagens, como a substituição de Mefisto pela bruxa Hell.

Já nos EUA, Reino Unido e Austrália, onde a série é conhecida por Princess Knight, sete episódios foram disponibilizados em VHS, sob o título de The Adventures of Choppy and the Princess, pela Movie Makers, há alguns anos. Outros seis episódios foram lançados sob o título de Choppy nd the Princess, Adventure, além outros três capítulos individuais.

Raio-X: Antes de nascerem, os bebês recebem um coração. Às meninas, o coração é cor-de-rosa, aos meninos, o azul. Graças a um anjinho travesso chamado Ching, a pequena princesa Safiri nasce com os dois corações. Seu pai, o rei da Terra de Prata, anuncia a criança como sendo um menino, resolvendo, assim, o problema da sucessão de seu trono. O segredo de Safiri é mantido para que o corrupto Duque Duralumínio e seu filho, o príncipe Plástico, não tenham a chance de reclamar o trono para si. O anjo travesso é expulso do céu para recuperar o coração masculino que deu à princesa.

Enquanto Ching tenta cumprir sua missão, empreende Safiri cresce como menina às escondidas e aprende a se comportar como um garoto na frente das pessoas. Aos 15 anos, ela conhece Franz, o Príncipe da Terra Dourada, e se apaixona por ele. Mas ela não lhe revela sua verdadeira identidade, em prol de seu reino e de sua vida.

Safiri e seus amigos, inclusive o anjinho, vivem muitas aventuras, enfrentando todo tipo de perigos, de vilões a dragões. A história de Safiri tem um final feliz: ela se casa com Franz e os dois têm filhos gêmeos, um menino e uma menina. As duas crianças se tornaram protagonistas de um gaiden que não foi animado, batizado de Futago no Kishi (Cavaleiros Gêmeos), publicado de janeiro a junho da 1958.

Curiosidades:

* Baseado no mangá homônimo do mestre Osamu Tezuka, a história mostrada na TV corresponde à metade da saga original dos quadrinhos. Criada em 1953, a obra foi publicada primeiro na revista feminina Shojo Club e posteriormente na Nakayoshi.

* Quando a série foi trazida para o Brasil nos anos 1970, vários scripts se perderam, o que obrigou o diretor de dublagem Gilberto Barolli (dublador de Satan) a reescrever os diálogos de algumas histórias. Os roteiros tinham pouca relação com a trama original, mas foram bem estruturados, pois o dublador conhecia bem os personagens.

* Em setembro de 2002, a editora JBC passou a publicar no Brasil a segunda versão em mangá, produzida por Tezuka.

Agora, confira a abertura do desenho


(shirley paradizo)

Estante: A Princesa e o Cavaleiro

E por falar em clássicos, a Cine Art lançou, recentemente, dois episódios do clássico animê A Princesa e o Cavaleiro (R$ 11,90). A pequena edição, de 50 minutos de duração, traz A Ilha do Gigante e O Vale dos Monstros com a dublagem original, a mesma da época em que o desenho era exibido na TV brasileira, feita pela Cinecastro. Infelizmente, a imagem e o som não foram remasterizados. Ou seja, ao assistir ao DVD tem-se a sensação de se ver uma velha fita em VHS. A outra má notícia é que não há previsão de a distribuidora disponibilizar outros capítulos ou mesmo a série completa, infelizmente. Bem, melhor isso do que nada!

(shirley paradizo)

Os clássicos envelheceram de vez

E se alguns clássicos personagens de histórias em quadrinhos e desenhos animados infantis envelhecessem e, atualmente, aparentassem visualmente sua idade editorial?

O resultado seria o mostrado na imagem ao lado. A ilustração foi apresentada em um artigo publicado na edição de maio da revista Spirit Magazine, distribuída nos vôos da companhia norte-americana de aviação Southwest Airlines.

No texto, o jornalista Winston O'Grady narra sua maratona de 24 horas assistindo a desenhos animados na TV, a fim de saber o que as crianças andam vendo nos canais dedicados a elas.


Além de explanar considerações sobre o abismo (com exceções) entre a adequação de conteúdo das produções antigas e as atuais - que mostram o quanto as crianças estão sendo bombardeadas por valores contrários aos que aprendem em casa - o artigo leva o leitor a uma desconcertante verdade: o público infantil de hoje desconhece ou não gosta das animações clássicas que marcaram a infância de seus pais e avós.


Isso deve explicar o que, munido de detalhados gráficos publicados por institutos de pesquisas, O'Grady mostra no texto: a maior fatia de investimento publicitário para crianças e tweens (faixa etária entre a infantil e a adolescente) está no canal Nickelodeon, cuja programação abrange apenas produções contemporâneas.


Em segundo lugar na preferência dos anunciantes vem o Cartoon Network, que exibe atrações novas e antigas. Na penúltima colocação da lista ficou a Disney, com seus desenhos animados tradicionais.


Ou seja, a força de Super Mouse, Pernalonga, Popeye, Mickey Mouse e de grande parte de outros personagens que por décadas vinham caindo nas graças das crianças já não é mais a mesma. A geração 2000 tratou de descartar essa galeria, sem a menor piedade.

Como a imensa maioria das atrações dos programas infantis na televisão do Brasil é, por tradição, composta de produções dos Estados Unidos, esses dados podem ser facilmente aplicados à realidade do País.

Na enquete que o site UOL Crianças está realizando, essa constatação fica clara. Para a pergunta "Desenhos animados: Qual deveria virar filme live action?", são apresentadas 23 opções. Mas somente sete se referem a criações com mais de 20 anos de existência - o mais antigo é o cão Snoopy. Até o fechamento desta nota, Naruto e Cavaleiros do Zodíaco lideravam a votação.

Pelo menos uma exceção pode ser notada no Brasil. Episódios clássicos de O Pica-Pau têm feito sucesso na TV Record desde 2006, quando a série entrou na programação da emissora e virou fenômeno de audiência, embora uma significativa queda nos últimos meses - resultante do desgaste das reprises - tenha forçado mudanças nos horários e dias de exibição durante a semana. Mas faltam registros concretos sobre a real maioria do público do desenho animado, que tem atraído adultos saudosistas ao mesmo tempo em que está despertando o interesse dos telespectadores mirins.


Rejuvenescido diante das novas gerações, o Pica-Pau teve a chance de mostrar que as animações antigas ainda garantem uma boa dose de diversão.


Por outro lado, os personagens "fisicamente" envelhecidos que o artigo de Winston O'Grady usou de forma criativa para mostrar o quanto eles ficaram ultrapassados podem até parecer divertidos. Mas, para os fãs veteranos, de tão contundente a imagem passa a impressão de que é assim mesmo como as crianças os vêem hoje.


* Texto de
Marcus Ramone, publicado originalmente no site Universo HQ (achei o artigo interessante, por isso resolvi compartilhá-lo com você)