segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Estréia: Will & Dewitt

Toda criança sabe que crescer não é uma tarefa fácil, mas, com a ajuda de um amigo fiel, superar os mais complicados obstáculos pode ser até divertido. A cada episódio de Will & Dewitt, um garoto de 6 anos precisa encarar desafios assustadores comuns à sua idade, como amarrar os sapatos, dormir sozinho, ser paciente e até escrever novas frases. Sempre que se propõe a fazer algo, Will toma como modelo o seu irmão mais velho, com o desejo de ser tão bom ou melhor que ele, o que pode tornar tudo um pouco mais complicado.

Por isso, muitas vezes, Will tem vontade de desistir de aprender, mas seu companheiro inseparável, um sapo capaz de se transformar de diferentes maneiras, está sempre pronto para apoiá-lo a explorar as novidades sem medo.

O sapo falante Dewitt vive no quintal dos fundos da casa de Will junto com outras criaturas divertidas. Neste universo mágico, não valem as regras do mundo exterior e a imaginação tem caminho livre. É um lugar onde todos se ajudam mutuamente, e não há espaço para os julgamentos. Ali Will pode jogar futebol ou empinar uma pipa sem medo de cometer erros.

Além da trama recheada de lições para o dia-a-dia da garotada, a série inclui canções relacionadas ao tema de cada episódio, com importantes mensagens de superação pessoal, destacando a importância da amizade e de enfrentar os desafios sem medo de fracassar.

Exibição: dia 22, segunda a sexta, 19h, Discovery Kids

Indicação: a partir dos 3 anos

(shirley paradizo)

Estréia: G.I. Joe: Sigma 6

A partir de hoje, o canal Jetix estréia G.I. Joe: Sigma 6, a versão japonesa para Comandos em Ação. Conhecido no Brasil pela sua curta passagem relâmpago na Rede Globo (apenas dois episódios entraram no ar), o animê produzido pelo estúdio Gonzo tem 26 episódios que foram exibidos em 2005 no Japão.

G.I. Joe é um grupo de operações com capacidades especializadas, cujo número do código é Sigma 6. Eles lutam contra Cobra, uma organização criminal. O objetivo da Cobra é tomar o controle do mundo para destruí-lo completamente. Os Sigma 6 utilizam armas sofisticadas desenvolvidas exclusivamente para cada uma de suas missões, lutam contra Cobra a todo o momento e proporcionam uma solução rápida, apesar das situações críticas que em que sempre se encontram.

Exibição: dia 22, segunda a quinta, 15h; com reprises de segunda a sexta, 20h, Jetix

Indicação: a partir dos 9 anos

(shirley paradizo)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Estréia: Ultraman Moebius & Ultraman Brothers

Essa é imperdível para os fãs do heróis japonês da década de 1960. O canal Cinemax exibe pela primeira vez no Brasil o longa-metragem Ultraman Moebius & Ultraman Brothers, produção de 2006 que reuniu sete heróis da franquia Ultraman. O filme é centrado no jovem Ultraman Moebius, que vem à Terra e assume a identidade humana de Mirai Hibino, membro da equipe de agentes especiais Crew GUYS.

Mirai veio atrás de seus antigos heróis, o Ultraman original, Ultra Seven, Ultraman Jack e Ultraman Ace, que desapareceram há 20 anos após enfrentar um monstro chamado U-Killer Saurus, controlado por Yapool, velho inimigo de Ace. O que ele descobre é que os lendários heróis, após vencerem o monstro, conseguiram somente aprisioná-lo no fundo do mar. Com pouca energia devido à manobra que selou a criatura em uma prisão energética, os quatro veteranos passam a viver em Kobe para vigiar de perto a prisão do monstro.

Planejando reviver o U-Killer Saurus para utilizar seu poder, chegam ao nosso planeta quatro invasores: Gutts (cuja raça derrotou Ultra Seven no passado), Zarabu (mestre dos disfarces e antigo rival do Ultraman), Knuckle (de Poderosos do Espaço, que derrotaram Ultraman Jack) e Templar (velho inimigo dos Ultra Brothers). A vinda dos inimigos mortais aliado à derrota de Moebius faz os velhos heróis se transformarem e entrarem em ação como antigamente. Durante a batalha, mais dois Ultras vêm do espaço para ajudar, Zoffy e Ultraman Taro.

Ágil, divertido e impagável, o filme deve agradar em especial os fãs da franquia pela quantidade de referências ao passado. A direção é de Kazuya Konaka e o elenco tem ainda Susumu Kurobe (Hayata), Koji Moritsugu (Dan Moroboshi), Jiro Dan (Hideki Goh), Keiji Tamamine (Seiji Hokuto) e Aiko Ito (Aya Jinguuji).

Lembrando que no dia 21, o mesmo em que será exibido Ultraman Moebius & Ultraman Brothers, estréia no Japão o longa Dai Kessen! Ultra 8 Kyodai, obra com oito Ultras que encabeçaram séries próprias. Ainda não há informação se a produção irá aterrissar em terras brasileiras.

Exibição: dia 21, domingo, 6h30, Cinemax; e 10h, Cinemax 2, com som original e legendas em português

Indicação: a partir dos 12 anos

(shirley paradizo)

Os alquimistas em nova animação

Uma nova série de Fullmetal Alchemist está sendo produzida. A confirmação foi feita em um anúncio na edição de número 20 do mangá homônimo no qual o desenho foi inspirado. Ainda não foram divulgados maiores detalhes sobre o novo animê nem sobre o estúdio que irá realizá-lo. Mas algum tempo atrás, Masahiko Minami, presidente do estúdio Bones, produtor da primeira série, já havia falado que estavam interessados em produzir uma continuação do desenho.

Com 51 episódios no total, Fullmetal foi inspirado em mangá de Hiromu Arakawa, publicado na revista mensal japonesa Shonen Gangan, desde janeiro de 2001. A trama se passa em um mundo fictício, baseado na Europa da Revolução Industrial, onde a alquimia é uma ciência mais relevante e avançada do que a tecnologia. Os protagonistas são dois jovens alquimistas, o "baixinho" Edward Elric e seu irmão mais novo, Alphonse Elric, que entram em uma louca e perigosa jornada em busca da lendária Pedra Filosofal.

Sua missão é recuperar as partes do corpo que perderam quando tentaram ressuscitar sua mãe. Ed perdeu um braço e uma perna, que foram substituídos por membros mecânicos. Já Elric ficou apenas com sua alma e é obrigado a viver trancafiado dentro de uma armadura.

Mesclando humor, drama e suspense e com trama para lá de complexa, Fullmetal se tornou um dos animês mais cultuados da atualidade. Atualmente, é exibido no canla Animax, de segunda a sexta, 18h.

(shirley paradizo)

Da minha coleção...

Dirigido pelo bósnio Dušan Vukotić e com roteiro de Rudolf Sremec, Sugorat (O Substituto) conquistou diversos prêmios e foi o primeiro filme estrangeiro a ganhar um Oscar, na categoria Melhor Curta de Animação, em 1963. O desenho tem uma história simples, sobre um homem que vai à praia e usa infláveis sempre que precisa de algo para seu conforto ou para sua diversão, como bola e cadeiras.

(shirley paradizo)

Em cartaz: Robôs

Depois de explorar o passado em A Era do Gelo, Chris Wedge e o brasileiro Carlos Saldanha retornam para uma aventura futurista em Robôs (2005). Rodney Lataria está cansado de viver no subúrbio de Robópolis. Ele sonha em se tornar um grande inventor como seu ídolo, o Grande Soldador, um empresário famoso no ramos de reposição de peças para os habitantes da cidade.

Mas, quando ele chega à metrópole, ele depara com uma enorme crise provocada pela ganância do perverso Dom Aço e vê seu sonho de trabalhar nas empresas Grande Soldador desabarem sobre sua cabeça.

Apesar não ter uma história das mais originais, Robôs tem boas sacadas de humor, cenários bacanas caracterizados por um ar retro-futurista e personagens memoráveis (difícil esquecer o poposão da espalhafatosa Tia Turbina e o jeito excêntrico de Manivela), além de fazer deliciosas homenagens a musicais e a ícones da música pop. Em uma certa seqüência, Manivela parodia a famosa cena de Dançando na Chuva e dá um show de "saculejo" ao ritmo do hit Baby One More Time, de Britney Spears. Vale conferir!

Exibição: dia 19, sexta, 22h, Fox

(shirley paradizo)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Michael Eisner em novo projeto

Após renunciar ao cargo de presidente da Disney em 2005, no qual por 20 anos comandou a casa do Mickey, Michael Eisner se dedicou a novas aventuras, incluindo a criação da Tornante Animation e uma série animada. E agora a Nickelodeon comprou os direitos do animado para até 20 episódios.

Trata-se de uma série em stop-motion sobre um dentista que deseja mudar a rotina e decide pôr o pé na estrada. Segundo o jornal LA Times, a idéia envolvia um cão igual ao do colega executivo Tom Staggs (o chefe financeiro da Disney). Mas o projeto, que ainda não tem nome, evoluiu para o dentista e sua família. Vamos aguardar!

(shirley paradizo)

Keaton no elenco de Toy Story 3

Foi divulgado recentemente que o ator Michael Keaton (que já dublou outros personagens animados, como o traiçoeiro Chicks Hicks, de Carros) fará a voz do boneco Ken em Toy Story 3. A informação foi divulgada pela atriz Jodi Benson, que voltará como a voz da boneca Barbie no novo animado. Vale lembrar que Benson também é a voz de Ariel, a pequena sereia. Além dela, também voltarão na nova continuação Tim Allen, Tom Hanks, Estelle Harris, Joan Cusack, Wallace Shawn, Don Rickles e John Ratzenberger.

A animação está prevista para estrear apenas em 18 de junho de 2010 e será em 3D. De acordo com o jornal The New York Times, o filme é sobre o destino dos brinquedos depois que Andy vai para a faculdade. Como uma espécie de prévia para o lançamento, a Disney vai começar a trazer às salas escuras os dois primeiros longa-metragens da franquia, também em formato digital, com Toy Story 1 agendado para 30 de outubro de 2009, aqui nos cinemas do Brasil.

(shirley paradizo)

Em cartaz: Irmão Urso

Em 2003, o estúdio Disney declarou que iria se render aos encantos da animação computadorizada em 3D e, quem sabe, abandonar de vez os trabalhos tradicionais, em 2D. A despedida veio em grande estilo com Irmão Urso, um filme divertido que celebra a natureza, com imagens marcantes e uma mistura bem bem dosada de drama e comédia.

Dirigido por Aaron Blaise e Robert Walker, é sobre um jovem guerreiro que busca vingança contra o urso que matou seu irmão. Kenai realiza seu desejo, mas os espíritos da floresta o transformam em um urso. Obrigado a viver sob a nova pele, ele passa a ver a realidade sob a ótica dos animais e logo faz amizade com o urso Koda, um filhote que perdeu a mãe. Os dois se vêem em maus lençóis quando o outro irmão de Kenai começa a caçá-los.

As paisagens por onde eles passam são deslumbrantes. Os animadores da Disney encheram as cenas de efeitos aquáticos espetaculares, nuvens enormes, neve que se movimenta, florestas que parecem ter vida, lama vulcânica e as cores brilhantes da aurora boreal.

Exibição: dia 18, quinta, 20h, Disney

(shirley paradizo)

Seu filho vê: Space Goofs

Exibida pela primeira vez em 1997, a série animada francesa Space Goofs é hilária, esquisita e traz deliciosas referências ao universo pop – destaque para a música-tema Monster Men, de Iggy Pop. Ou seja, tem ingredientes de sobra para agradar tanto as crianças como os adultos. Ele narra as aventuras de quatro alienígenas e suas fracassadas tentativas de retornar ao seu planeta de origem. Tudo começa em 1998, quando Candy, Bird, Gorgeous e Etno saem de férias pelo espaço, sofrem um acidente e caem na Terra.

Forçados a se esconder dos humanos, eles passaram a morar em um sótão de uma casa abandonada, impossível de ser alugada devido aos sustos que os candidatos a inquilinos levam com as brincadeiras dos inquietos extraterrestres. Desde que se mudaram para o novo lar, o quarteto dedica seu tempo a estudar os ridículos hábitos dos seres humanos.

A partir do ponto de vista dos Space Goofs, os humanos são criaturas estranhas que gostam de colocar o dedo no nariz, de se coçar e mastigar um material cor-de-rosa para fazer curiosas bolas que costumam explodir e grudar em seu rosto. Investigar os humanos, porém, trouxe-lhes alguns vícios em suas vidas. Os ETs acabaram se tornando fãs da culinária e dos programas de TV terrestres, como Desperate Housewives, disputando a tapas um espaço no sofá para acompanhar os episódios. Afinal, todos precisam de diversão de vez em quando, até mesmo os seres do espaço.

Exibição: segunda a sexta, 22h, Jetix

Indicação: a partir dos 7 anos

(shirley paradizo)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Moscas no espaço!

Após ter passado despercebido nos cinemas americanos, o animado belga Os Mosconautas no Mundo da Lua (Fly me to the Moon) chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de outubro. Dirigido por Ben Stassen, o animado tem vozes de Tim Curry, Robert Patrick, Kelly Ripa, Buzz Aldrin (astronauta da missão Apollo 11) e Christopher Lloyd na versão original.

A trama acontece em 1969, quando Nat, I.Q. e Scooter, três jovens e curiosas mosquinhas, estão em busca de novas aventuras e acabam entrando para a história ao embarcarem na lendária viagem da nave Apollo 11 à Lua. A exemplo de Space Chimps - Micos no Espaço, o desenho, além de divertir, tem como missão apresentar às crianças o universo da exploraçã espacial por meio de um dos momentos mais importantes da história da humanidade, a conquista do nosso satélite natural.

Os Mosconautas é o primeiro filme de animação produzido especialmente para as telas com projeção 3D. Confira o trailer.


(shirley paradizo)

Spaceballs vira animação

Depois muita enrolação, finalmente vai estrear nos Estados Unidos a série animada inspirada na famosa comédia Spaceballs, escrita e dirigido por Mel Brooks, em 1987. Batizada no Brasil de S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço, o filme satiriza descaradamente e sem pudor as franquias Star Wars e Star Trek e tudo com a aprovação do próprio George Lucas.

Spaceballs: The Animated Series também leva a assinatura de Mel Brooks, que dubla dois personagens, o Presidente Skroob e Yogurt, interpretados por ele no filme original. A primeira temporada vai contar 13 episódios de 30 minutos cada, que estréia no canal G4 no próximo dia 21 de setembro (no Canadá já está sendo exibida).

E um aviso: o desenho não é destinado para o público infantil, por conter alto apelo sexual, humor chulo e outras coisinhas a mais como você mesmo pode conferir no vídeo abaixo.


(shirley paradizo)

Em cartaz: Garfield Cai na Real

O gato gorducho e folgado mais amado do planeta encara uma missão corajosa (o que, apra ele, não é nada fácil!) em Garfield Cai na Real. Acredite, ele deixa o conforto do mundo tirinhas das páginas do jornal e entra na realidade por achar que a dimensão onde mora está entediada demais. Por meio do cão Odie, ele descobre um portal que o leva para o universo real, mas logo percebe a vida dos felinos do outro lado não têm tantas regalias como os bichanos dos desenhos… Há Chihuahuas sedentos por sangue e caninos fortões que o desafiam a cada esquina.

Para piorar, quando o jornal dá conta de seu desaparecimento, começa a fazer uma seleção novos de personagens para substituí-lo. Agora o Garfield tem apenas 24 horas para aparecer no mundo dos quadrinhos e provar que não precisa ser substituído (pois apareceu!). Mas os escolhidos vão fazer de tudo para impedir seu retorno, pois não querem ficar sem emprego.

Lançada apenas em DVD, essa é a primeira animação 3D protagonizada pelo personagem criado pelo estadunidense Jim Davis, em 1978. Ao perceber a enorme quantidade de tirinhas com cachorros, o cartunista decidiu pôr um ponto final nisso e criar um HQ estrelado por um gato. E de felinos, ele entendia muito bem. Quando criança, Davis morava em um fazenda é tinha 25 gatos como amigos de estimação. Assim, nasceu Garfield, que foi batizado com o nome do avô do cartunista, James Garfield David.

E só como um lembrete, o bichano não possui uma raça definida - muitos garantem que ele é um Persa. Davis afirmou, certa vez, à equipe do Pet Friends que seu amigo laranja é apenas um gato doméstico, cor de laranja).

Exibição: dia 17, quarta, 17h, Telecine Premium

(shirley paradizo)

Criança & TV: Uma polêmica sem fim

Desde a invenção da televisão e seu lançamento no mercado brasileiro, há mais de 50 anos, não se ouve falar tanto sobre tal meio de comunicação e sua influência no comportamento humano, sobretudo na infância, quanto nas últimas décadas. Esse fato pode ser confirmado pela divulgação de inúmeras pesquisas realizadas nos Estados Unidos, Brasil, Austrália e grande parte da Europa, onde se observa a crescente preocupação de pais, educadores e da comunidade científica com o fenômeno social da televisão e seus possíveis efeitos na infância.

Tal preocupação é recorrente de constatações realizadas por agências de pesquisas que apontaram como dados significativos, referentes à relação TV-infância, a presença da TV na maioria dos lares no mundo inteiro, o grande número de horas dispensadas pelas crianças diante de um televisor, além dos inúmeros questionamentos sobre a qualidade da programação da TV (em especial a aberta).

Informações como essas provocam a indignação das pessoas preocupadas com os valores e os estereótipos exibidos nos mais variados conteúdos televisivos, principalmente o publicitário. Cabe lembrar que uma das preocupações de alguns cientistas sociais diz respeito à forma como a publicidade se apresenta diante dos pequenos telespectadores. O caráter atrativo da publicidade e o sensacionalismo, que várias emissoras de TV usam para conquistar audiência, é algo muito discutido pela sociedade, pelos governos, instituições e ONGs [organizações não-governamentais]. Freqüentemente, os padrões de produção das propagandas são iguais ou até melhores que alguns programas e, como conseqüência, seu impacto na atenção e na audiência não poderia ser subestimado ou ignorado.

Constata-se, então, que, muitas vezes, a publicidade se utiliza de recursos, como os efeitos especiais pela computação gráfica, não somente como forma de valorizar o seu produto, mas também para influenciar as crenças e valores de uma sociedade, tornando-se uma persuasão implícita para o consumo de um produto. Dados significativos revelados por pesquisadores americanos e europeus mostram que desde os 6 meses de idade pode-se observar nas crianças as primeiras condutas de atenção à televisão.

As mudanças rápidas de imagem e som, sobretudo nos anúncios, e o próprio formato da televisão as motivam muito. No entanto, isso não significa que, na tenra infância, elas sejam capazes, por exemplo, de compreender uma narração televisiva, ou a intenção de um anúncio publicitário.

A possibilidade de qualquer criança, mesmo antes de falar ou de começar a ler e escrever, assistir à TV e prestar atenção nela durante um determinado período de tempo contribui para a convicção de que esse veículo de comunicação é extremamente simples e de fácil acesso, voltado para o lazer. Essa visão ingênua - questão discutida em vários fóruns mundiais e no Brasil, em 2003, por ocasião da 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes - negligencia a necessidade atual de educar as crianças e adolescentes para a mídia, como forma de ensiná-los a exercer sua cidadania.

Entre os frutos de discussões como essa se encontra o trabalho de alfabetização televisiva, objeto de estudo na minha tese de doutorado - que conta com a orientação da professora doutora Orly Zucatto Mantovani de Assis e feita pela Faculdade de Educação da Unicamp -, na qual eu defendo a compreensão da linguagem televisiva e a necessidade do uso pedagógico da TV em sala de aula, propiciando ao aluno a vivência de situações com a mídia que o tornem, entre outras coisas, mais crítico e menos vulnerável às questões publicitárias.

A publicidade na TV requer regras específicas. Muitas redes de televisão no mundo são patrocinadas por propagandas, porém essas sofrem controle mais rígido em alguns países do que em outros. Por exemplo: na Inglaterra e nos Estados Unidos, muitas restrições são feitas à televisão por meio de regras que controlam a proporção de propagandas em cada hora de transmissão e a freqüência com que podem ocorrer em um único programa.

O fato de o mercado brasileiro ter um grande contingente de crianças com maiores possibilidades de consumo fez com que as empresas, interessadas nas vendas e nos lucros que podem obter desse público, desenvolvessem estratégias específicas de marketing e publicidade que não priorizam as questões educativas ou éticas. Sabe-se que os Estados Unidos e muitos países europeus elaboraram diretrizes e procedimentos visando proteger as crianças de ações publicitárias inescrupulosas.

A Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos da criança, adotada em 1989, fornece, no artigo 17, um conjunto de leis que trata do direito da criança à informação e ao acesso às fontes, bem como da necessidade de encorajar o desenvolvimento de orientações apropriadas para proteger a criança de informações e materiais prejudiciais a seu bem-estar. No Brasil, além das diretrizes da ONU, procedimentos semelhantes são amparados por normas que defendem as crianças nas relações de consumo.

Entre elas, as encontradas no Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (Conar), elaborado em 1978, no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor (CDC) e, mais recentemente, na própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que se mostrou preocupada em instituir novas regras para a divulgação de comerciais de alimentos considerados nutricionalmente inadequados, tanto na TV como no rádio, em horário específico (das 21 às 6h) - além da proibição da produção de qualquer material didático voltado para crianças que inclua ou faça alusão a alimentos e bebidas que integrem a categoria dos não saudáveis.

O cumprimento de normas como essas se traduz em um cuidado com nossas crianças, mas ainda é algo longe do ideal e do necessário, como é possível constatar ao se conhecer a forma como as crianças compreendem o comercial televisivo. Embora ultimamente as propagandas sejam destinadas a manipular o comportamento dos consumidores, o processo de influência depende do que o telespectador sabe sobre o objetivo da propaganda e quanto acredita no que a TV mostra, destacando a existência de duas grandes preocupações de pesquisadores relacionadas ao conhecimento das crianças a respeito das propagandas de TV. A primeira consiste no entendimento da própria criança da proposta da propaganda. A segunda, por sua vez, refere-se às importantes características do nível de compreensão dessas crianças acerca das aparições apresentadas nas propagandas.

Dessa forma, para que as crianças entendam a proposta das propagandas é preciso que elas façam uma série de descrições importantes: distinguir propagandas de programas; lembrar de um patrocinador como fonte da mensagem do comercial, perceber a idéia ou a intenção da mensagem, entender a natureza "simbólica" dos produtos, personagens e representação do contexto do comercial - destacando-se ainda a preocupação com a persuasão, visto que as crianças pequenas não têm consciência desse tipo de proposta, podendo ser facilmente influenciadas por elas.

Pesquisas americanas revelam que as crianças menores, que ainda não entendem a intenção persuasiva dos comerciais, tendem a percebê-los como mensagem verdadeira, ao passo que as mais velhas podem discernir tendências persuasivas e expressar atitudes céticas em relação aos comerciais.

Os resultados dessas várias observações indicaram que, abaixo dos 6 anos, a vasta maioria das crianças não pode realmente explicar a proposta de venda na TV. Entre as idades de 7 e 9 anos, grande parte das crianças é capaz de reconhecer e explicar as vendas, contudo, a partir de conhecimentos e exemplos concretos da realidade. Esses dados coincidem com os encontrados no Brasil por pesquisa feita por mim que investigou a compreensão do conteúdo de um comercial televisivo com crianças entre 4 e 11 anos na cidade de Americana, interior de São Paulo, evidenciando uma ampla idéia das representações que os sujeitos apresentam sobre o conteúdo de um comercial televisivo, a televisão e suas funções.

Por fim, pensar a publicidade na TV no horário infantil requer, indiscutivelmente, a participação efetiva do governo, estabelecendo regulamentações específicas para a veiculação de propagandas destinadas ao público infantil, além de uma mobilização da sociedade, exigindo dos órgãos competentes maior seriedade e agilidade nas aplicações de normas e regras, bem como uma reflexão sobre a educação para a mídia como prioridade de formação no século 21, apontando a necessidade de pensar em estratégias educativas que ajudem as crianças (e seus pais e responsáveis) a atentar para a formação de pequenos telespectadores, a fim de que se tornem consumidores mais inteligentes, principalmente dos conteúdos publicitários.

(Ester Cecília F. Baptistella)

* A amiga Ester Cecília F. Baptistell é psicóloga, doutoranda na Área de Desenvolvimento Humano e Educação pelo LPG/FE/Unicamp e professora da Universidade de São Francisco

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Os Simpsons e o Emmy

O desenho Os Simpsons venceu novamente a maior premiação da televisão norte-americana para esse tipo de programa, no Creative Arts Emmy Awards, ampliando a seqüência recorde de vitórias. O prêmio marca o décimo ano em que Os Simpsons, exibido pela Fox há 19 anos, foi agraciado como melhor programa de animação de meia hora. O cultuado animado sobre um homem de família preguiçoso que adora donuts chamado Homer Simpson obteve o reconhecimento por um episódio intitulado Brilho Eterno da Mente de um Simpson.

A vitória aconteceu durante a apresentação de quatro horas da 60ª cerimônia do Creative Arts Emmy Awards, na noite de sábado (dia 13), que homenageia os maiores feitos em categorias como maquiagem, figurino, edição de som e direção de arte. A cerimônia, que será transmitida na semana que vem na TV a cabo, serve como prelúdio para o Emmy Awards, que premia grandes produções do horário nobre da televisão norte-americana, no dia 21 de setembro.

A equipe de criação responsável pelo melhor desenho do ano passado, South Park, venceu neste ano pelo melhor show de uma hora de duração ou mais por um programa especial chamado Terra da Imaginação.

* Texto publicado originalmente no portal G1