quinta-feira, 28 de abril de 2011

Estreia: Cocoricó

Não há quem resista à simpatia do menino Júlio e de sua turma: o cavalo Alípio, a vaca Mimosa, os papagaios Caco e Kiko, as galinhas Lola, Zazá e Lilica, porquinho Astolfo, o pato Torquato, o papagaio Caco e o primo João. Eles são as estrelas de Cocoricó, um dos programas infantis mais cultuados pela criançada e exibido na TV Cultura desde 1996. Ele acompanha as aventuras e as descobertas dessa turminha tanto na Fazenda Cocoricó como na cidade grande. Juntos eles aprendem sobre natureza, higiene, amizade e até matemática.

Em homenagem aos 15 anos do programa, Cocoricó ganhou 26 episódios inéditos, com direito a clipes musicais e muitas aventuras. A partir de 02 de maio, segunda, às 20h15, na TV Rá Tim Bum, Júlio e sua turma decidem curtir um pouquinho mais os amigos e as brincadeiras da cidade grande.

A turminha continua hospedada no apartamento do primo João, que mora com seus pais, Dora e Noel, e seu irmão Rodolfinho. Ao redor do edifício, que tem como porteiro Dorivaldo, há um beco, onde acontecem muitas brincadeiras. Inúmeras figuras integram esta nova safra, que, apesar de se passar na metrópole, também conta com cenas do campo. Afinal, Júlio não esquece um instante dos amigos que ficaram na Fazenda, além de sua Avó e seu Avô. A galinha Lola, o porquinho Astolfo, a indiazinha Oriba, o papagaio Caco, o morceguinho Toquinho, o Pato Torquato, a Pata Viva, o Sapo Martelo, o Rato Roto, o cãozinho Esfarrapado, Dito e Feito são apenas algumas dos personagens que participam das histórias.

Inclusão social é um dos temas em pauta do Cocoricó na cidade. Para abordar o assunto, a série conta com a participação especial do personagem Mauro, que é deficiente visual. Amigo de Júlio, o menino mora na fazenda vizinha ao Paiol e visita seus amigos na metrópole. Mauro aproveita para brincar e jogar bola com a turma.

Na época em que os novos episódios estavam sendo filmados, em nome da Revista Recreio, invadi o estúdio de gravação e conversei com o diretor e bonequeiro Fernando Gomes. Aqui vai um resuminho do nosso bate-papo (que foi publicado na edição 576).

Qual será a história da nova temporada do programa?
Ela será uma continuidade da temporada anterior e terá 26 episódios. O Júlio ainda está na cidade, passando o final das férias. Ele agora vai descobrir novos elementos por lá, coisas que nunca viu por morar no campo. Por exemplo, se tudo der certo, a Lilica vai participar de uma olimpíada do bairro e vai pular em uma piscina de mergulho, daquelas com 7 metros de altura!

O Cocoricó existe há 15 anos. O que mudo de lá para cá?
Principalmente os personagens. Ao longo desses anos, o Júlio ganhou muitos amigos. No começo, o núcleo do Cocoricó era formado somente por Julio, as três galinhas (Zazá, Lola e Lilica), o Alípio, dois papagaios (Kiko e Caco) e a vaca Mimosa. Depois, novos personagens começaram a entrar na história, como o morcego Toquinho e a indiazinha Oliba. Outros também foram sumindo dos roteiros, como o Galo Galileu e o tio do Caco. Eles ainda são citados no programa, mas não aparecem mais. Costumamos brincar que viajaram pelo mundo.

Quantas pessoas fazem parte da equipe?
Envolvendo equipe, iluminador, pessoal de áudio, contra-regra, cenógrafos, bonequeiros... é muita gente. A equipe interna varia de 20 a 25 pessoas por dia de gravação, no mínimo. Isso para uma gravação simples. Quando uma gravação é mais complexa, precisamos de mais gente. Por exemplo, quando filmamos com fogo – todo fogo e água que aparece no Cocoricó é de verdade -, chamamos uma equipe de bombeiros para acompanhar as gravações. Então, a equipe varia de acordo com a necessidade. Há ainda 11 bonequeiros, que se revezam para manipular e fazer as vozes dos personagens.

Então, são os próprios manipuladores que dão voz e vida aos bonecos?
Tanto o Cocoricó quanto todos os outros programas de bonecos da TV Cultura sempre tiveram a mesma filosofia: o manipulador que dá vida ao boneco, dá a voz e faz o som ao vivo dentro do estúdio. Em todas as cenas, é o próprio manipulador que está falando texto naquele exato momento, não é dublagem. Só os clipes musicais são gravados sem voz. Primeiro, gravamos as canções em estúdio com os próprios manipuladores e na hora da filmagem, eles mesmos “dublam”.

Quais foram as coisas mais malucas que vocês fizeram para dar vida a uma cena?
Tem muitas! Gravamos uma vez um clipe na temporada da Fazenda chamado Iara, em que as crianças querem pescar no rio para encontrar uma Iara, a sereia do rio. E a Zazá fica preocupada com a frustração que pode acontecer se elas não encontrarem a Iara. Ela se veste de sereia e, quando eles voltam do rio, encontram no paiol a Zazá disfarçada de sereia. Enquanto ela canta, eles imaginam ela no rio. Filmamos a cena do rio em uma piscina de uma escola de mergulho. Enfeitamos a piscina com vegetação de fundo de rio, o manipulador tinha que ter curso de mergulho, ele entrou com cilindro e o cinegrafista também, com muito peso para ficarem submersos. E ficou muito legal!

Vocês usam muita computação gráfica?
O Cocoricó quase não tem efeito nenhum. Quando existem, são sempre muito simples e caseiros. Preferimos as coisas mais reais. Usamos água de verdade, fogo de verdade!

E os bonecos, não estragam com tanta realidade?
Sim. Aquela cena da Iara, quando a colocamos a Zazá na água, no começo estava tudo bem. Mas, como os bonecos são feitos de espuma, eles vão inchando, ficando moles, caídos... Quando acabou a gravação, tiramos ela de dentro da água. Dei uma apertadinha e colocamos para secar. No terceiro dia, a cabeça estava seca, mais embaixo ficou bem molhado. E ficou secando mais de uma semana... Aí, começa a ficar sem cor, desfigurado... e não teve jeito! Tive de fazer outra porque aquela nunca mais voltou!

Como você começou a criar bonecos?
Aconteceu na época do Bambalalão, quando tinha feito meu primeiro boneco só de curiosidade. Aí, uma atriz e manipuladora do programa viu e me pediu para colocá-lo no ar. E assim foi feito. Os outros maninpuladores adoraram o meu boneco e começaram a me ligar, pedindo bonecos. E fui fazendo, demorava bastante... Hoje faço um boneco em menos de uma semana.


E como nasceu o Julio e o Cocoricó?
O Julio apareceu pela primeira vez em um especial de Natal, em 1989, chamado Um Banho de Aventura. Depois disso, ele ficou desempregado até que chamaram ele para estrelar o novo programa, o Cocoricó. Como o Julio foi escalado, o Fernando veio junto! E deu tudo que deu até hoje! Hoje, além de manipular os bonecos, também dirijo o programa.

2 comentários:

Pr. Emerson disse...

Amo esta galera apesar dos meus 39 anos. rsssssssssss Parabéns pela matéria. Estamos lhe divulgando em nosso blog, visite-nos dudu.bubu.blogspot.com

Jonathan Henrique disse...

Apesar da minha idade, eu gosto da turminha do Cocoricó e mais ainda da TV Cultura por se preocupar com os "pequeninos".
Mas eu prefiro o programa aos moldes antigos, tendo a fazenda como o único e principal cenário das aventuras de Júlio e galera do paiol. Alguns novos personagens deram uma recauchutada na série, porém, ao meu ver, essa interseção entre figuras rurais e figuras urbanas, desfalcou um pouco o formato bruto da atração.
Enfim, o importante é que o conteúdo da série continua de qualidade e sempre levando temas sociais importantes à nossas crianças!
"O Júlio na gaita e a bicharada no cococorau..."
Belo post! Very good!