sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cinema: Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar

Conhecido por suas animações sofisticadas e tramas complexas, como o vencedor do Oscar A Viagem de Chihiro (2001) e O Castelo Animado (2004), o cineasta japonês Hayao Miyazaki apresenta um filme de simplicidade mágica, mas ao mesmo tempo profundo, em seu mais recente trabalho Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar.

A personagem central é Ponyo, uma peixinha dourada que entra em contato com o mundo dos humanos quando é encontrada por Sosuke, um menino que mora numa casa à beira-mar com sua mãe. Ele ajuda Ponyo, que está presa num pote na praia. Em retribuição, ele ganha uma lambida num pequeno corte em seu dedo, que acaba cicatrizando rapidamente.

Para Ponyo, esse é o início de uma longa jornada. Após provar o sangue humano, a peixinha ganha a habilidade de se transformar numa menina. Ao lado de Sosuke, ela descobre o modo de vida dos humanos, frequenta a escola com o amigo, conhece outras pessoas e se alimenta com comidas variadas.

São momentos mágicos na vida dos dois. Ponyo, uma princesa do mar, sempre viveu aprisionada por seu pai. A liberdade que experimenta agora é algo novo em sua vida. O que ela e seu amigo não sabem, porém, é que, transformando-se em humana, ela deu início a um desastre ecológico, liberando um verdadeiro tsunami que inundará a vila onde moram Sosuke, sua mãe e outras pessoas.

Peixes e outras criaturas marinhas começam a tomar conta do lugar quando a água invade as casas, depois de já cobrir ruas e outras regiões mais baixas. Dotada de poderes mágicos, Ponyo transforma um barquinho de brinquedo num barco de verdade, e, ao lado do amigo, sai em busca da mãe dele - que estava numa casa de repouso para idosos, onde ela trabalha.

Com quase 70 anos de idade, Miyazaki, que também assina o roteiro, mantém a imaginação ilimitada de uma criança,mostrando-se capaz de criar os personagens mais estranhos, sem romper o vínculo com a realidade. O estranhamento dos personagens e das situações, na verdade, podem ir além do que eles representam em si.

A amizade entre estranhos, a tolerância e o amor que rompe barreiras são os temas que permeiam Ponyo. Mas isso tudo vem numa embalagem tão criativa, colorida, charmosa e encantadora, que nunca torna este trabalho um “filme de mensagem”. Os personagens, ao contrário do que acontece em muitas animações, não são unidimensionais, mas providos de complexidade e nuances. O pai de Ponyo, por exemplo, que pode parecer maligno e perigoso num primeiro momento, mais tarde se revela preocupado com o equilíbrio da natureza, o que explica as suas ações.

Se as obras anteriores de Miyazaki procuravam um diálogo com um público mais adulto, Ponyo é seu filme que fala mais abertamente com crianças de qualquer idade – o que não exclui adultos. Não é um filme infantil, no sentido que apenas crianças possam gostar. Adultos e crianças terão muito com o que se divertir – embora não necessariamente com as mesmas coisas.

alysson oliveira*

* texto do amigo alysson oliveira, publicado originalmento no site cineweb, um endereço bem bacana para os amantes da sétima arte

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Zé Colmeia no cinema

A Warner divulgou o primeiro trailer da adaptação para as telonas do desenho protagonizado pelo urso Zé Colmeia. Com vozes de Anna Faris (de A Casa das Coelhinhas), Dan Aykroyd (de Eu os Declaro Marido e...Larry) e Justin Timberlake, o filme em 3D repetirá a mesma fórmula de produções como Alvin e os Esquilos, Garfield e Scooby-Doo, misturando atores reais com animação em computação gráfica. No longa-metragem dirigido por Eric Brevig, Zé Colméia e Catatau precisam unir forças com o guarda florestal para salvarem o Parque Jellystone.

A animação Zé Colmeia foi criada pela dupla William Hanna e Joseph Barbera. O personagem surgiu pela primeira vez em 1958 e, desde então, foi protagonista de vários desenhos animados da Hanna-Barbera Productions. O longa-metragem está previsto para estrear nos Estados Unidos em 17 de dezembro. No Brasil, a previsão de lançamento é em 21 de janeiro de 2011.Confira o trailer abaixo.

Um vilão solitário?

A nova animação da DreamWorks Animation, Megamente (Megamind), ganhou novo trailer. Com direção de Tom McGrath (de Madagascar 1 e 2) e produção de Ben Stiller (de Uma Noite no Museu), o desenho gira em torno do super-vilão Megamente (voz de Will Ferrel). Quando ele finalmente derrota seu arqui-rival, MetroMan (Brad Pitt), ele coloca em ação seu plano de conquistar a cidade de Metro City, fazendo diversas tentativas - muitas delas, claro, são frustradas.

Mas viver sem um inimigo ficou muito chato para ele. O vilão precisa ter oponentes à altura para que sua vida tenha sentido e, assim, ele cria Titan, um herói para ter com quem rivalizar (Jonah Hill). Para sua surpresa, o herói também quer ser um super-vilão. No meio dessa confusão, surge em cena a repórter Roxanne Ritchi (Tina Fey), que faz as perguntas que não querem calar: "Quem irar nos proteger?", "Quem irá defender os inocentes?".

Megamente tem estreia prevista no Brasil, em 3D, no dia 3 de dezembro.


Estreia: Wordworld

Apesar de não ser uma estreia recente, vale deixar registrado e dar um toque naqueles que, como eu, estiveram "fora do planeta" por um tempo. O canal Discovery Kids está exibindo o novo Wordworld, que ensina palavras em outro idioma de um jeito divertido. A animação relaciona de maneira lúdica os termos em inglês e seus significados, fazendo com que os pequenos se familiarizem com um segundo idioma. Os personagens são formados pelas letras dos seus nomes em inglês. Há uma ovelha bem fofa formada pela palavra "Sheep" e um porco feito com as letras de "Pig". Tem ainda a formiga "Ant", o sapo "Frog", o urso "Bear" e o pato "Duck".

A cada episódio, essa turma enfrenta desafios e aprende a resolvê-los com o poder das palavras: as letras se juntam e ganham vida para transformarem-se nos objetos que representam, trazendo a solução para os problemas desses inseparáveis amigos.

Ganhadora de três Emmy, a série animada estimula as crianças a redescobrirem o mundo em inglês, incitando o hábito da leitura e a curiosidade por um novo idioma. Para colocar o desenho no ar, o canal contou com a consultoria de Monica Fuhrken, pedagoga e especialista em ensino de inglês, no processo de dublagem parcial e adaptação dos diálogos, com o propósito de apresentar aos pequenos telespectadores brasileiros um segundo idioma.

Os episódios de Wordworld são exibidos de segunda a sexta, às 8h30 e às 19h, no Discovery Kids.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Corujas animadas

A fofíssima animação A Lenda dos Guardiões ganhou novos pôsteres nacional - ao lado você pode conferir um deles. Filme de fantasia dirigido por Zack Snyder (de 300) segue Soren, uma jovem coruja fascinada pelas histórias épicas contadas pelo seu pai sobre os Guardiões de GaHoole, um bando mítico de guerreiros alados que lutaram em uma grande batalha para salvar todas as corujas dos maldosos Puros.

Enquanto Soren sonha em algum dia unir-se aos seus heróis, seu irmão mais velho, Kludd, zomba da ideia, e prefere caçar, voar e tirar a predileção de seu pai pelo irmão mais novo. Mas a inveja de Kludd tem consequências terríveis - fazendo com que ambas as corujinhas caiam de sua casa no topo da árvore direto para as garras dos Puros. Agora depende de Soren realizar uma fuga audaciosa com a ajuda de outras jovens corujas. Juntas elas voam cruzando o oceano e a bruma para encontrar a Grande Árvore, lar dos lendários Guardiões de GaHoole — a única esperança de Soren para derrotar os Puros e salvar os reinos das corujas.

O longa é baseado nos três primeiros de 15 livros assinados por Kathryn Lasky. No elenco de vozes, Hugh Jackman (de X-Men e Por Água Abaixo), Sam Neill (de Jurassic Park e Identidade Roubada), Geoffrey Rush (de Piratas do Caribe: No Fim do Mundo e Munique), Hugo Weaving (de Matrix e Happy Feet: O Pinguim), Emilie de Ravin (de Lembranças) e Helen Mirren (de Intrigas de Estado e Coração de Tinta: O Livro Mágico).

Lenda dos Guardiões tem estreia prevista no Brasil dia 8 de outubro.

Estreia: Princesas do Mar

Desde o dia 12 deste mês, o desenho Princesas do Mar, que fazem grande sucesso no canal Discovery Kids, está no ar também na TV Cultura. A animação é exibida de exibida de segunda a sexta, às 11h30, e narra as aventuras de Polvina, Estér e Tubarina, três jovens princesas que moram no fundo do mar. De forma divertida e engraçada, elas transmitem lições de preservação do meio ambiente e respeito ao próximo.

As Princesas do Mar foram criadas por Fabio Yabu e surgiram como uma série de livros lançada em 2004 pela Panda Books. Apenas seis anos depois, já somam 10 títulos e são conhecidas em mais de 50 países, entre eles Austrália, Alemanha, Itália, França, Áustria, Espanha, Portugal, Cingapura e Israel. A série de animação é a mais longa já criada por um brasileiro: são 104 episódios de 11 minutos. Se você ainda não conhece, vale a pena conferir! O desenho é altamente recomendado para todas as idades.

Cinema: Shrek para Sempre

Para quem não se lembra ou não sabe, vale a pergunta: qual é a origem do personagem Shrek? Dizer simplesmente que ele nasceu no livro de William Steig é muito pouco, mesmo porque praticamente quase nada da obra original foi aproveitado na série de filmes. Na verdade, Shrek é fruto da briga empresarial travada entre dois gigantes do mercado de entretenimento, nos anos 90. Tudo começou quando Steven Spielberg resolveu criar a sua empresa - a Dreamworks - que trazia como um dos objetivos enfrentar diretamente a então toda poderosa Disney no cobiçado segmento dos desenhos animados de longa metragem.

Vale dizer que a Disney era não apenas a líder incontestável deste mercado, como também a própria criadora dos desenhos longos, com o pioneiro Branca de Neve, de 1937. Pois bem, para compor a sociedade da nova empresa, Spielberg simplesmente "roubou" da Disney ninguém menos que Jeffrey Katzenberg, seu principal executivo na área de longas de animação. É dele o "K" da sigla SKG que se vê logo abaixo da logomarca "Dreamworks". O "roubo" teria irritado muito a empresa de Mickey Mouse. E pior: com a transferência de Katzenberg da Disney para a Dreamworks, algumas "estranhas coincidências" faziam crescer os rumores em Hollywood que o executivo teria levado para Spielberg algumas idéias que estavam em processo de gestação na Disney.

Ou, trocando em miúdos, espionagem industrial. Afinal, são inegáveis as coincidências entre FormiguinhaZ (Dreamworks) e Vida de Inseto (Disney/Pixar), só para citar um exemplo. É neste instante que a Dreamworks contra-ataca criando Shrek, desenho animado feito para combater e ridicularizar os estereótipos desenvolvidos pelas Disney desde 1937. O primeiro longa da série, lançado em 2001, é uma hilariante sucessão de alfinetadas contra a concorrência.

Assim nasceu o ogro da Dreamworks: como o anti-heroi anti-Disney, o personagem que veio para detonar e corroer tudo o que já havíamos visto, até então, sobre contos de fadas e desenhos no estilo "princesas". Um sucesso absoluto.Suas duas continuações, porém, lançadas em 2004 e 2007, acabaram abandonando a rebeldia inicial do personagem, e enfraquecendo a qualidade da franquia. Agora, em 2010, chega às telas o quarto (e prometidamente o último) episódio: Shrek para Sempre. Com muito mais talento que o terceiro filme (o pior de todos), mas inevitavelmente sem contar com o frescor da novidade. Agora, Shrek está em crise: a rotina do casamento corroi o instinto selvagem do ogro, que num ataque de raiva e nostalgia sente falta da época em que ele era assustador. Saudades da liberdade da vida de solteiro.

Num momento de ira, Shrek encontra Rumpelstiltskin, sujeito com poderes mágicos que vive de fazer acordos inescrupulosos com pessoas incautas. Seduzido pelo vilão, o herói "troca" um dia de sua vida pela possibilidade de voltar a ser um ogro assustador, sem saber que, com isso, estará jogando todo o reino de Tão Tão Distante num universo paralelo triste e desolador. Dentro da tradição hollywoodiana de que nada se cria, nada se perde, tudo se refilma, Shrek para Sempre é marcadamente a junção de dois clássicos: Fausto, de Goethe, e A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra.

Do primeiro vem conceito de vender a alma ao diabo. E do segundo a valorização do homem comum que - inebriado pela possibilidade jamais realizada de ter vivido uma vida diferente - não percebe a importância dos valores humanos mais simples e fundamentais. Contudo, clássicos a parte, a boa notícia é que este quarto episódio fecha a saga Shrek (pelo menos, dizem seus produtores) com mais conteúdo, mais ritmo, mais vivacidade e mais bom humor que seu triste antecessor Shrek Terceiro. É também, de longe, o capítulo mais romântico dos quatro.

Talvez as crianças menores sintam alguma dificuldade em compreender o conceito de "universo paralelo" dentro da história, ou mesmo apresentem alguma rejeição à ambientação mórbida e lúgubre que permeia boa parte da trama, mas o resultado final é compensador. Mesmo porque Burro - sempre o mais divertido dos personagens - volta à sua melhor forma, protagonizando os melhores momentos cômicos. Sim, Shrek perdeu seu viés contestador desde o segundo capítulo, e a saga termina com um claríssimo filme-família. É o preço a pagar por uma Dreamworks que enfrentou a Disney e se tornou - ela própria - um novo ícone de entretenimento familiar. Caso típico de conquistador que assimilou o perfil de seu conquistado. Quem será o próximo desafiante?

celso sabadin*

* O multimídia - e querido amigo - Celso Sabadin é autor do livro autor do livro Vocês Ainda Não Ouviram Nada – A Barulhenta História do Cinema Mudo e jornalista especializado em crítica cinematográfica desde 1980. Atualmente, dirige o Planeta Tela (um espaço cultural que promove cursos, palestras e mostras de cinema) e é crítico de cinema da TV Gazeta e da rádio Bandeirantes.

Estamos de volta!

O Mundo Animado está de volta. Quero me desculpar pelo "sumiço", mas estive envolvida em projeto que tomou praticamente quase todo o meu tempo... mas valeu a pena! Agradeço a todos que, mesmo na minha ausência, continuaram a frequentar o Mundo Animado e deixar recados. Bem, vamos ao que interessa: muita animação!

shirley paradizo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cinema: Alice no País das Maravilhas

A Alice no País das Maravilhas de Tim Burton é um passaporte para a maturidade da personagem criada por Lewis Carroll por brincadeira, para divertir uma criança (a musa inspiradora, Alice Liddell) em 1862. Alvo de sucessivas adaptações, inclusive um famoso desenho animado em 1951 dos estúdios Disney, produtores desta nova versão, a personagem aqui deixa a infância, tornando-se uma bela e casadoira jovem de 19 anos (interpretada pela australiana Mia Wasikowska).

Com a liberdade de imaginação desencadeada na versão de Burton, com roteiro de Linda Wooverton (a escriba por trás de A Bela e a Fera e O Rei Leão), a história de Alice torna-se um pequeno conto feminista, aproveitando o contexto vitoriano original da história de Carroll e o cenário do mundo fantástico matriarcal, que sedia uma guerra entre duas irmãs e rainhas (Helena Bonham-Carter e Anne Hathaway).


Alice é órfã de pai e está sendo praticamente empurrada para um noivado e casamento precoces – na época, nem tanto. Na festa que foi tramada como uma verdadeira conspiração para que ela diga sim, ela avista um misterioso coelho no jardim, olhando seu relógio. Um símbolo, como tantas coisas nesta história, que sinaliza o tempo que passa tão rápido entre a infância e a adolescência, rumo à vida adulta. Seguindo o animal, Alice cai no buraco que a leva ao Mundo Subterrâneo, cenário de aventuras das quais ela não retornará a mesma.

A mágica dos efeitos visuais – e do 3D, em algumas cópias – valoriza as experiências de Alice de aumentar e encolher seu tamanho, mediante a ingestão de um líquido ou de um bolo, bem como seu encontro com criaturas míticas, caso do gato risonho (voz de Stephen Fry nas cópias legendadas), da lagarta Absolem (Alan Rickman) e do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp).

Personagem secundário na história original, o Chapeleiro Maluco aqui é um coadjuvante com direito a muito espaço e peripécias. Em vários momentos, ele será o protetor de Alice, em outros, seu instigador e mais seria, quem sabe, se Burton tivesse total liberdade e este não fosse, afinal, um filme para crianças. Esta obrigatoriedade do “filme-família”, padrão por excelência da Disney, no fim das contas, funciona como uma trava à criatividade nem sempre bem-comportada (aqui, sim) do diretor de Marte Ataca! (1996), Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003) e Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007). Alice cresceu, sim, mas não pode voar tão alto. E seu destino de empresária rumo à China parece também um pouco demais...

neusa barbosa*

* a querida amiga neusa barbosa - que há tempos não encontro - é especialista em críticas de cinema, jornalista e pesquisadora e atualmente edita o site
cineweb, especializado em cinema

Cinema: Mary e Max – Uma Amizade Diferente

Na animação Mary e Max – Uma Amizade Diferente, os protagonistas são duas pessoas um pouco diferentes, mas com algumas coisas em comum. E isso não tem nada a ver com o fato de serem de massinha. Mary (voz de Bethany Whitmore) é uma menina australiana, de 8 anos, que não tem o amor ou a atenção dos pais. Ela é muito solitária, por isso, seu único amigo é um galo. Já Max (Philip Seymour Hoffman) é adulto, mora do outro lado do planeta, em Nova York, e “gostaria de morar na Lua, para não ter contato com as pessoas”.

Apesar da distância e das peculiaridades de cada um, Mary e Max tornam-se amigos por correspondência. A troca de cartas começa meio a contragosto por parte do americano, que não quer de forma alguma relacionar-se com outras pessoas. Mas a menina é insistente e surpreendente. Em uma de suas primeiras cartas, pergunta de onde vêm os bebês.

Aos poucos a amizade floresce, nos moldes de Nunca te Vi, Sempre te Amei (1987), apenas pela troca de cartas. O filme acompanha alguns anos das idas e vindas das correspondências e na vida dos dois personagens. Ambos são marginais, no sentido de nunca se encaixarem em um padrão e por isso viverem solitários e, até certo ponto, infelizes. A Austrália de Mary é sempre acinzentada, enquanto a Nova York de Max, em tons de marrom.

Mary vai à escola, onde é esnobada, mas ainda assim, enquanto cresce, encontra o seu lugar no mundo. Namora e casa com o garoto por quem é apaixonada, tem um filho e também se forma em medicina. Quando a personagem entra na adolescência, passa a ser dublada por Toni Collette. O futuro não é tão promissor para Max. Ele fica cada vez mais isolado e tem sérias variações de humor – o que, às vezes, é prejudicial à correspondência -, sintomas que ele detecta mais tarde serem parte de uma Síndrome de Asperge.

Escrito e dirigido por Adam Eliott, Mary e Max começa como uma comédia bizarra e caminha, até sua conclusão, rumo a um drama melancólico. Seus temas e a forma como são abordados deixam claro que não se trata de um filme para o público infantil. Mas também parece não encontrar totalmente seu tom para dirigir-se ao público adulto. Afinal, fica num meio-termo que, embora bonitinho, às vezes parece uma piada esticada demais. Quando as situações começam a repetir-se, Eliott parece perder um pouco a mão e nunca reencontra o que havia de bom da primeira parte do filme - meio obcecado, agora, mais com o que há de excêntrico em relação a Mary e a Max do que com seus aspectos humanos.

Eliott, que ganhou um Oscar e um prêmio no Anima Mundi por seu curta Harvie Krumpet, também assina o desenho de produção de Mary e Max. Ele fez seu filme inteiro na técnica stop-motion, em que cada cena é fotografada quadro a quadro, como, por exemplo, os filmes dos personagens Wallace e Gromit. Em seu primeiro longa, embora bonito e bastante melancólico, o animador parece não saber ao certo a que público o filme se destina.


alysson oliveira*

* texto do amigo alysson oliveira, publicado originalmento no site cineweb, um endereço bem bacana para os amantes da sétima arte

Cinema: Lissi no Reino dos Birutas

Um pouquinho do visual de A Era do Gelo aqui, uma boa dose de Shrek ali, uma pitada de cultura alemã acolá e pronto o resultado é a animação Lissi no Reino dos Birutas. O filme, que não traz nenhuma novidade no gênero e caberia muito bem direto na tela da televisão, tem um humor bem peculiar com algumas insinuações (bem de leve) politicamente incorretas. Ele foi escrito e dirigido pelo ator alemão Michael Berg, que, na versão original dubla diversos personagens (inclusive a heroína do título), e é uma animação competente, mas que ganha pontos mesmo no quesito humor capaz de tirar algumas risadas - para os adultos, por causa de sua sagacidade, e as crianças com os momentos de humor pastelão.

A história começa em alguma região gélida, à lá A Era do Gelo, em que um Abominável Monstro das Neves vive de fanfarrice e devora os animais para se alimentar. Quando cai em um penhasco ele faz um pacto com o Diabo para salvar sua vida: capturar a moça mais bela do mundo - ele tem uma semana para fazer isso. Num Reino não muito distante dali, a Imperatriz Lissi espera a chegada do Imperador - seu amado. Ele é um pouco aparvalhado, mas tem bom coração, e os dois se amam. Quando ele retorna, o casal retoma suas atividades preferidas, como golfe com chocolate e caça a patinadores no gelo.

Tecnicamente, Lissi não é lá muito bela, mas para questões do filme, a beleza dela serve. E a criatura monstruosa do gelo a captura. Lissi, com sua ingenuidade um tanto patética quer ser amiga do animal. O Imperador, por sua vez, também sai em busca de Lissi e oferece uma recompensa se alguém capturar o Monstro das Neves. Entram em cena dois camponeses aparvalhados que tentam capturar a criatura, mas colocam em risco a vida da Imperatriz.

O humor de Lissi no Reino dos Birutas vem, basicamente, de absurdos e de diálogos. Como a Rainha, mãe do Imperador, que quer a todo custo seduzir um militar, ou os dois camponeses que param tudo para tomar chá se alguém pergunta se eles são ingleses. É uma pena que essa animação corre o risco de passar despercebida, já que estreia no mesmo final de semana quando os olhos cinéfilos se voltam para outra personagem de nome bem parecido, mas que está no País das Maravilhas.


alysson oliveira*

* texto do amigo alysson oliveira, publicado originalmento no site
cineweb, um endereço bem bacana para os amantes da sétima arte

domingo, 4 de abril de 2010

Animação nacional em alta

E o cinema de animação nacional continua crescendo. Nada mais que quatro animações tupiniquins foram selecionadas para a mostra competitiva do Festival de Animação de Annecy, o maior evento internacional de animados do mundo e que acontece entre 7 a 12 de junho de 2010, na cidade de Annecy. Vão participar Miúda e o Guarda-Chuva e Historietas Assombradas (dois pilotos do Anima TV), Contemporânimos (um projeto de graduação da PUC-Rio) e Switching (um comercial feito nos Estados Unidos e dirigido por um brasileiro).

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Estreia: Star Wars - A Guerra dos Clones

A guerra pelo controle da galáxia está tomando rumos inesperados para os Cavaleiros Jedi, que mantêm a valentia em sua luta pela paz, por mais que os recursos aparentemente ilimitados do exército separatista os estejam esgotando. Para tornar o cenário ainda mais sombrio, os separatistas passam a contar com o apoio dos mais temidos caçadores de recompensas do universo, contratados para tentar acabar com o equilíbrio desta disputa de poder. São estes mercenários, perigosos, brutais e sem qualquer senso de honra, que vão se tornar a maior ameaça para a Ordem Jedi na segunda temporada de Star Wars: A Guerra dos Clones.

Mas antes de embarcar nessa nova aventura, o Cartoon Networks exibe, dia 04, domingo, a partir das 8h, uma maratona com todos os 22 episódios do primeiro ano em seu formato “decodificado” (com informações do tipo trivia mostradas em formato texto ao longo da capítulo). Ao final do especial, chegam de uma vez só os três primeiros episódios da nova temporada, que promete batalhas ainda maiores e mais surpreendentes. A partir da semana seguinte, os episódios inéditos passam a ser exibidos todos os domingos, sempre às 18h.

Cronologicamente situada entre os Episódios II e III da franquia cinematográfica, Star Wars: A Guerra dos Clones agora tem um novo nome entre os vilões: Cad Bane, um homem frio, cruel, calculista e com uma aptidão particular pela maldade. Pelo preço certo, ele não pode ser parado – e agora sua missão é cravar uma estaca certeira no coração da República. Quem é fã da saga criada por George Lucas vai reconhecer alguns rostos familiares na gangue de Bane, saídos diretamente dos filmes – como Bossk (de O Império Contra-Ataca) e Aurra Sing (de A Ameaça Fantasma). E novos inimigos vão sair das sombras dos lugares mais inesperados.

Lendas brasileiras na telinha

O episódio de Animania desta semana está imperdível! Zeca 2D faz uma pesquisa sobre lendas brasileiras e Seth desconfia que tenha Saci solto no estúdio. Mas o que eles ficam sabendo é que as lendas andam soltas na animação, como no filme A Pisadeira, de Ricardo Carneiro, feito com massinha, que retrata uma lenda do sul do país. O grande pajé animado Rui de Oliveira aparece para falar como surgiram os personagens do filme A Lenda do Dia e da Noite, no qual ele buscou referências na arte dos índios Karajá. Zeca ainda mostra A Última Lenda, de Alexandre Bersot, sobre o encontro de um homem com antigas lendas numa noite escura. Para lidar com tanta lenda, só mesmo chamando um “pajé” para fazer uma pajelança no estúdio e mudar um pouco as coisas (leia mais sobre o programa aqui).

Exibição: dia 03, sábado, 18h30, TV Cultura

Estreia: TV Cultura turbinada

Desde o dia 29 de março, a TV Cultura turbinou sua grade de programação. Entre as estreias estão os desenhos Pequenos Cientistas, Minúsculos – A Vida Privada dos Insetos e Escola pra Cachorro, além de novas temporadas de Baú de Histórias e Super Fofos e a volta do clássico Contos de Fada. A grade infantil ganhou nova distribuição e organização dos programas. Confira algumas das novidades abaixo

Escola pra Cachorro (segunda a sexta, 10h30 e 15h45; sábados, 15h45; aos domingos, 12h) - a série animada faz uma criativa inversão de papéis ao colocar uma trupe de cachorrinhos – Lucas, Lili, Koda, Suki e Pedro – para frequentar a escola e fazer lições de casa. O desenho desenvolve o conceito da diversidade ao mostrar o relacionamento e a convivência entre amigos de raças, opiniões e culturas diferentes. A primeira temporada conta com 26 episódios, de 11 minutos cada, e é destinada para crianças de 3 a 7 anos.

Minúsculos: A Vida Privada dos Insetos (segunda a sexta, 14h e 16h45; sábados, 13h30 e 16h15) - os pequenos vão mergulhar na vida diária de formigas, joaninhas, moscas, abelhas e besouros. As crianças não são entomologistas profissionais, mas quando vão para o interior e atravessam campos e florestas, passam muito tempo observando os insetos. Ao contrário dos especialistas, os observadores mirins, de shorts e sandálias, têm uma percepção bem diferente desses bichos minúsculos e são capazes de imaginá-los nas situações mais absurdas.

Pequenos Cientistas (segunda a sexta, 9h) - os dinossauros Diná e Rex mostram curiosidades sobre química e física e ajudam os pequenos a entender melhor a natureza e até a conhecer as profissões. Muito curioso e atrapalhado, Rex faz mil perguntas e busca uma resposta para todas elas. Já sua melhor amiga, Diná, inteligente e estudiosa, o ajuda a descobrir a solução para esses mistérios por meio dos livros.